Destaques da bolsa

Ação do BB dispara 10% com Guedes citando privatização em reunião; Via Varejo sobe 15% e só 7 ativos do Ibovespa caem

Confira os destaques da B3 na sessão desta segunda-feira (25)

SÃO PAULO – A sessão foi de ânimo para o mercado brasileiro, que registrou fortes ganhos de 4,25%, em meio ao maior otimismo internacional e também com o Ibovespa seguindo o movimento do índice futuro na última sexta-feira (22), quando ocorreu uma virada na última hora de negociação, com o contrato fechando em alta de 1,30%, em meio à percepção de que a divulgação do vídeo da reunião de Jair Bolsonaro com ministros não teve uma “bala de prata”, gerando menos ruídos políticos do que se esperava antes da divulgação do material.

Lá fora, em dia de feriado nos EUA, a sessão foi de maior ânimo para os mercados como os da Europa, com a expectativa de reabertura das economias. Mesmo com a decisão dos EUA de vetar os voos do Brasil, as ações de aéreas registraram ganhos, ainda que mais modestos, caso de Gol (GOLL4, R$ 12,60, +3,03%) e Azul (AZUL4, R$ 15,34, +3,65%), enquanto as ações da companhia de turismo CVC (CVCB3, R$ 14,10, +13,07%) dispararam 13%.

A maior alta, contudo, ficou com as ações da Via Varejo (VVAR3, R$ 11,21, +15,57%), com salto superior a 15%. Além do movimento de forte ânimo no mercado, está também no radar a notícia de que a dona das Casas Bahia e Ponto Frio concluiu a compra de 100% das ações da Airfox/banQi, que já funcionava como banco digital da Via Varejo.

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Também com fortes ganhos, superiores a 10%, estiveram as ações de Sabesp (SBSP3, R$ 49,90, +12,97%), Cyrela (CYRE3, R$ 16,73, +12,43%), MRV (MRVE3, R$ 16,74, +12,12%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 31,50, +10,49%), BR Distribuidora (BRDT3, R$ 22,22, +10,38%) e Cogna (COGN3, R$ 4,73, +10%).

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 20,34, +4,20%;PETR4, R$ 19,48, +4,34%) subiram com os sinais de alívio político, apesar do petróleo fechar em leve queda. O brent caiu 0,5%, a US$ 34,94 o barril, enquanto o WTI teve baixa de 0,2%, a US$ 33,19.

No intraday, os contratos futuros da commodity chegaram a ter alta superior a 1%, também embalados pela expectativa de reabertura nas economias e melhora na confiança das empresas alemãs.

Bancos também tiveram fortes ganhos seguindo o ânimo do mercado, caso de Banco do Brasil,  Bradesco (BBDC3, R$ 18,38, +7,99%;BBDC4, R$ 20,08, +7,09%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 23,96, +4,36%) e Santander Brasil (SANB11, R$ 25,98, +5,57%). O grande destaque ficou para os papéis do BB, com ganhos acima de 10%: além do ânimo do mercado, corrobora para o melhor desempenho a fala durante a reunião ministerial do ministro Paulo Guedes, da Economia, sobre a necessidade de privatizar o banco.

Em um trecho do vídeo, o ministro afirma que, diferente da Caixa e BNDES, não é possível “fazer nada” no Banco do Brasil e que por isso a instituição deveria ser privatizada. “O Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender”, disse. Sua ideia é que isso aconteça até 2022. Confira mais trechos da reunião clicando aqui.

Contudo, de acordo com um analista que não quis se identificar, o movimento das ações do BB é exagerado, uma vez que não houve nenhuma novidade sobre o desejo de Paulo Guedes e do próprio presidente do banco, Rubem Novaes, em privatizar a companhia, mas que isso não deve ser viabilizado no médio prazo. Porém, ressalta que, caso haja essa possibilidade, o BB seria o banco mais elegível a ser privatizado, já que é listado em bolsa e possui bons fundamentos.

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Também ajudando a impulsionar as ações do setor, por mais uma vez, um dos projetos de lei que visam aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) durante a pandemia do novo coronavírus foi adiado para votação no Senado.

O adiamento aconteceu após um acordo fechado entre o autor da proposta, senador Weverton (PDT-MA), e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) durante reunião de líderes durante esta segunda-feira (25). Alguns setores do Senado estão passando a adotar o discurso de que que o sistema financeiro/bancário também deve contribuir nesse momento de crise. A proposta apresentada em março pelo senador Weverton aumenta a taxa de 20% para 50%. O Senado vai realizar uma audiência com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, antes de pautar o projeto de lei.

