Ações de energia oferecem segurança em ano volátil com eleição – Safra prefere Alupar

Receitas ajustadas pela inflação e upside no horizonte, tornam setor alvo dos investidores

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

(Reprodução: Freepik)
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As eleições que ocorrem no final deste ano devem trazer uma onda forte de volatilidade para o mercado. Em meio às incertezas e preocupações com o período, investidores têm buscado proteção e segurança. Para o Banco Safra, o setor de energia será o grande alvo nos próximos meses, graças à sua estrutura sólida de valorização.

As receitas do setor de energia, ajustadas pela inflação em vez de atreladas ao PIB, devem trazer a previsibilidade esperada, contando ainda com um fluxo de dividendos razoável. Além da estrutura sólida, o banco vê uma oportunidade clara de crescimento no horizonte. Ainda em 2026, estão programados dois leilões de transmissão, com capex total de R$ 25 bilhões no setor.

A agenda também inclui o leilão de capacidade de reserva (LRCAP – Leilão de Reserva de Capacidade), focado em baterias e soluções de armazenamento de energia. De acordo com os analistas, esse leilão pode acabar atraindo mais empresas do segmento de transmissão.

Viva do lucro de grandes empresas

Com base nesse cenário, o Safra reforçou a recomendação para Alupar (ALUP11) como sua top pick. Na mesma atualização, o banco elevou a recomendação da Taesa (TAEE11) para Neutra e mantiveram a ISA Energia (ISAE4) como o nome menos preferido.

Principais nomes

A Alupar segue como a principal escolha dos analistas do Safra para o setor. De acordo com o banco, a Taxa Interna de Retorno (IRR, em inglês, ou TIR) da companhia está acima da média do setor (de 10,6%, contra a média de 9,4%) e é a mais alta dentre as empresas de transmissão de energia. Além da taxa alta, o potencial de valorização chega a quase 20%.

A empresa também é a única do segmento com receitas indexadas ao dólar americano, resultado do processo de expansão na América Latina no último ano. Ainda que a Alupar precise desembolar R$ 5,2 bilhões em capex na América Latina para executar o projeto e R$ 3,9 bilhões no Brasil, o Safra segue confiando na solidez dos fundamentos da empresa.

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“Acreditamos que a empresa continuará buscando oportunidades na região, o que pode gerar upside (valorização) adicional no futuro”, afirmam os analistas. Para 2026, a recomendação da Alupar é de Compra, com preço-alvo R$ 41,60.

O banco elevou a recomendação da Taesa de Underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para neutra, tendo esse cenário macro à vista, mas também incorporando alguns resultados e previsões para a companhia. Em 2026, a empresa de transmissão tem três grandes projetos em processo de conclusão (e um em 2027).

De acordo com os analistas, o processo de desalavancagem deve ser rápido, abrindo espaço para maiores distribuições de dividendos no futuro. Após a conclusão dos projetos, o banco espera que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITIDA) da empresa cresça cerca de 24%.

Para a ISA Energia, o banco manteve a recomendação Underperform, com uma IRR de 8,2%, abaixo da média do setor. Conforme o banco, a alavancagem da empresa está pressionada por causa do estágio inicial do seu ciclo de investimentos. O preço-alvo para final de 2026 é de R$ 25,40.

Ainda assim, com a resolução do caso com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz), a companhia poderá destravar cerca de R$ 3,5 bilhões. A disputa judicial que se estende por décadas, envolve o reembolso de gastos previdenciários com os aposentados da CESP.