Ações de bancos lideram perdas do Ibovespa, com BB chegando a cair 6,9%

Após Bradesco cortar juros do cartão na terça-feira, mercado espera que Banco do Brasil anuncie uma redução nas tarifas de alguns serviços nesta sexta
(Divulgação)
(Divulgação)

Publicidade

SÃO PAULO – As ações do setor financeiro aparecem entre os principais destaques negativos do Ibovespa nesta sexta-feira (28). Mais uma vez nesta semana, os temores sobre corte nas tarifas de cartões e outros serviços estão pressionando o valor de mercado dos bancos e também das prestadoras de serviços financeiros, como a Cielo (CIEL3). Após Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco terem anunciado corte no juro dos cartões, o mercado espera que o Banco do Brasil anuncie uma redução de tarifas de alguns serviços nesta sexta.

A notícia acaba afetando não só as ações desssas duas instituições como também do restante do setor – que deve seguir o mesmo movimento de corte de tarifas para manter-se competitivos no mercado. Às 11h09 (horário de Brasília), os papéis do BB lideravam as perdas do Ibovespa, com queda de 6,05%, cotados a R$ 24,42 – mais cedo, eles chegaram a cair 6,90%. Logo atrás, aparece a Cielo (CIEL3, R$ 50,55, -7,42%), enquanto na frente do BB estão Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,63, -2,76%), Bradesco (BBDC4, R$ 32,21, -2,84%) e Santander Brasil (SANB11, R$ 14,97, -1,96%). Diante disso, o Ibovespa recuava 1,84%, indo para os 59.100 pontos.

Os rumores de que o Banco do Brasil seguirá a mesma tendência do Bradesco começaram a aparecer na última quinta-feira e ganharam força nesta sessão. Segundo matéria do Valor Econômico, a redução será feita de um grupo de sete tarifas cujos valores foram reajustados no início do ano, atendendo a uma decisão do Ministério da Fazenda, que pretende forçar os bancos privados a diminuir suas tarifas. Já a Reuters noticiou que uma fonte com conhecimento no assunto disse que o BB pretende reduzir algumas tarifas de serviços, mas que o impacto dos cortes no resultado do banco será “simbólico”.

Na segunda-feira, o Bradesco reduziu em mais de 50% juros máximo do crédito rotativo. Já na terça-feira, o Itaú Unibanco informou que todas as taxas de cartões do banco terão o crédito rotativo abaixo de um dígito, informou Márcio Schettini, vice-presidente da área de crédito e consumo de cartões, durante encontro com jornalistas. Desde então, os analistas já trabalham com o cenário de que o restante do setor financeiro seguirá a mesma tendência, o que impacta diretamente a rentabilidade dos bancos com a cobrança de juros.

Impacto na Cielo
Já no caso da Cielo, o receio dos investidores com as ações da empresa deve-se ao fato de que os bancos, para compensar a queda nos juros de cartões de crédito, poderia passar a cobrar encargos dos clientes que queiram dividir a dívida da venda nos plásticos, sendo que atualmente não é cobrado juro.

Além disso, vale mencionar que o ministro do Turismo, Gastão Vieira, e o presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, entregaram à ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, documento pedindo a redução das taxas de administração cobradas pelos cartões de crédito aos estabelecimentos, segundo notícia publicada nesta sexta-feira no jornal O Estado de S. Paulo.

Continua depois da publicidade

Governo volta a intervir
Não é a primeira vez que o governo utiliza os bancos públicos como ferramenta para intervir no setor financeiro privado. Em meados de abril, o BB anunciou redução nos juros de diversas linhas de financiamento, fazendo com que as instituições privadas também reduzissem as taxas de juros cobradas para diferentes modalidades para pessoas físicas e jurídicas como forma de manter a competitividade no mercado.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers