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Ibovespa segue em movimento de queda; analista vê cenário ruim no curto prazo

Para analista da Gradual Investimentos, índice cairá até beirar os 50 mil pontos; EUA, China e dados nacionais pressionam o índice

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(Rafael Matsunaga/Wikimedia)

SÃO PAULO - O Ibovespa estende as perdas vistas na sessão anterior, quando caiu 2,26% para 52.798 pontos. Nesta quinta-feira (6), indicadores divulgados nas últimas semanas continuam repercutindo, além do cenário nebuloso que se apresenta para a economia mundial, e pressionam o benchmark da bolsa brasileira. Às 15h03 (horário de Brasília) o índice registrava queda de 0,70%, a 52.430 pontos, após chegar a cair 1,05% para 52.244 pontos no início da tarde. 

Para o analista da Gradual Investimentos, Flavio Conde, o panorama é negativo para o Brasil e o Ibovespa continuará caindo. "Acredito que não temos força para subir agora. A realização de lucros deve continuar até o índice beirar os 50 mil pontos", disse Conde.

O analista cita três fatores internos para a queda de mais de 4 mil pontos do índice em menos de uma semana. "O Copom assustou o mercado com a alta de 0,5 ponto percentual na Selic na semana passada, além disso, a alta do dólar e o fraco crescimento brasileiro levam o investidor a desconfiar da economia brasileira e procurar investimentos menos arriscados do que ações", comenta.

Além dos fatores internos, os indícios de que a economia chinesa continuará a piorar também influenciam negativamente as bolsas mundiais. "A China não tem perspectiva de melhora, sem um programa do governo local para alavancar a economia", comenta Conde. Também pressiona o Ibovespa a possibilidade do Federal Reserve retirar seus estímulos monetário caso o relatório de emprego que será divulgado na sexta-feira (7) nos EUA mostrar melhora no mercado de trabalho - o initial claims referente à semana passada sinalizou diminuição de 11 mil pedidos de auxílio. "O encerramento do programa intensificaria a realização de lucros nos índices norte-americanos, que subiram bastante nos últimos meses e atingiram máximas históricas", diz o analista.

Ações pressionadas
Segundo Conde, as poucas ações que sobem nesta sessão respondem a eventos particulares ou apresentam valorização após fortes quedas, como é o caso da Petrobras (PETR3, PETR4), que cai levemente após chegar a subir 1% no intraday.

Por outro lado, o setor siderúrgico sofre com a China, cujas fábricas estão estocadas, importando menos minério e diminuindo a produção de aço. "A Vale (VALE3, VALE5) é a companhia brasileira mais impactada pela economia chinesa, mas outras ações do setor também são penalizadas", explica Conde.

Entre as maiores quedas, destaque para Eletrobras (ELET3, R$ 5,27, -2,04%ELET6, R$ 9,43, -3,38%), Cosan (CSAN3, R$ 44,78, -2,65%), CSN (CSNA3, R$ 6,30, -2,17%) e CCR (CCRO3, R$ 19,22, -1,94%).

Europa mantém juros, mas corta projeções
Na Europa, os principais índices acionários registram forte queda, após registrarem ganhos vistos cedo. O recuo veio durante conferência do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi. Se a manutenção da taxa de juros e do programa de compra de títulos não surpreendeu os analistas, o discurso de Draghi chama atenção pelas novas perspectivas para a economia da zona do euro, que mostraram piora.

O BCE acredita que a economia da região deve contrair 0,6% em 2013, ante estimativa anterior de recuo de 0,5%. Para 2014, por outro lado, o cenário parece melhor, com crescimento esperado de 1,1%, ante 1% projetado anteriormente.

Ainda no Velho Continente, os pedidos feitos à indústria alemã caíram 2,3% em abril na comparação com o mês anterior, ante expectativa de recuo de 0,9%. Já na França, a taxa de desemprego bateu seu maior patamar desde 1998 no 1º trimestre, indo para 10,8%.

EUA: Fed e emprego no radar
Nos EUA, além do Initial Claims e enquanto não chega o Relatório de Emprego que será divulgado na próxima sessão, o destaque fica para o discurso de Charles Plosser, presidente do Federal Reserve da Filadélfia, que pode trazer volatilidade ao mercado com novos indícios do fim do pacote de estímulos à economia norte-americana.

Copom reforça temores com a inflação
Já na agenda doméstica, o Copom (Comitê de Política Monetária) divulgou a ata da última reunião, ressaltando os temores com a inflação de curto prazo, o que colaborou para um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa Selic.

"O Copom avalia que, no curto prazo, a inflação em doze meses ainda apresenta tendência de elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo se apresenta desfavorável" aponta a ata.

Já o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) registrou alta de 0,32% em maio na comparação mês a mês, após apresentar alta de 0,18% no período anterior. No acumulado do ano, índice acumula alta de 6,20%.

 

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