Destaques da bolsa

Ação da Oi sobe 9% com notícia de venda da Unitel por US$ 1 bi; bancos avançam até 5% e Braskem dispara 7%

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (23)

SÃO PAULO – A sessão desta quinta-feira (23) foi de fortes emoções para o Ibovespa: o índice chegou a cair 1,25% na mínima do dia com temores sobre o coronavírus, com ganhos de 0,96%, na nova máxima histórica, em meio à recuperação dos bancos e após a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidir que “ainda é cedo” para declarar emergência internacional devido às infecções do coronavírus.

Os bancos registraram forte alta: Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 2,37%, Bradesco (BBDC3BBDC4) teve alta de 2,64%, Banco do Brasil (BBAS3) valorizou 5,62% e Santander (SANB11) mostrou um desempenho positivo de 1,96%.

De acordo com o trader de multimercados da Quantitas Gestão de Recursos, Lucas Monteiro, os bancos como um todo foram bem por um movimento conhecido como “rotation“. “Dado que o índice tem andado bastante, faz sentido trocar de setores, entrando naquilo que não andou muito e que está barato em termos de múltiplos”, disse Monteiro.

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A Eletrobras (ELET3;ELET6) teve queda após a forte alta da véspera e também com a notícia de que o governo pode tirar a receita prevista com a privatização da Eletrobras do orçamento de 2020 em meio às incertezas crescentes com a desestatização da empresa. Contudo, a perda foi amenizada após Sallim Mattar, secretário de desestatização, afirmar que a companhia vai ser capitalizada em 2020.

Um dos destaques fica para o Carrefour (CRFB3), que subiu 2% após os dados prévios do quarto trimestre. A Oi, por sua vez, subiu 9% com a notícia do Globo de que a companhia vendeu a Unitel.

Braskem (BRKM5), por sua vez, foi o grande destaque de alta do Ibovespa ao subir 7,26%; os ativos já subiram 30,65% em janeiro, sendo a segunda maior alta do índice no mês. Confira os destaques da quinta-feira (23):

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
BRKM57.2607339
BBAS35.6216751.48
GOLL45.0295939.05
CCRO34.0414520.08
RENT33.8330351.74

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
GNDI3-2.5355572.65
HGTX3-2.1897826.8
BRFS3-2.1348334.84
ABEV3-2.0997418.65
IRBR3-1.9599144.02

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil pretende concluir até o fim do segundo trimestre a escolha de um parceiro para a gestora de fundos da instituição, a BB DTVM. O futuro parceiro será estrangeiro, com o objetivo de ampliar o alcance dos produtos do banco. Para participar do processo competitivo em curso, o BB exigiu que as companhias interessadas tivessem no mínimo US$ 400 bilhões sob gestão e atuação relevante nos mercados de renda variável e ETFs (fundos de índices). A parceria levará, na prática, à privatização da gestora do BB. O desenho está sendo finalizado, mas a tendência é que o sócio estrangeiro fique com 50% mais uma das ações da joint venture a ser criada. No terceiro trimestre, a BB DTVM possuía uma participação de mercado de 22,8% e R$ 1,05 trilhão em ativos sob gestão.

Oi (OIBR3;OIBR4)

A Oi viu suas ações ON subirem até 9% após a notícia de que foi assinada a venda da participação da 25% da empresa na angolana Unitel para a petrolífera Sonangol em negócio de US$ 1 bilhão, segundo o colunista Lauro Jardim, no Globo.  De acordo com o jornal, amanhã serão depositados US$ 750 milhões no caixa da Oi e a Sonangol depositará o restante em até 90 dias. Procurada pela Bloomberg, a Oi não respondeu imediatamente a pedido de comentário.

Segundo o Bradesco BBI, uma vez confirmada, a notícia é bastante positiva para a empresa; os analistas seguem com recomendação equivalente à compra para os ativos e preço-alvo de R$ 1,80.

Carrefour Brasil (CRFB3)

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O Carrefour Brasil divulgou suas prévias de vendas do quarto trimestre de 2019. O valor bruto consolidado somou R$ 17,6 bilhões no período, um crescimento de 11,4% na comparação com o mesmo trimestre de 2018. No acumulado do ano, as vendas chegaram a R$ 62,220 bilhões, alta de 10,4%.

As vendas consolidadas sem gasolina cresceram 11,4% no trimestre, a R$ 16,842 bilhões. No ano, o número nesse mesmo critério teve alta de 11%, a R$ 59,377 bilhões.

As redes de varejo do Carrefour, sem contar os combustíveis, tiveram vendas brutas de R$ 4,987 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 12,8%. As vendas no conceito mesmas lojas, ou seja, que não levam em conta lojas abertas nos últimos 12 meses, tiveram alta de 7,6%, o melhor desempenho em quarto trimestre dos últimos cinco anos.

