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Merrill Lynch vê papéis da ALL como boa estratégia defensiva contra a inflação

Setor de transportes ganha foco no atual retrato do mercado; fundamentos e pior desempenho da ação colocam ALL na frente

SÃO PAULO - Em tempos de elevadas taxas inflacionárias, os papéis atrelados ao segmento de transportes e infra-estrutura podem atuar como estratégia defensiva, na avaliação do banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch.

Como o retrato serve para o atual momento da Bolsa brasileira, as melhores alternativas do setor são os ativos de CCR (CCRO3) e ALL (ALLL11), segundo os analistas do banco. Pelos fundamentos e potencial de crescimento de ambas as companhias, elas largam na frente das concorrentes listadas em Bolsa.

Filtrando ainda mais a análise, a melhor opção para a Merrill Lynch é a ação da ALL, pelo spread na comparação com os ativos da CCR. A performance recente das ações da CCR é bem melhor, haja vista que acumulam valorização de mais de 12% em 2008, enquanto os ativos da ALL registram variação de mesma proporção no período, mas negativa.

Apostando no estreitamento da relação entre estes ativos, a recomendação final vai para a ALL. E não só de postura defensiva e spread vive a sugestão aos ativos. As expectativas são de sólido crescimento no volume movimentado.

Evolução no volume movimentado
As estimativas dos analistas relacionam uma evolução de 13% no volume total movimentado pela ALL no segundo trimestre, graças principalmente ao transporte de grãos e fertilizantes.

Um olhar para a atividade da empresa nos principais portos brasileiros indica crescimento de aproximadamente 19% nas importações de fertilizantes no Porto de Santos, responsável por cerca de 38% das receitas da ALL com agronegócio.

Também entra em destaque a participação dos portos de Rio Grande e Paranaguá, que chegam a relacionar projeções de evolução de 21% no volume transportado de soja no primeiro semestre. A ALL solta seu balanço trimestral na próxima terça-feira.

Frete mais caro
Outro ponto que pesa a favor da companhia diz respeito aos custos com frete. Em meio a um crescimento expressivo na base de custos operacionais, a NTC (National Association for Cargo Transportation) sugere um reajuste de 6,9% no valor do frete rodoviário.

Para regiões-chave com restrições ao tráfego, como Rio de Janeiro e São Paulo, a instituição propõe um repasse adicional de 15% no preço dos fretes.

A recomendação de compra da Merrill Lynch aos ativos da ALL acompanha projeção de preço-alvo de R$ 30 para o final do ano. Caso concretizado, o valor traz potencial de valorização de 48% sobre cotação do pregão da terça-feira (5).

 

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