Conteúdo editorial apoiado por

Ações de IA desabam e Wall Street volta a tremer por medo de bolha

Analistas veem fragilidade em valuations e dependência excessiva de apostas em IA, mesmo com fundamentos ainda robustos

Paulo Barros

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Arthur A/Unsplash)
(Foto: Arthur A/Unsplash)

Publicidade

As ações de inteligência artificial voltaram a cair nesta quinta-feira (25), elevando os temores de que o setor esteja entrando em território de bolha e puxando os principais índices de Wall Street para baixo. O Nasdaq Composite recuou 1,12% na abertura, às 10h38, puxada por fortes quedas em papéis como Nvidia (BDR: NVDC34), que cede 1,83%, e Oracle (ORCL), que recua 5,82%.

A maioria das empresas do grupo conhecido como Sete Magníficas ficaram no vermelho, com destaque para Tesla (BDR: TSLA34), Alphabet (BDR: GOGL34) e Meta (BDR: M1TA34), que perdem 3,80%, 2,42 e 1,80%, respectivamente, nos primeiros negócios do dia. A exceção é a Apple (BDR: AAPL34), que avança 0,27%.

Demais índices também operam em baixa, com o S&P 500 caindo 0,83% e o Dow Jones, 0,41%.

A pressão vem de realização de lucros e da cautela diante do plano de expansão da OpenAI, avaliado em US$ 850 bilhões, com investidores potencialmente enxergando o movimento como excessivamente ambicioso.

A incerteza em relação à política monetária também pesa sobre os mercados. Após o Federal Reserve sinalizar cortes de juros mais rápidos, a alta recente do petróleo e declarações de dirigentes reduziram as apostas. Hoje, os swaps indicam cerca de 60% de chance de dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, ante 70% logo após a reunião do Fed.

Novos dados divulgados nesta quinta contribuem para o mal humor. Os EUA revisaram para cima o PIB do segundo trimestre para 3,8%, ante 3,3% da estimativa anterior, pegando analistas de surpresa. Já a inflação medida pelo PCE, o indicador favorito do Federal Reserve para conduzir sua política monetária, também foi ligeiramente revisada para cima.

Continua depois da publicidade

Florian Ielpo, chefe de pesquisa macro da Lombard Odier Investment Managers, avalia que o corte recente de juros nos EUA “não significa que o banco central está cego para a inflação”. Ele alertou que “os mercados, viciados em cortes do Fed, podem passar por uma ressaca temporária”.

A temporada de balanços é apontada como o próximo catalisador. Para o Barclays, “o tema de IA está em terreno sólido, com a demanda superando a oferta, mesmo com grandes compromissos de investimento”.

Em relatório recente, o JPMorgan também chamou atenção para a concentração das apostas em tecnologia. O banco observou que “as cerca de 30 ações de IA do S&P 500 representam 43% do valor de mercado” do índice e foram responsáveis “por quase todo o crescimento de lucros e retornos desde 2022”.

Continua depois da publicidade

Apesar da volatilidade, a instituição ressaltou que o consumo segue resiliente, com gastos em alta de 4,1% em relação ao ano anterior até agosto. Mas alertou que “posicionamento elevado, valuations altos e tomada extrema de risco em ativos de alta volatilidade justificam cautela, mesmo que isso já seja uma visão de consenso”.

(com Bloomberg)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)