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Ibovespa cai com discurso desanimador do Japão e dados de emprego nos EUA

Primeiro-ministro japonês anunciou 3ª etapa de programa econômico, mas não convenceu investidores; PMI de diversos países da Europa também repercute

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(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - O Ibovespa devolve parte dos ganhos vistos na véspera, com o dia nebuloso para os principais índices acionários mundiais. O benchmark da bolsa brasileira cai 0,18%, a 53.920 pontos na cotação das 10h21 (horário de Brasília) após discurso do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, decepcionar investidores nesta quarta-feira (5). Dados de emprego da economia norte-americana também repercutem, assim como indicadores da Europa.

Entre as ações que figuram na ponta negativa do índice, destaque para o setor siderúrgico com Usiminas (USIM3, R$ 9,17, -2,13%; USIM5, R$ 9,02, -1,53%), Gerdau (GGBR4, R$ 13,26, -1,63%) e Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 16,76, -1,24%). Também pesam no índice a queda de 1% das ações da Vale (VALE3VALE4), que possui cerca de 10% de participação no índice.

Na sessão anterior, o principal índice da bolsa paulista fechou o pregão em leve alta de 0,14%, atingindo 54.017 pontos, com recuperação no final após os discursos de presidentes regionais do Federal Reserve terem desanimado o mercado. Já no ano, o índice registra uma baixa acumulada de 11,38%.

"Abenomic" virou "Abegeddon"
Em meio à sessão nebulosa que se forma nos mercados mundiais, o índice acionário brasileiro não fica para trás, seguindo a tendência de queda que teve início com o discurso de Shinzo Abe no Japão. O premiê anunciou a 3ª e última parte de sua estratégia econômica para impulsionar a atividade japonesa. Essa etapa consiste em atrair fundos estrangeiros, estimular investimentos e renovar a estrutura da agricultura local, mas não forneceu maiores detalhes sobre os planos a longo prazo, o que deixa o mercado cético em relação à eficiência do programa.

Porém o anúncio não foi bem recebido pelos mercados, que registram quedas neste pregão. O índice japonês Nikkei chegou a subir mais de 1% antes do discurso, mas terminou a sessão em forte queda de 3,26%, a 13.093 pontos, distanciando-se cada vez mais dos 15.000 pontos alcançados no mês passado. Nas últimas duas semanas, foi a 5ª vez que o Nikkei caiu mais de 3% em um único dia.

Alimentando o pessimismo, o banco UBS alertou para uma possível "estagflação" no Japão - inflação alta e baixo crescimento - que pode surgir se os planos do primeiro-ministro não forem eficientes. Em reportagem da CNBC, o chefe de investimentos globais do UBS, Alex Friedman, alertou que sem crescimento, pode surgir um "Abegeddon", referindo-se à um colapso econômico.

EUA aumenta pessimismo
Com investidores aguardando o relatório de emprego, que será divulgado na sexta-feira (7) e pode trazer grandes indicações para os próximos passos do Federal Reserve em relação à possível retirada de seu programa de estímulos, o ADP Employment, espécie de prévia do relatório - registrou aumento menor do que o esperado no número de postos de trabalho do setor privado, com 135 mil novas vagas em maio, ante expectativa de 157 mil e 113 mil registrados no mês anterior.

Ainda no mercado de trabalho, a produtividade do trabalhador norte-americano no primeiro trimestre deste ano - excluindo o setor agrícola - avançou 0,5%. O resultado veio em linha com o esperado pelos analistas. Já a revisão dos gastos com mão de obra registrou sua maior queda em 66 anos, com baixa de 4,3% no primeiro trimestre, valor muito diferente da alta de 0,6% esperada mercado.

Mais tarde, os investidores acompanham dados sobre volume de pedidos feitos à indústria com o Factory Orders e o ISM Services, que mensura o nível de atividade não-industrial. O Livro-Bege do Fed também será publicado nesta quarta-feira e pode trazer novas informações sobre os caminhos a serem tomados pela autoridade monetária.

PMI agita Europa
Na Europa, os resultados mistos vistos no setor de serviços ajuda a movimentar ainda mais a sessão. Os PMIs (Índice de Gerentes de Compra, na sigla em inglês) de serviço apresentaram resultados melhores do que o esperado na Espanha e Grã-Bretanha. Já o indicador para Itália ficou abaixo das expectativas, enquanto Alemanha e França registraram valores próximos do esperado.

O PMI da zona do euro ficou em linha com a estimativa, enquanto as vendas no varejo no bloco econômico caíram 0,5% em abril, ante queda de 0,2% esperada pelo mercado.

IPC-Fipe sobe 0,10% em maio
Na agenda brasileira, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) compilado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) registrou avanço de 0,10% em maio, após subir 0,28% em abril. Na comparação com a terceira quadrissemana de maio, o índice recuou, uma vez que na última prévia do mês o índice apresentou alta de 0,18%.

Já o o PMI de serviços brasileiro caiu de 51,5 em abril para 51,2, segundo dados compilados pelo HSBC. O indicador mostrou leve queda, mas continua mostrando expansão nos setor, com valor acima de 50, que separa contração de crescimento.  Às 12h30 será a vez da divulgação do fluxo cambial semanal.

 

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