Destaques da bolsa

Ação da Usiminas salta 14% com recomendação e reajuste; Klabin, Suzano e Eletrobras saltam 5%, enquanto frigoríficos caem

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (22)

SÃO PAULO – Em uma sessão de forte recuperação para o Ibovespa com as medidas tomadas pela China para conter o coronavírus, quem ganhou destaque entre as maiores altas são mais uma vez ações alvo de recomendação. A Usiminas (USIM5) vê seus papéis subirem 14% após ser eleita como a nova top pick do Bradesco BBI para o setor, mas também em meio ao noticiário de reajuste de preços de aço, que também impulsionou fortemente a CSN (CSNA3).

A Eletrobras (ELET3;ELET6) avançou após ter a cobertura iniciada com recomendação outperform (desempenho acima da média) pelo Itaú BBA.

A maior queda, por sua vez, fica com as ações de frigoríficos, após as fortes altas recentes e repercutindo a notícia de que China estaria buscando descontos sobre carne importada do Brasil. Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3) chegaram a cair até 5%, mas amenizaram as baixas no final do pregão. Por outro lado, a Minerva (BEEF3) acelerou as perdas e fechou em baixa de 7,69%: os ativos BEEF3 também tiveram a recomendação reduzida pelo Goldman Sachs.

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Já a BRF (BRFS3), que também era uma das maiores quedas do Ibovespa, virou para leves ganhos.  Em comunicado, a companhia afirmou que a informação não procede no que diz respeito aos seus contratos com os importadores do país asiático.

A Klabin (KLBN11) e a Suzano (SUZB3) também registraram ganhos, em uma semana em que o preço da celulose apontou recuperação.

Confira os destaques:

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
USIM513.926710.88
CSNA36.9577115.68
B3SA35.8165547.3
ELET35.5092241.75
KLBN115.2886921.7

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
HYPE3-2.4650835.61
MRFG3-2.0242912.1
LAME4-1.9303728.45
CMIG4-1.1169515.05
PETR4-1.1141129.29

Klabin (KLBN11)

A Klabin fechou acordo com uma Timber Investment Management Organization (TIMO) para constituir uma empresa que vai explorar atividade florestal na região centro-sul do Paraná. Em comunicado, a companhia afirma que vai contribuir com o aporte de 9 mil hectares de florestas plantadas, enquanto a TIMO vai entrar com 11 mil hectares de árvores e mais 7 mil hectares de área útil.

Segundo o acordo, a Klabin terá direito de preferência na compra da madeira da área, além de outros direitos por ser acionista no empreendimento. A empresa explica que a associação vai permitir o abastecimento de suas fábricas de papel e celulose na região, sem que seja necessária alocação de recursos para efetivamente adquirir esse ativos, além de viabilizar uma futura expansão.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras anunciou a oferta pública de 611,8 milhões de ações ordinárias que o banco estatal BNDES possui na petrolífera, que serão vendidas na B3 e também na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). O valor da venda é estimado em pelo menos R$ 19 bilhões, tomando apenas como referência o valor da ação ON da empresa na B3 no dia 20.  A operação prevê um lote adicional de 20% em relação ao montante inicial — mais 122 milhões de ações. O BNDES tem, hoje, 734,2 milhões de ações da petroleira e, se vendida toda a posição detida, pode levantar cerca de R$ 22,7 bilhões.

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O pedido foi protocolado hoje na CVM e o bookbuilding começa nesta quarta-feira. O início do pedido de reserva dos papéis começa dia 29 deste mês, indo até 4 de fevereiro. As negociações das ações brasileiras começarão na B3 em 7 de fevereiro, com data de liquidação no próximo dia 10. “As ações serão ofertadas simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos”, informou a empresa, o que inclui também os ADS que serão negociados na NYSE. No Brasil, os coordenadores da oferta serão o Credit Suisse Brasil, Bank of America Merrill Lynch, Banco Bradesco BBI, BB-Banco de Investimentos, Citigroup, Goldman Sachs do Brasil, Banco Morgan Stanley S.A. e XP Investimentos Corretora de Câmbio S.A.

