Ano recorde

Ações de empresas que fizeram IPO sobem até 185%; veja as maiores altas (e a única baixa)

Sete companhias brasileiras abriram capital no Brasil e no exterior em 2019, e outras quatro estão em processo

IPO da Centauro em abril de 2019 (Divulgação)
IPO da Centauro em abril de 2019 (Divulgação)

SÃO PAULO – Com recorde atrás de recorde, o Ibovespa superou os 117 mil pontos nesta semana, acumulando um retorno de mais de 33% no ano. Mas quem investiu nas empresas que estrearam na Bolsa em 2019 teve, na maioria dos casos, um retorno acima do principal índice acionário.

Das sete companhias brasileiras que abriram seu capital no Brasil e no exterior, apenas o banco BMG teve queda nos seus papéis no período. Todas as demais ações acumulam valorizações acima de seus principais índices de referência: o Ibovespa, no caso do Brasil, e o S&P 500, no caso dos Estados Unidos.

A comparação com os índices é importante porque as companhias fizeram suas ofertas de ações em datas diferentes.

A novata que mais valorizou neste ano foi a varejista de artigos esportivos Centauro (CNTO3), que teve alta de 185% desde que abriu seu capital em abril. No mesmo período, o Ibovespa subiu 24%. Desde o seu IPO, a varejista apresentou um crescimento acelerado de vendas nas lojas físicas e no e-commerce, o que animou investidores.

“Continuamos a enxergar um crescimento forte de lucro para a Centauro nos próximos trimestres e anos, caso se confirme a ótima execução do plano de expansão. Os níveis de valuation do setor de consumo no Brasil estão esticados e a Centauro aparece como um papel “menos esticado” em P/E [preço/lucro, na sigla em inglês]”, afirmaram analistas do banco Credit Suisse em relatório divulgado no último mês.

Depois da Centauro, a segunda maior valorização desde o IPO é a da Neoenergia (NEOE3). Suas ações subiram 57,5% desde a abertura, em junho, ante os 16% acumulados pelo Ibovespa no mesmo período.

A lista das maiores altas é seguida pela fabricante de joias Vivara (21,8% desde 10 outubro, ante os 15,11% do Ibovespa) e pela varejista C&A (10,8% desde 28 de outubro, ante os 9,2% do Ibovespa).

Do lado negativo, o banco BMG — que fez seu IPO no fim de outubro — decepcionou investidores em sua primeira divulgação de resultados após a abertura de capital. As ações do banco (BMGB4) caíram 17,4%, enquanto o Ibovespa acumula valorização de 8,3% no intervalo.

Com a baixa, o BMG anunciou, em 11 de dezembro, a recompra de cerca de 10% do total de papéis em circulação até dezembro de 2020. Segundo o banco, a recompra tem como objetivo melhorar a geração de calor para os acionistas.

As brasileiras na Nasdaq

Das sete aberturas de capital de empresas brasileiras neste ano, duas ocorreram no Estados Unidos e tiveram forte valorização desde então. A empresa de educação Afya estreou na Nasdaq e suas ações subiram 46,8% desde então. O índice S&P 500 teve alta de 8,9% no mesmo período, enquanto o principal índice da Nasdaq, o Nasdaq Composite, valorizou 10,7%.

A XP Inc, que fez sua estreia no dia 11 de dezembro, acumula uma valorização de 43,20% em seus papéis, ante a alta de 4,2% do Nasdaq Composite e de 3,1% do S&P 500.

Ano recorde para oferta de ações

Somando IPOs e follow-ons (ofertas de ações de companhias que já têm capital aberto), o ano de 2019 foi o melhor para operações do tipo na história da Bolsa brasileira. Já contabilizando os follow-ons de Marfrig, Unidas e Le Lis Blanc – as últimas ofertas de dezembro –, o volume das emissões ma B3 totalizou R$ 89,6 bilhões.

O maior volume até então havia sido registrado em 2007, de R$ 70 bilhões. As comparações desconsideram a megacapitalização feita pela Petrobras em 2010, no valor de R$ 120 bilhões, que distorce a série histórica.

Em número de transações, no entanto, 2007 continua com o recorde. Naquele ano, 76 empresas ofertaram seus papéis, enquanto em 2019 foram 42 empresas.

Novo recorde em 2020?

Com o mercado acionário aquecido, Gilson Finkelsztain, presidente da B3, afirmou em entrevistas que a Bolsa espera um novo recorde em termos de volume de oferta de ações em 2020.

Quatro companhias já protocolaram seus pedidos para a abertura de capital junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM): a empresa de tecnologia Locaweb, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará e as construtoras Mitre e a Moura Dubeux.

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