Não é o que parece

Ações de empresas de tecnologia não estão guiando os preços das criptomoedas

Existe uma relação entre o Bitcoin e a Nasdaq, mas não é tão forte quanto dizem

Por  CoinDesk

*Por Lawrence Lewitinn

Os preços das criptomoedas levaram um tombo nessa última semana e, quando isso acontece, muitos procuram por um culpado.

Nós temos observado que a demanda por Bitcoin (BTC) e Ether (ETH) está encolhendo. Na coluna da semana passada, eu avisei: “Isso não significa que mercados silenciados vão durar para sempre, mas, nos próximos dias ou semanas, não se surpreendam se os preços caírem”. Isso respondeu a pergunta do “quê”, mas não do “por quê”.

Um mito comum e persistente do mercado cripto é que ele pode parecer perfeitamente razoável, mas, quando se analisam seus dados, ele não se sustenta. De acordo com esse mito, as criptomoedas são negociadas com um olho nas ações de empresas de tecnologia, ainda mais do que no mercado em geral.

Na última semana, após liquidação em gigantes da tecnologia coincidir com declínio do Bitcoin, essa teoria ganhou força.

À primeira vista, isso faz sentido por vários motivos. Comprar criptomoedas — não só Bitcoin, mas qualquer uma — é uma aposta de que a tecnologia vai ser adotada por mais usuários. A lógica é que o futuro do dinheiro (e da arte, do gerenciamento de dados, etc…) que tem menos de 40 milhões de saldos diferentes de zero, tal qual o Bitcoin, só tem a crescer, já que a população mundial é 198 vezes maior que isso.

Então, espera-se que a narrativa da nova tecnologia supere, e muito, a narrativa do hedge de inflação, uma parte importante da história de origem do Bitcoin. Mas é assim que funciona?

Os dados sugerem que… não exatamente.

A Nasdaq 100, proxy favorita do setor de tecnologia, está cheia de gigantes: Apple, Microsoft, Amazon, Meta (antigo Facebook), Tesla e Alphabet (também conhecida como Google), que, no dia 31 de dezembro de 2021, eram responsáveis por 43% do valor do índice. Embora existam outros setores, como serviço ao consumidor e de planos de saúde, eles também estão muito ligados à tecnologia. A Activision Blizzard, a Electronic Arts e a Netflix são classificadas como “serviços de comunicação”, por exemplo.

Ao usar o Bitcoin como um representante da criptomoeda no geral — não é perfeito, mas calma —, podemos ver que o coeficiente de correlação entre a criptomoeda de maior valor de mercado e o Nasdaq Composite, num período de 90 dias, é 0,22. Positivo, mas fraco.

Ainda assim, a narrativa do Bitcoin compensando a desvalorização do dólar é ainda mais fraca do que a que afirma que é um investimento relacionado à área de tecnologia. O coeficiente de correlação entre o Bitcoin e o índice do dólar americano é de apenas -0,13. Quando comparado com títulos americanos, representados pelo ETF iShares 20+ Year Treasury Bond (TLT), é de somente -0,02. Em outras palavras, não há relação entre eles.

Tudo isso para dizer que outros fatores, provavelmente, explicam a situação atual do mercado de cripto. Dado que, por exemplo, as grandes movimentações no último ano estiveram ligadas à regulamentação na China, é fácil ver a conexão entre esses eventos e a trajetória do preço do Bitcoin.

Pelo menos por enquanto, podemos dizer que o preço do Bitcoin é uma combinação entre o apetite por risco global e muito da dinâmica do mercado na China (e as consequências das restrições no país). A influência desses fatores não é estacionária, mas é uma explicação melhor do que cada ação do Federal Reserve (Fed).

*Lawrence Lewitinn é editor-chefe de mercados de capitais globais do CoinDesk.

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