Nos Estados Unidos, as matrizes e filiais das mesmas empresas ofertarão as ações em Wall Street. O preço das ações será formado sobre a cotação das ações ordinárias (PETR4) na B3 e dos ADSs na NYSE. Na B3, pode levar como base o preço do dia 20 de janeiro do papel ON (R$ 31,98) e na NYSE o preço do ADS no dia 17 (US$ 15,16).

Em outro comunicado, emitido na noite de ontem, a Petrobras confirmou que a Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tomou uma decisão desfavorável à petrolífera brasileira, que pedia a restituição de R$ 9 bilhões no imposto PIS e na contribuição Cofins relativos à importação nos anos de 2011 e 2012. As taxas foram cobradas sobre contratos de fretes. A Petrobras informou ao mercado que “adotará as medidas judiciais cabíveis à sua defesa”.

Ainda em destaque, o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) pela Petrobras continua mobilizando os sindicatos. Na terça, um grupo permaneceu na entrada da unidade para impedir a passagem de funcionários que trabalhariam no processo de drenagem dos produtos da fábrica, etapa necessária para garantir o desmonte definitivo da unidade.

De acordo com Gerson Castellano, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a ocupação não tem dia nem hora para acabar. O objetivo é pressionar a diretoria da Petrobras a negociar com os sindicatos o fechamento da unidade. Cerca de 1 mil trabalhadores vão ficar sem emprego por conta dessa decisão da estatal.

“Estamos recomendando a todos os trabalhadores da unidade que voltem para casa e não entrem, já que suas atividades vão colaborar para o fechamento da Fafen-PR”, disse Castellano. A Petrobras anunciou o fechamento da Fafen-PR na semana passada, após aprovação pelo conselho de administração.

Em comunicado ao mercado, a direção da companhia afirma que desde que a fábrica foi adquirida, em 2013, vem dando prejuízos recorrentes, e que, de janeiro a setembro de 2019, a perda chega a R$ 250 milhões. A FUP alega, porém, que o prejuízo decorre da política de preços adotada pela estatal, de equiparação à cotação internacional.

Segundo a FUP, o Ministério Público do Trabalho (MPT) do Paraná recebeu funcionários da Fafen-PR na última segunda-feira. Mas, sem a presença de representante da estatal, o encontro não gerou resultados.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

O Itaú BBA iniciou a cobertura dos ativos da Eletrobras, com uma recomendação “outperform” (desempenho acima da média), com um preço-alvo de R$ 56,00 a ação ordinária da estatal elétrica brasileira.

Segundo o BBA, o papel da ELET3 tem “um enorme potencial de alta” se a empresa for mesmo privatizada; se não for, existe um risco “relativamente limitado” de baixa. No caso do potencial de alta se concretizar, o BBA projeta que o papel pode chegar a um pico de R$ 68,00. Se não for, a baixa prevê um preço de R$ 32,00 para a ação.

O Itaú BBA comenta que a Eletrobras contratou uma consultoria privada para identificar medidas adicionais de eficiência, por isto, mesmo que a privatização não ocorra, pode haver uma redução de custos de até R$ 500 milhões na empresa em 2021.

“Na nossa análise, projetamos uma redução de custos de R$ 300 milhões”, prevê o BBA. O banco também destaca o plano de demissão voluntária implantado pela estatal, que deve desligar 1.300 funcionários e representar outra economia de R$ 490 milhões por ano. O BBA também avalia que, com a redução das dívidas, aumenta o potencial de entrega dos dividendos aos acionistas no médio prazo.