O melhor desempenho do Varejo, segundo o Carrefour, continua refletindo as diversas iniciativas implementadas a partir de 2018 com relação aos preços e ao reposicionamento de sortimento, bem como as iniciativas comerciais e de transição alimentar

Segundo o varejista, a estratégia contínua de expansão em Cash&Carry levou a um crescimento adicional de 4,2% com a inauguração de 20 lojas de atacado em 2019 e 8 lojas dos formatos de proximidade, incluindo 8 lojas Atacadão no quarto trimestre. A rede de lojas do Grupo Carrefour Brasil totalizava 692 lojas no final do ano.

No Atacadão, o crescimento foi de 10,8% no quarto trimestre ante igual período do ano anterior para R$ 11,9 bilhões, impulsionado pela expansão (+6,0%) e de 5,5% na base mesmas lojas, reflexo de iniciativas “bem-sucedidas e de uma forte Black Friday”.

“Durante a Black Friday, o Carrefour registrou aumento de 54,6% nas vendas ante 2018 suportado por alta de 63,4% em vendas no Atacadão e 40% em vendas no Carrefour. O faturamento do Banco Carrefour apresentou aumento de 32%, atingindo mais de R$ 380 milhões em um único dia”, informa.

Segundo o Credit Suisse, a rede apresentou um desempenho de vendas sólido, acelerando as vendas no varejo pelo sexto trimestre consecutivo, além da expansão da sua operação bancária e da rede de atacarejo Atacadão. “O Atacadão cresceu 10,8% sobre igual período de 2018, para um faturamento de R$ 11,9 bilhões”, destaca. “Esperamos que este desempenho continue em 2020, por causa de uma inflação potencialmente mais alta nos preços dos alimentos”. Segundo o Credit Suisse, o Banco Carrefour também entregou um resultado robusto, com expansão de 28,9% para R$ 9,7 bilhões. Embora considere o desempenho do CRFB acima da média, o banco manteve a recomendação neutra para o papel.

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Eletrobras (ELET3;ELET6

O governo pode tirar a receita prevista com a privatização da Eletrobras do orçamento de 2020, destacou o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, em entrevista à Bloomberg. O bloqueio se deve às crescentes incertezas em relação à privatização da empresa, que ainda precisa do aval do Congresso.

“Se não houver evolução no projeto da estatal nesse início de ano, vamos ter que contingenciar o Orçamento em R$ 16 bilhões”, disse Mansueto. O valor é quanto o governo espera arrecadar no processo de capitalização da Eletrobras, no qual aUnião deixará de ter o controle da companhia.
Nada indica, no entanto, que haverá evolução no andamento do projeto da Eletrobras no Legislativo. O líder do governo na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo, afirmou à Bloomberg que o tema é espinhoso e que “não gostaria de falar em prazos” para a aprovação da proposta.

A Eletrobras comunicou ao mercado que fará uma emissão de notes no mercado internacional no valor de US$ 1,75 bilhão (R$ 7,33 bilhões), com vencimento em cinco anos (“notes 2025”) e com vencimento em dez anos (“notes 2030”). “Os recursos líquidos obtidos com a emissão das notes serão usados para o refinanciamento de dívidas da Companhia”, detalhou a estatal elétrica brasileira.

Linx (LINX3

O banco Credit Suisse comentou a prévia da empresa de software e informática Linx, que ontem divulgou resultado preliminar do quarto trimestre. O preço-alvo da ação foi diminuído de R4 43,00 para R$ 42,00, mas o banco manteve a nota acima da média para a Linx, porque aumentou as estimativas para a área de negócios Linx Core & Digital.

“Nós reduzimos nossas estimativas para a Linx Pay, mas no lado positivo aumentamos para a Linx Core & Digital. Os resultados devem melhorar gradualmente, mas existem novas iniciativas de difícil avaliação”, diz o relatório. A estimativa para o Ebitda foi cortada em até 8% (R$ 229 milhões) e para a receita líquida em até 39% (R$ 100 milhões) para 2020. “Um cenário negativo para a abertura de lojas ainda é um risco de baixa”, destaca a avaliação.

Cogna (COGN3)

A Cogna Educação informou que o contrato com a Vasta Educação para 2020 foi atualizado de R$ 686,6 milhões para R$ 716 milhões, passando a representar um acréscimo de 25% – e não mais de 20% – em comparação a 2019. A Vasta é o braço da Cogna (antiga Kroton) na educação básica. Com o reajuste, sobe em 25% o ganho da Cogna com cada aluno que estuda no ensino básico das suas escolas. A empresa informou que a atualização do contrato não deve ser vista como uma projeção de crescimento para a receita anual da Vasta.

Copel (CPLE6)

O Conselho de Administração da Copel, estatal de energia elétrica do Paraná, aprovou a venda da participação acionária da empresa na Eletrosul. A aprovação foi dada em reunião realizada ontem em Curitiba (PR). “O Conselho autorizou que a diretoria de Finanças delibere sobre a saída da Companhia de negócios que tratem de ativos financeiros não estratégicos”, diz trecho do texto da reunião.

