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Ações do Brasil são rebaixadas por Santander e Itaú BBA; JBS, Petrobras e mais destaques no radar

Confira os destaques do noticiário corporativo desta terça-feira (23)

SÃO PAULO – A crise política segue impactando o mercado de ações brasileiras, o que levou Santander e Itaú BBA a revisarem suas estimativas para o Ibovespa e para o mercado de ações latino-americano. Neste cenário, o noticiário para a JBS também segue bastante movimentado. Confira os destaques do noticiário desta terça-feira (23):

Mudança de estratégia

Em meio ao aumento do risco político, Santander e Itaú BBA rebaixaram suas recomendações para carteiras de ações do Brasil do equivalente a comprar para manutenção, segundo relatórios divulgados na noite de segunda-feira.

No Santander, a recomendação passou de overweight para neutra, enquanto a de ações do México foi elevada de neutra para overweight. O banco também reduziu projeção para o Ibovespa no final
de 81.000 pontos para 67.000 pontos. “A visão positiva sobre a recuperação da América Latina está temporariamente (não estruturalmente) adiada devido à menor probabilidade da entrega da agenda de reformas do Brasil. Nossa equipe macro acredita que o cronograma das reformas foi severamente atrasado, com o mercado provavelmente reduzindo as chances de aprovação da
reforma da Previdência para perto de zero no curto prazo”.

Entre as dez ações de América Latina preferidas pelo Santander, as inclusas foram as seguintes. Do México: Alsea, Banorte, Gap e Pinfra; do Brasil: Energisa, Itaúsa, Lojas Americanas, Localiza; da Argentina: TGS; do Chile: Itau Corpbanca. As removidas foram Bradesco, Gruma, Hypermarcas, Pampa Energia e Taesa. 

O Itaú BBA cortou recomendação de overweight para equalweight; México também cortado para equalweight. O banco espera uma “maior volatilidade relacionada com a incerteza da reforma da Previdência” e introduz um portfolio “mais resiliente” no Brasil. “Estamos introduzindo um portfólio muito mais conservador ao adicionarmos Embraer, Minerva, Suzano, Telefônica Brasil Hypermarcas e Ultrapar”. Bradesco, Vale, Sabesp e Energias do Brasil mantidos em overweight, enquanto Petrobras foi alterada para equalweight. 

Mais recomendações

O Safra iniciou a cobertura para as ações da Locamerica (LCAM3) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 11,00. Já o Santander elevou a recomendação para as ações da Lojas Americanas (LAME4) de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 19,00. 

JBS (JBSS3)

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No olho da eclosão da crise política, o noticiário da JBS é bastante movimentado após a ação ter uma derrocada histórica de 31% na véspera. O colapso do papel e especulações sobre possível ação contra a empresa nos EUA têm comprometido os planos de um IPO da unidade JBS Foods em NY; também pesa sobre a companhia a incerteza sobre o bilionário acordo de leniência, cujas discussões foram retomadas na véspera. O acordo deveria ter sido fechado na semana passada, mas a empresa não concordou em pagar R$ 11 bilhões em dez anos, valor proposto pelo MPF para que o grupo não seja alvo das ações na Justiça. Durante as primeiras tratativas, a J&F ofereceu duas contrapropostas de R$ 1 bilhão e outra de R$ 1,4 bilhão, mas ambas foram rejeitadas pelos procuradores.

Já a companhia informou que as operações continuam em ritmo normal, dentro do plano de negócios” e que “tem uma situação financeira robusta e confia na qualidade de seus produtos e serviços”, segundo comunicado distribuído pela assessoria de imprensa na noite desta segunda-feira por e-mail. A JBS “segue em seu firme propósito de colaborar com a Justiça brasileira no combate à corrupção no país”. “Todos os atos ilícitos que a companhia e seus executivos cometeram no passado foram comunicados à PGR e estão documentados nos autos da delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal”. 

Vale destacar que a JBS sofre ação coletiva de investidores nos EUA. O processo protocolado por Rosen Law Firm em nome de investidores dos EUA que compraram ADR da JBS trata de comunicados falsos ou enganosos, segundo comunicado. De acordo com o processo, houve declarações falsas e/ou enganosas e/ou falha em revelar que executivos da JBS subornaram autoridades e políticos para subverter inspeções de alimentos de suas fábricas e ignorar práticas insalubres. JBS e outras entidades controladas por Joesley Batista e Wesley Batista, teriam feito transações suspeitas que exibem sinais de possível “insider trading” antes da revelação do acordo de delação premiada pelos principais executivos da JBS. A ação também cita irregularidades atribuídas a empréstimos do BNDES à JBS. O processo, que ainda não foi certificado, busca recuperar os danos sofridos pelos investidores dos EUA após “os detalhes verdadeiros chegaram ao mercado”.