Usiminas (USIM5)

O Bradesco BBI colocou a ação da Usiminas como sua nova “top pick” no setor de siderurgia, à medida que espera que o papel se valorize por causa da recuperação da siderurgia brasileira, principalmente do segmento de aços planos. “Nossas fontes informam que os produtores de aços planos anunciam um novo aumento de preços de 10% para março. Embora o aumento de preços de janeiro não tenha tido sucesso total, ficando em 5% (abaixo dos 10% pretendidos), acreditamos que os 5% que sobraram serão repassados em fevereiro. Recentemente, fizemos um upgrade na ação da Usiminas para um preço-alvo de R$ 13,00, com perspectiva acima da média”, comenta a BBI. “Esperamos uma recuperação dos preços e do volume da produção durante 2020. Estamos otimistas com a siderurgia brasileira, com notas acima da média para Usiminas e Gerdau e nota neutra para a CSN”, avalia o BBI.

Ainda em destaque, um novo reajuste no preço dos aços planos está se desenhando no mercado. A Usiminas informou aos distribuidores do produto no país, na última segunda que irá aumentar em 10% os preços em março. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) também deve seguir a concorrente caso a cotação do dólar permaneça no patamar atual, segundo informa o Valor Econômico. Se for aplicado o reajuste em março, esse será o segundo neste ano. As siderúrgicas anunciaram aumentos de até 10% que foram aplicados no início deste mês.

Mais recomendações

O Goldman Sachs rebaixou a recomendação de três companhias brasileiras. M. Dias Branco (MDIA3) foi rebaixada de compra a neutra. Minerva (BEEF3) foi rebaixada de neutra a venda, enquanto Burger King (BKBR3) teve recomendação cortada de compra para neutra. Além do Goldman
Sachs, rede de fast-food foi, em menos de uma semana rebaixada por Bradesco BBI e JP Morgan, e iniciada como underweight pelo
Morgan Stanley.

Frigoríficos

O movimento de renegociação dos contratos chineses de carne bovina importada do Brasil levou alguns frigoríficos a trabalhar com margens negativas nas exportações.

Na indústria frigorífica brasileira – em especial as de pequeno e médio porte -, o humor não lembra o clima de euforia vivido poucos meses atrás, destaca o Valor Econômico. No auge, a margem de contribuição chegou a 20%, mas os novos contratos e os renegociados embutem uma margem de 8% a 9%.

Frigoríficos brasileiros estão pagando, em média, R$ 190,60 por arroba do boi gordo, segundo o Cepea, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ligado à Universidade de São Paulo. Embora seja 17% inferior em relação ao pico de 29 de novembro, o preço teria que cair para cerca de R$ 170 para tornar os embarques de carne bovina para a China rentáveis sob os novos termos.

O mercado doméstico também enfraqueceu. Os preços no atacado da carne bovina em São Paulo caíram cerca de 20% em relação ao pico de novembro.

Por outro lado, a avaliação dos exportadores brasileiros é de que a demanda será retomada, já que a oferta na China continua apertada, e a esperança é que, após as festividades do Ano Novo Lunar, o mercado chinês comece a se equilibrar.

Em comunicado ao mercado divulgado nesta quarta-feira, 22, a BRF se manifestou sobre as informações trazidas por reportagem do Valor Econômico sobre as renegociações de contratos com frigoríficos brasileiros impostas por compradores chineses. No documento, a companhia afirma que a informação não procede no que diz respeito aos seus contratos com os importadores do país asiático.

“A companhia desenvolveu e mantém sólido relacionamento comercial com os principais clientes no mercado chinês ao longo dos últimos 10 anos, envidando todos os esforços para atendimento da demanda chinesa por proteínas, bem como sustentando um relacionamento equilibrado e de longo prazo”, diz a BRF no comunicado.

Em outra notícia do setor, a Alemanha confirmou nesta semana o primeiro caso de grive aviária (do tipo H5N8), verificada em um pássaro selvagem no estado de Brandenburg, próximo à fronteira com a Polônia. Segundo fala do Ministério da Agricultura, trata-se de um caso individual que não envolve frangos de fazendas. As autoridades seguem monitorando evoluções do caso já que surtos já foram verificados em países vizinhos como Eslováquia, Hungria e República Tcheca, além da própria Polônia, desde o final do ano passado.