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A reunião aprovou a venda das ações da Copel na Eletrosul, mas não informou qual é a quantidade e o preço dos papéis que a empresa paranaense possui na Eletrosul. A Eletrosul é uma subsidiária da Eletrobras, que o governo federal planeja privatizar. Além das ações, a Copel tem participação em pelo menos três “linhões” que ligam o sistema elétrico do Paraná a Santa Catarina e ao Rio Grande do Sul. Um eventual valor da transação não foi revelado na reunião.

JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3)

O Valor Econômico esclareceu que são os frigoríficos de médio porte que são os mais prejudicados pelas renegociações de contratos na China. Na B3, ontem, as ações da Marfrig caíram 2% – segunda maior baixa do Ibovespa; já os papéis da JBS recuaram 0,13%, mas chegaram a cair mais ao longo do dia.

Segundo o jornal, o jogo na China pode ficar mais concentrado nos grandes frigoríficos, que têm poder de fogo para lidar com os solavancos e estão mais acostumados ao mercado do país asiático. Já para os médios frigoríficos, a montanha-russa chinesa teve início em setembro: exultantes com a habilitação de 17 abatedouros de bovinos do Brasil, muitos correram para vender, mas se descuidaram dos riscos de crédito e negligenciaram a sabedoria milenar dos chineses no comérci.

Embora o investidor de grandes frigoríficos tenha reagido negativamente às notícias sobre as renegociações com a China, a percepção de fontes do setor é que, após o Ano Novo Chinês, serão os grandes frigoríficos os maiores beneficiados pela retomada da demanda do país asiático.

Minerva (BEEF3)

Está prevista para hoje a precificação de oferta primária e secundária da Minerva após bookbuilding. A companhia vai oferecer 80 milhões de ações, enquanto acionista VDQ Holdings ofertará outras 15 milhões. A expectativa inicial era que operação poderia movimentar R$ 1,37 bilhão, com base no preço de fechamento de 15 de janeiro de R$ 14,40. Mas o papel despencou ontem a R$ 14,05 após o Goldman Sachs rebaixar a recomendação da ação de neutra para venda.

A intenção do frigorífico é utilizar os recursos da oferta para fins de melhoria da estrutura do capital da companhia, por meio do pagamento de determinadas dívidas.

Embraer (EMBR3)

Acordo entre Boeing e Embraer foi suspenso novamente pela União Europeia em 21 de janeiro, segundo comunicado da Comissão Europeia. O bloco não fixou novo prazo para revisão, que já havia sido suspensa e retomada anteriormente, pois funcionários buscavam informações adicionais das partes sobre o acordo. A última vez foi em 9 de janeiro, quando a UE tinha estabelecido 30 de abril como novo limite.

Triunfo (TPIS3

A empresa de infraestrutura Triunfo Participações comunicou na noite de ontem à CVM que uma decisão do judiciário de São Paulo atendeu ao BNDES e à Infrabrasil, que são seus principais credores, e suspendeu o seu plano de recuperação extrajudicial. A Triunfo, em recuperação extrajudicial desde 2018, tem dívidas de R$ 2,4 bilhões, das quais R$ 1 bilhão são com o BNDES. Segundo a Triunfo, a decisão contraria uma sentença anterior da primeira instância. “Com efeito a partir de 23 de janeiro de 2020, os planos de recuperação extrajudicial da Companhia, bem como o da Concer, estão suspensos, fazendo com que os créditos abrangidos retornem às condições precedentes”, diz um trecho do fato relevante.

O BNDES e a Infrabrasil não se manifestaram. Além da BR-040 (Rio-Juiz de Fora) e de estradas no interior de São Paulo e do Paraná, a Triunfo controla o Aeroporto de Viracopos (SP). O aeroporto, contudo, não faz parte da recuperação extrajudicial. No Paraná, a Triunfo mantém uma disputa com o governo do Estado por causa do preço dos pedágios.

Tupy (TUPY3

A fundição Tupy aprovou um plano de recompra de ações que deverá se estender até 30 de dezembro deste ano. A quantidade inicial de papéis que será recomprada é relativamente pequena: 235 mil das pouco de mais de 66 milhões de ações da Tupy que estão no mercado. Segundo a empresa, as operações ocorrerão no balcão da B3.

Elekeiroz (ELEK3) 

A indústria química Elekeiroz, de Várzea Paulista (SP), comunicou ao mercado que Thiago Sguerra Miskulin, executivo da empresa, foi eleito presidente do Conselho de Administração da empresa. Ele substitui a Marcelo Marinho Cecchetto. A decisão foi tomada em reunião do Conselho na sede da indústria.

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(Com Bloomberg e Agência Estado)