Entre os piores desempenhos na B3, estão as ações de exportadoras, como do setor de papel e celulose, caso de Klabin (KLBN11, R$ 18,87, -1,72%) e Suzano (SUZB3, R$ 37,70, -2,36%), além de Minerva (BEEF3, R$ 12,63, -1,79%), Marfrig (MRFG3, R$ 12,30, -2,61%)  e BRF (BRFS3, R$ 21,75, -0,05%), em meio à queda do dólar. A divisa americana comercial caiu 2,08%, a R$ 5,4555 na compra e R$ 5,458 na venda.

Ainda no radar do setor de frigoríficos, está a preocupação com os casos de coronavírus e o impacto nas operações das companhias. A Marfrig informou que tem 25 funcionários com covid-19 em unidade no Mato Grosso. Ao menos um funcionário da unidade Várzea Grande morreu em decorrência da doença, informou a empresa em comunicado. Outro funcionário da unidade morreu de doença respiratória,
mas não foi determinado se a causa foi a covid-19. Os 25 funcionários da planta com teste positivo para o novo coronavírus e os que tiveram contato com eles foram retirados da linha de produção. Eles estão isolados e unidade permanece aberta, disse.

Já a  BRF afirmou nesta segunda que cerca de 340 colaboradores do frigorifico de Concórdia (SC), entre funcionários e terceirizados, tiveram resultado positivo em testes rápidos para a detecção do coronavírus. O montante equivale 6,6% do total da unidade, segundo a empresa. Os 93,4% dos seus 5.132 colaboradores e terceirizados da unidade catarinense, que tiveram resultado negativo nos testes rápidos retornam ao trabalho nesta segunda.

Apenas 7 ações do Ibovespa fecharam em queda, entre elas também a Vale (VALE3, R$ 50,10, -0,34%) e a holding Bradespar (BRAP4, R$ 34,52, -0,38%).

Confira os destaques da sessão:

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
VVAR315.5670111.21
CVCB313.0713714.1
SBSP312.9726149.9
CYRE312.432816.73
MRVE312.1232416.74

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
MRFG3-2.6128312.3
SUZB3-2.356937.7
BEEF3-1.7884912.63
KLBN11-1.7187518.87
BRAP4-0.3751834.52

Gol (GOLL4, R$ 12,60, +3,03%), Azul (AZUL4, R$ 15,34, +3,65%) e CVC (CVCB3, R$ 14,10, +13,07%)

O avanço do coronavírus no Brasil, que se tornou o novo epicentro da doença, já causa repercussões negativas e pode ter impacto no setor de turismo no curto prazo.

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No domingo, foi anunciada a decisão, pelos Estados Unidos, de vetar a entrada no país de não-residentes que tenham passado pelo Brasil. O objetivo é barrar a disseminação do novo coronavírus.

A decisão pode ter reflexos nas ações da Azul, Gol e CVC, que já sentiram forte redução da demanda e cancelamento de voos devido à pandemia.

CSN (CSNA3, R$ 8,64, +1,65%)

A siderúrgica CSN informou na sexta-feira, após fechamento dos mercados, que negociou com o Banco do Brasil o adiamento do vencimento de uma dívida de R$ 1,4 bilhão.

O montante iria vencer entre maio desse ano e março de 2021.

A companhia informou que o alongamento do prazo busca a “preservação da liquidez necessária para executar sua estratégia de desalavancagem e geração de valor aos seus acionistas”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Ainda de acordo com a CSN, o acordo de prorrogação do prazo conta com mecanismos que possibilitam uma nova extensão por meio de operações de mercado de capitais.

Além disso, os analistas do Itaú BBA revisaram suas projeções operacionais para a siderúrgica, considerando menor volume de embarques de aço. No entanto, também foi feito um ajuste da receita devido à cotação do dólar. Com isso, a estimativa para o Ebitda foi mantida em R$ 7,9 bilhões.

CCR (CCRO3, R$ 14,30, +6,16%)

A NovaDutra, concessão que administra a rodovia Presidente Dutra e é controlada pela CCR , registrou uma queda de tráfego de 24,6% no período de 15 a 21 de maio na comparação com igual período do ano passado. O tombo maior se deu no segmento de veículos de passeios. No acumulado do ano o recuo é de 12,2%.

