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Com gigantes em alta, Ibovespa opera com ganhos no início da tarde

Embraer, Petrobras, JBS e Vale ajudam a impulsionar o índice; referências positivas do exterior ofuscam Focus

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(Getty Images)

SÃO PAULO - O Ibovespa apresenta alta nesta segunda-feira (17), após referências positivas vindas do exterior animarem os investidores em dia de vencimento de opções sobre ações. Por volta das 12h35 (horário de Brasília), o índice apresentava alta de 0,87%, a 49.860 pontos.

O cenário positivo, porém, pode ser alterado com o fim do vencimento de opções, às 13h, segundo Pedro Galdi, analista da SLW Corretora. "No momento, vemos um ajuste técnico no índice, que sobe após fortes quedas. O movimento de queda não acabou, e a trajetória da bolsa durante a tarde é incerta", comenta Galdi.

A constante e intensa saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira é preocupante, segundo o analista. Nem a retirada do IOF (imposto sobre operações financeiras) dos investimentos conseguiu segurar os investidores, que procuram mercados mais seguros em meio à preocupação com a economia brasileira. "A saída de dólar da bolsa preocupa porque ajuda a elevar ainda mais a cotação da moeda, que já está em R$ 2,15", diz Galdi.

Desempenho de ações
Entre os ativos que apresentam as maiores altas deste pregão, destaque para duas companhias que repicam após fortes quedas. A JBS (JBSS3, R$ 6,37, +5,99%) caiu 15% na última semana, e mesmo com a alta desta sessão apresenta desvalorização de 9% neste mês. As ações da Eletropaulo (ELPL4, R$ 6,91, +2,83%) apresentam movimento semelhante, acumulando queda de 8,96% em junho.

Já a Embraer (EMBR3, R$ 19,64, +4,75%) disparou após anunciar que planeja investir US$ 1,7 bilhão nos próximos oito anos na segunda geração de sua família de aviões comerciais. A terceira maior fabricante de aviões do mundo estimou uma demanda por 6.400 aviões comerciais com até 130 assentos nos próximos 20 anos.

Ainda entre os destaques de alta, a Petrobras (PETR3, R$ 17,02, +2,96%; PETR4, R$ 18,40, +1,88%) sobe após realizar três anúncios no final de semana, envolvendo desde um acordo bilionário com o BTG Pactual (BBTG11) até a venda de ativos para a Cemig (CMIG4). A Vale (VALE3, R$ 30,56, +1,60%; VALE5, R$ 28,64, +1,31%) também ajuda a impulsionar o índice, corrigindo parte das perdas acumuladas em 2013, após o diretor executivo para minerais ferrosos e estratégia, José Carlos Martins, dizer à Bloomberg que a expectativa do dólar chegar a R$ 2,40 ofuscará a queda da demanda chinesa - algo que tem tirado o sono dos acionistas da mineradora. Juntos, os ativos da petrolífera e da Vale possuem cerca de 20% de participação no Ibovespa.

Por outro lado, as ações do Grupo EBX, de Eike Batista, apresentam quedas de mais de 2%. As ações do grupo X são conhecidas por sua forte volatilidade. No momento, a MMX Mineração (MMXM3) cai 4,11%, cotada a R$ 1,40, a LLX Logística (LLXL3) desvaloriza 2,52%, a R$ 1,16 e a petrolífera OGX (OGXP3) apresenta queda de 3,09%, a R$ 0,94.

Esperança no exterior...
As referências positivas no exterior aparecem na expectativa sobre a reunião do Federal Reserve nos EUA, que pode trazer novidades sobre o fim do programa de compra de títulos por parte do governo norte-americano, o Quantitative Easing III. "Nesta segunda-feira, a agenda econômica fraca não repercute nos índices mundiais, e a espera pelo discurso de Bernanke movimenta os mercados, que também sofreram quedas recentes e sobem com esperança", explica o analista.

Além da espera pela decisão, indicadores dos EUA e da Europa ajudam a criar ânimo para investimentos de risco. A produção industrial do estado de Nova York apresentou alta de 7,8% em junho, ante expectativa de aumento de 0,8% e após retração de 1,4% no mês anterior.

Já na zona do euro, a balança comercial registrou superávit de € 16,1 bilhões em abril. Apesar da expectativa de superávit maior (€ 21,2 bilhões), o resultado mostrou forte aumento nas exportações para fora do bloco econômico. O aumento de 9% aumenta as esperanças sobre a recuperação econômica da zona do euro, que acredita na demana externa para sair da crise.

... decepção no Focus
O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, apontou um aumento nas projeções da Selic para 2013, passando de 8,75% para 9,0% ao ano - mesmo patamar projetado para 2014. O PIB (Produto Interno Bruto) projetado para este ano foi revisado para baixo, passando de 2,53% para 2,49%. Foi a 3ª semana seguida de alta na taxa básica de juros esperada pelo Focus e a 5ª semana consecutiva de queda no PIB.

Ainda na agenda brasileira, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) desacelerou alta para 0,43% na segunda prévia de junho, segundo dados da FGV (Fundação Getulio Vargas).

 

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