Por fim, o Estadão informa que, mesmo se ficar comprovado que a JBS se beneficiou irregularmente de operações financeiras antes da divulgação do acordo de delação premiada assinado com os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo, os delatores podem ficar impunes e a colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) ser preservada, de acordo com a avaliação de especialistas. 

Apenas com a comprovação de participação direta dos delatores ou conhecimento por eles dos atos ilícitos é que eles seriam punidos e perderiam os benefícios que conseguiram ao celebrar a delação, como o perdão judicial que vai garantir que os empresários não sejam incriminados na Justiça.

Petrobras (PETR3;PETR4)

Destaque para duas notícias sobre a Petrobras. A companhia informou nesta terça-feira que efetuou uma operação de pré-pagamento de dívida com o Citibank, no valor de 500 milhões de dólares e vencimentos previstos para 2017 e 2018, e que simultaneamente realizou a contratação de novo financiamento com a instituição, no mesmo valor, com prazo de vencimento em 2022 e sem garantias reais. “A Petrobras continuará avaliando novas oportunidades de financiamento de acordo com a sua estratégia de gerenciamento de passivos, que visa a melhora do perfil de amortização e a redução do custo da dívida, levando em consideração as metas de desalavancagem previstas em seu Plano de Negócios e Gestão 2017-2021”, disse a empresa em comunicado.

Além disso, a empresa anunciou na véspera que iniciou a etapa de divulgação da venda do Campo de Juruá, na Bacia de Solimões, no Estado do Amazonas, segundo fato relevante da companhia.

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A petroleira oferecerá 100 por cento de participação no campo de Juruá e disse que a transação é “oportunidade para desenvolver e monetizar uma descoberta de gás natural”.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

A Eletrobras lançou na segunda-feira um plano de aposentadoria voluntária para até 4.607 empregados, incluindo holding e subsidiárias, como parte das iniciativas previstas no Plano Diretor de Negócios e Gestão para o período 2017-21.

A iniciativa, chamada de Plano de Aposentadoria Extraordinária da Eletrobras (PAE), está sendo implantada simultaneamente na holding e nas empresas Eletrobras CGTEE, Cepel, Chesf, Eletronuclear, Eletronorte, Eletropar, Eletrosul e Furnas, segundo explicou a elétrica.

Em comunicado, a empresa disse que as adesões voluntárias ao PAE foram divididas em dois períodos, sendo o primeiro até o dia 30 de junho, enquanto o segundo ocorrerá entre 10 e 31 de julho. Os desligamentos ocorrerão entre junho e dezembro de 2017.

São considerados elegíveis ao plano empregados com idade igual ou superior a 55 anos e com pelo menos dez anos de vínculo empregatício com a empresa, no momento do desligamento, que sejam aposentados pela previdência oficial ou em condições de aposentadoria pela previdência oficial até a data de desligamento, de acordo com as regras atuais do INSS.

Além disso, também são elegíveis empregados reintegrados e anistiados à empresa por meio da Comissão Especial Interministerial, conforme estabelecido por lei. Nesse caso, não há exigência de tempo mínimo de empresa, idade mínima ou obrigatoriedade de ser aposentado ou aposentável.

Prumo (PRML3)

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O Porto do Açu Operações, subsidiária da Prumo, assinou contrato definitivo com a TRX Empreendimentos Imobiliários para o desenvolvimento e implantação de um Condomínio Logístico no Complexo Industrial do Porto, segundo comunicado da Prumo à CVM. A TRX será responsável pelo desenvolvimento, com investimento inicial garantido de cerca de R$ 30 milhões. 

BR Malls (BRML3

 O conselho de administração da BR Malls aprovou em reunião na segunda-feira o preço de 11 reais por ação na oferta pública primária com esforços restritos, na qual foram subscritas 157.280.772 ações ordinárias, movimentando 1,73 bilhão de reais.

A Reuters noticiou na véspera, citando fonte a par do assunto, que a oferta da administradora de shopping centers havia sido precificada a 11 reais por ação.

A operação previa a oferta de 136.765.889 ações, que poderiam ser acrescidas de lote suplementar de até 15 por cento, ou seja, 20.514.883 ações.

(Com Bloomberg, Agência Estado e Reuters)