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Possível alta na Selic derruba varejistas e construtoras; veja mais destaques

Justiça bloqueia R$ 520 milhões da Eucatex e ações caem 7%; ação da Oi tem forte queda após novo corte de preço-alvo

Comércio - Varejo - Vendas - Negócios
(Fonte: Getty Images)

SÃO PAULO - Após quatro dias de alta, o Ibovespa voltou a ter um dia negativo. Nesta quinta-feira (11), o índice encerrou com queda de 1,40%, aos 55.400 pontos, pressionado pelas ações das blue chips como Petrobras (PETR3, -2,29%, R$ 16,61; PETR4, -2,33%, R$ 17,99) e Vale (VALE3, -2,46%, R$ 34,14; VALE5, -1,52%, R$ 32,40), que juntas têm 21,2% de participação no índice.

Um dos grandes destaques da sessão foi o setor varejista, um dos mais bem avaliados pelos analistas para 2013, mas que nesta quinta viu as ações de suas principais companhias registrarem forte queda. Em destaque, os papéis da B2W (BTOW3), tiveram baixa de 4,05%, a R$ 13,97, seguido pelas ações da Lojas Americanas (LAME4, R$ 17,25, -4,17%) e da Cia. Hering (HGTX3, R$ 38,75, -0,36%). Fora do Ibovespa, aparecem Magazine Luiza (MGLU3, R$ 8,62, -4,12%), da Alpargatas (ALPA3, R$ 12,90, -2,64%) e da Lojas Marisa (AMAR3, R$ 30,99, -1,18%).

Segundo aponta o estrategista da FuturaInvest, Luis Gustavo Pereira, o setor reagiu negativamente na bolsa a dois fatores: as vendas de varejo e a expectativa de alta da Selic. O primeiro refere-se aos dados revelados nesta manhã pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontaram para queda de 0,4% das vendas do varejo em fevereiro frente ao mês anterior, abaixo do esperado pelo mercado.

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Já sobre os juros, as apostas para que uma alta seja anunciada na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) da próxima semana aumentaram consideravelmente desde a véspera, quando foi revelado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março, o que levou o próprio governo a já admitir que o Banco Central deve elevar a Selic no dia 17.

Imobiliárias no vermelho
Além das varejistas, o setor imobiliário também sofreu com as notícias. A PDG Realty (PDGR3, R$ 2,82, -3,09%), MRV Engenharia (MRVE3, R$ 9,46, -3,27%) e Gafisa (GFSA3, R$ 4,48, -1,97%) recuaram nesta sessão, enquanto a Rossi (RSID3) ficou próxima da estabilidade e teve leve queda de 0,27%, a R$ 3,66.

Ação da Lupatech cai 8,5% com calote
Fora do índice, ganhou destaque também os papéis da Lupatech (LUPA3), que registraram desvalorização de 8,45%, a R$ 1,30, após a companhia declarar que não pagou juros de US$ 6,79 milhões dos bônus perpétuos emitidos pela sua subsidiária integral. Na mínima do dia, chegaram a queda de 10,56%, sendo cotados a R$ 1,27.

O pagamento dos bônus perpétuos estava previsto para esta quinta-feira. A companhia está trabalhando no equilíbrio da estrutura de capital, reorganização das áreas operacionais e integração de operações adquiridas. Recentemente, a Lupatech contratou o Bank of America Merrill Lynch como assessor financeiro para buscar solução para equacionamento de capital e reestruturação de endividamento.

Com isso, a Standard & Poor's rebaixou a companhia para "D", indicando que ela, de fato, realizou um calote. A empresa já estava em "SD" desde 23 de abril de 2012 - indicando um calote seletivo - após a empresa postergar o pagamento dos juros de debêntures detidas pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Eucatex cai mais 7% com bloqueio de bens
Na última quarta-feira, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio dos bens da empresa Eucatex (EUCA4), empresa de pisos e painéis controlada pela família Maluf, no valor de R$ 520 milhões. Em reflexo, as ações preferenciais da companhia recuaram 6,82%, para R$ 8,20 nesta sessão, e atingiram na mínima do dia queda de 8,98%, a R$ 8,01.

A decisão foi tomada após pedido do Ministério Público de São Paulo, apontando para uma suposta operação do grupo para transferir patrimônio da Eucatex. Com isso, evitaria que houvesse pagamentos de indenizações em caso de futuras condenações contra o deputado federal Paulo Maluf, nas ações em que é acusado de ser o autor de desvios na prefeitura do município, durante o período em que era prefeito de São Paulo.

Oi cai mais de 4% após mais um corte de preço-alvo
A Oi (OIBR3; OIBR4) é mais uma companhia que teve fortes perdas no pregão desta quinta-feira depois que dois bancos cortaram suas recomendações para os papéis da companhia. As ações ordinárias da operadora caíram 5,63%, a R$ 6,71, enquanto as preferenciais recuaram 4,41%, a R$ 5,64.

O desempenho acompanha a revisão para baixo do preço-alvo dos papéis da companhia pelo CGD. O target de OIBR3 passou de R$ 15,00 para R$ 13,00, enquanto de OIBR foi de R$ 12,50 para R$ 11,00. A recomendação foi mantida em compra.

Na véspera, o HSBC reduziu o preço-alvo das ações preferenciais da Oi de R$ 7,50 para R$ 5,50, patamar R$ 0,40 abaixo do último fechamento da ação. Para os analistas Richard Dineen e Sean Glickenhaus, o progresso inicial da empresa em sua reestruturação operacional foi bom, mas esse movimento deve desacelerar no curto prazo. Além disso, as metas de prazo mais longo parecem inatingíveis.

Cetip avança após elevação de recomendação
Devido ao mau momento vivido pelas ações da Cetip (CTIP3) nos últimos tempos, o Bank of América vê um momento de recuperação para os papéis e elevou sua recomendação para compra, elevando o preço-alvo para os ativos para R$ 28,00 por ação – um potencial de alta de 13,27%. As ações da ocmpanhia fecharam esta sessão com alta de 1,77%, a R$ 24,72.

No resultado do primeiro trimestre, o banco projeta um lucro líquido de R$ 78 milhões, 1% de alta em relação ao último trimestre, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve chegar a R$ 145 milhões. Além disso, eles destacam que a GRV poderia melhorar os resultados no final do segundo trimestre e ser o gatilho para os papéis da Cetip.

 

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