 

IPOs

A Moura Dubeux vai oferecer até 51,2 milhões de ações ordinárias, entre R$ 17 e R$ 19 cada, em seu IPO, segundo prospecto. Itaú BBA (líder), Credit Suisse, Bradesco BBI, Caixa Econômica Federal coordenam. A precificação será em 10 de fevereiro.

Graziottin (CGRA4)

A varejista gaúcha Grazziotin comunicou ontem ao mercado que foi deferido um pedido de crédito tributário, no valor de R$ 23,5 milhões, junto à Secretaria da Receita Federal. Segundo a empresa informou, o crédito é decorrente de uma sentença judicial transitada em julgado.

EzTec (EZTC3)

A construtora paulista Eztec publicou a prévia operacional do quarto trimestre de 2019. Segundo a Eztec, suas vendas líquidas cresceram 158% em 2019 sobre 2018, para R$ 1,56 bilhão. A empresa afirma que houve uma “escalada” de lançamentos no ano passado, com expansão de 152% sobre o ano de 2018, para R$ 1,89 bilhão. Desse total de lançamentos, R$ 934 milhões foram no quarto trimestre. A empresa fixou mais uma meta ambiciosa e afirmou que pretende lançar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões em imóveis em 2020. A Eztec atua na Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo o Bradesco BBI, os resultados operacionais são “fortes”, com destaque para os lançamentos no trimestre e a receita líquida de R$ 534 milhões no período. Mesmo assim, a BBI avaliou que o preço atual das ações da construtora já refletem a melhoria operacional obtida em 2019 e o ímpeto em curso no mercado imobiliário de renda média e alta. O BBI manteve o papel da EzTec com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 33,00. O BBI destaca que neste segmento da construção e incorporação imobiliária, suas apostas mais fortes são a Helbor e a Trisul.

Tenda (TEND3)

A construtora Tenda publicou prévia operacional do quarto trimestre do ano passado e de 2019. Segundo a empresa, as vendas líquidas somaram R$ 615,9 milhões no quarto trimestre, uma expansão de 34% sobre igual período de 2018. Outro dado mostrado pela empresa foi uma expansão de 34,6% nos lançamentos no ano passado sobre 2018, o que representou um valor de R$ 2,58 bilhões.

A Tenda tem seu foco nos segmentos habitacionais populares, como no programa Minha Casa, Minha Vida – do governo federal. A construtora informou que a aquisição de terrenos somou R$ 1,59 bilhão no quarto trimestre de 2019, o que garante espaço para novas obras pelos próximos três anos.

O Bradesco BBI reafirmou o papel da construtora e incorporadora paulista Tenda como sua “top pick” após a empresa divulgar a prévia. Segundo o BBI, os resultados vieram muito fortes, com a Tenda superando as próprias metas e crescendo dois dígitos no ano passado. “A Tenda foi capaz de entregar volumes fortes de lançamentos e vendas, superiores em 35% e 10%, respectivamente, sobre 2018. Reafirmamos a Tenda como nossa “top pick”, comenta o BBI, que possui preço-alvo de R$ 40,00 para a ação, 5% acima da projeção anterior, de R$ 38,00, com recomendação outperform.

IRB (IRBR3) e Iguatemi (IGTA3)

A Iguatemi assumiu a participação que o IRB Brasil tinha no Praia de Belas Shopping Centers, de Porto Alegre (RS), e Shopping Center Esplanada, de Sorocaba (SP).

Taurus (TASA3; TASA4)

A Taurus Armas, fabricante brasileira, anunciou ontem que aumentará seu capital social para R$ 520,2 milhões, com a emissão de 3,6 mil novas ações preferenciais, no valor de R$ 18,4 mil. Segundo a empresa, o objetivo do aumento de capital é abater o endividamento da empresa, meta que é perseguida desde 2018.

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