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Mesmo efeito foi sentido na Rodovia Sul-Matogrossense, em que o tráfego caiu 7,5% entre 15 a 21 de maio, ante igual período do ano passado. O recuo foi maior no segmento de veículos de passeio. Já no acumulado do ano, o recuo é de 6,2%.

Apesar da queda do desempenho, os analistas do Bradesco BBI avaliam que esse resultado mostra um desempenho melhor do que o registrado na semana anterior, considerando a parcial divulgada na sexta-feira pela concessionária, que inclui outras rodovias.

“A RodoNorte continuou apresentando bom desempenho sustentado pela colheita da soja”, explicaram os analistas. O Bradesco BBI mantém a classificação como “outperform” e preço algo de R$ 15 para o papel.

Equatorial (EQTL3, R$ 19,50, +8,15%)

A Equatorial Energia registrou lucro líquido de R$ 1,312 bilhão no quarto trimestre de 2019, um valor que representa mais de três vezes o registrado em igual período de 2018. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu praticamente 100%, para R$ 2,367 bilhões.

Os analistas do Itaú BBA consideraram os números positivos, apesar do atraso na divulgaçaõ dos dados do quarto trimestre. “Os resultados foram distorcidos por vários itens não recorrentes, mas os números recorrentes foram mais fortes do que o previsto, com forte geração de fluxo de caixa”, explicaram.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 31,50, +10,49%)

A necessidade de privatizar o Banco do Brasil foi citada na reunião ministerial de 22 de abril, tornado público pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira.

Em um trecho do vídeo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirma que, diferente da Caixa e BNDES, não é possível “fazer nada” no Banco do Brasil e que por isso a instituição deveria ser privatizada. “O Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender”, disse.

Klabin (KLBN11, R$ 18,87, -1,72%) e Suzano (SUZB3, R$ 37,70, -2,36%)

Após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2020, os analistas da XP Investimentos elevaram o preço-alvo para as ações da Suzano de R$ 43 para R$ 47 e os da Klabin de R$ 18,50 para R$ 22.

A melhora nas projeções leva em conta a normalização dos estoques, a recuperação gradual das margens dos fabricantes de papel e os poucos projetos de celulose para o futuro.

“Os principais riscos estão relacionados à resposta da demanda chinesa ao estímulo do governo e um eventual bloqueio de fábricas de celulose contra a Covid-19”, avaliaram os analistas.

Petrobras (PETR3, R$ 20,34, +4,20%;PETR4, R$ 19,48, +4,34%)

Os analistas do Morgan Stanley consideram que a Petrobras possui uma posição de caixa “robusta” para lidar com o atual cenário de pandemia pelo coronavírus.

Realizamos uma videoconferência com o CEO da Petrobras, Sr. Roberto Castello Branco, para discutir como a empresa está lidando com a atual crise do Covid-19 e um cenário de petróleo deprimido. “A empresa construiu uma posição de caixa robusta, preparando-se para o pior cenário possível, sendo capaz de suportar os preços do petróleo tão baixos quanto US$ $ 15 até o final do ano”

O comentário foi feito após uma live entre o banco de investimento e o presidente da estatal, Roberto Castello Branco.

O Morgan Stanley possui recomendação para os papéis da Petrobras de “overweight”, reforçando que a posição de caixa da estatal hoje é superior ao registrado em 2015, quando o preço do petróleo também sofreu uma forte queda no mercado internacional.

Multiplan (MULT3, R$ 22,64, +6,84%)

A administradora de shoppings Multiplan informou que reabre nesta segunda-feira a operação do Park Shopping Barigui, em Curitiba (PR).

O estabelecimento funcionará em horário de funcionamento reduzido, das 12h às 20h, seguindo as orientações do governo do estado. “A Multiplan destaca ainda que adotou medidas rígidas de proteção e segurança em seus shoppings centers”, segundo comunicado enviado à CVM.

A Multiplan já havia anunciado, na sexta-feira, a retomada das operações do Barra Shopping Sul, em Porto Alegre.

Educação

O Ministério da Educação (MEC) suspendeu nesta segunda o pagamento de parcelas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) por causa da pandemia do coronavírus. A decisão vale para contratos que estavam em dia quando foi declarado estado de calamidade pública em 20 de março. O prazo de adesão vai até 31 de dezembro de 2020.

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