Setor de varejo

Ações do Assaí (ASAI3) caem na véspera de balanço, junto com setor de varejo

Assaí deve ter desempenho superior na comparação com seus pares, mas cenário macroeconômico segue desafiador para as varejistas

Por  André Cabette Fábio -

As ações do Assaí (ASAI3) fecharam em baixa de 1,89% antes da divulgação de seus resultados no quarto trimestres.

No entanto, a desvalorização dos papéis não foi exclusividade da supermercadista, já que os principais concorrentes também recuaram: Carrefour Brasil (CRFB3), -0,23%, e Grupo Mateus (GMAT3), -2,39%.

Ainda no varejo, Americanas (AMER3) desabou mais de 6%, após o seu e-commerce sair do ar. Junto, caíram as ações de Magazine Luiza (MGLU3), -5,35%, e Via (VIIA3), -4,57%.

Expectativas do balanço do Assaí (ASAI3)

Em sua prévia com estimativas para os resultados do quarto trimestre de 2021, a XP disse que espera uma temporada de resultados mistos para o varejo. Mas afirma que o Assaí deve ter desempenho superior ao dos pares, e mantém recomendação de compra.

Apesar disso, a XP disse esperar resultados fracos do Assaí por conta do cenário macroeconômico desafiador, citando incertezas quanto à alteração do teto de gastos, pressões inflacionárias levando à alta da taxa referencial de juros e projeções de crescimento mais baixo. 

A corretora estima que as vendas líquidas devem apresentar um crescimento de 8% na comparação anual, principalmente por conta da adição de 21 lojas no período. 

No mais, a corretora ressalta que o quarto trimestre é sazonalmente forte para o varejo, por conta das compras de final de ano, e ressalta que esse período em 2020 representa uma base de comparação fraca por conta do impacto da pandemia. Mas, no caso de varejistas que atuam no setor de alimentos, como é o caso do Assaí, a inflação deve afetar os resultados.

Por sua vez, as vendas em mesmas lojas (SSS na sigla em inglês) devem sofrer pressão, com queda de 2,2% na comparação anual por conta da demanda fraca por conta da queda do poder aquisitivo dos brasileiros com a inflação, além da recuperação mais lenta do segmento de vendas para outras empresas (B2B em inglês) com o avanço da variante Ômicron do coronavírus. 

A XP diz que espera uma margem bruta estável na comparação anual, enquanto que a margem Ebitda deve recuar 0,5 ponto percentual por conta da abertura de lojas no trimestre. 

Assim, a corretora diz que espera queda de 14% no lucro líquido por conta de maiores despesas financeiras com a alavancagem maior da empresa e o aumento das taxas de juros no Brasil. 

Conversão do Extra

A XP destaca que o Extra realizou uma forte queima de estoques para transferir suas lojas ao Assaí.

O Credit Suisse realizou no início de fevereiro a sua Conferência de Investimentos na América Latina (Laic), que contou com a participação do Assaí. O banco afirma que a prioridade da gestão neste ano será a conversão das lojas Extra Hiper compradas. Em outubro, o Assaí comprou 71 lojas da rede Extra, por R$ 5,2 bilhões.

A expectativa apresentada ao Credit é de que cerca de 40 sejam convertidas até agosto, além da abertura de cerca de 15 novas lojas. Assim, o Assaí afirmou aos analistas do Credit que antecipa uma diluição de entre 0,3 e 0,4 ponto percentual na margem Ebitda no ano fiscal de 2022 em comparação com o ano anterior.

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