Destaques da bolsa

Ações de Smiles, CVC, Azul e Via Varejo desabam mais de 30%; Petrobras cai 15% e só duas ações sobem no Ibovespa

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (18)

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Já virou rotina. Por mais uma vez, o Ibovespa acionou o mecanismo do circuit breaker (veja mais clicando aqui), uma vez que a queda excedeu os 10%. Dessa forma, os papéis tiveram a negociação interrompida por meia hora.

Na volta, o Ibovespa intensificou a queda, chegou a estar prestes de acionar o segundo circuit breaker da sessão, com baixa do índice de quase 15%, mas diminuiu as fortes perdas e fechou em queda de 10,35%. As ações de quatro empresas fecharam em forte queda: Smiles, CVC, Azul e Via Varejo, bastante impactadas pelo coronavírus, enquanto a Gol teve baixa de cerca de 28%. Só o Carrefour Brasil (CRFB3) e o BB Seguridade (BBSE3) conseguiram registrar ganhos, de 1,97% e 0,67%, respectivamente.

As aéreas seguiram em forte baixa, com Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), com quedas respectivas de 32,04% e 28,02% com os impactos prolongados de coronavírus sobre o turismo. A CVC Brasil (CVCB3), também bastante impactada com o menor turismo e fechamento das fronteiras e diversos países por conta da doença, viu seus papéis caírem 34,77%. A Smiles (SMLS3), que teve recentemente seu plano de reestruturação societária cancelado pela Gol, teve queda de 37,80% das ações.

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Vale ressaltar que a Moody’s rebaixou o rating da Azul e da Latam de B1 para Ba3 em razão da “rápida e crescente disseminação do surto de coronavírus”. Já o rating da Gol entrou em revisão para um possível rebaixamento.

“O setor de transporte aéreo de passageiros tem sido um dos setores mais afetados, dada a sua exposição a restrições de viagens e sensibilidade à demanda e sentimento do consumidor”, afirma. A nível macro, a Moody’s destaca a queda do preço do petróleo e dos preços dos ativos, que criam um choque de crédito. De acordo com a agência, as três companhias aéreas devem ter redução de tráfego de 70% em seus voos no segundo trimestre, enquanto o recuo anual deve ser de 30%, “com cancelamentos de voo parciais ou completos e aeronaves com todas as regiões afetadas globalmente”.

Via Varejo (VVAR3) também teve baixa de mais de 30%, mais precisamente 31,53%. O ativo VVAR3 foi um dos mais impactados entre as varejistas listadas na B3 desde o aumento das preocupações com relação à propagação e o impacto da Covid-19 na economia brasileira, destaca a Eleven Financial em relatório.

Contudo, os analistas destacam: “Mesmo reconhecendo que o COVID-19 terá impacto significativo nas vendas do varejo em geral ao longo de 2020 e no desempenho da Via Varejo especificamente, entendemos que o patamar de preço atual representa um atraente ponto de entrada para esta ação pois não enxergamos risco de insolvência para companhia”, seguindo recomendação de compra para os ativos.

Os contratos futuros do petróleo também tiveram forte queda nesta quarta-feira, em meio a temores sobre o impacto que a pandemia de coronavírus terá na demanda pela commodity e na economia global. O petróleo WTI, dos EUA, fechou o dia em queda de 6,58 dólares, ou 24,4%, a 20,37 dólares por barril. O “benchmark” norte-americano cedeu 56% nos últimos 10 dias, o que representa a pior sequência de 10 dias desde o início das negociações do contrato, em 1983. Já o petróleo Brent recuou 3,85 dólares, ou 13,4%, e terminou a sessão cotado a 24,88 dólares o barril, depois de ter atingido uma mínima de 24,52 dólares –o mais baixo nível desde 2003.

Assim, após a recuperação da véspera, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) voltavam a cair forte, com baixa de 15,52% para os ativos ON e de 13,15% para os preferenciais.

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No radar corporativo, várias empresas da indústria e do comércio comunicaram ontem que reduzirão o horário de atendimento ao público ou que determinaram aos funcionários que trabalhem em home office por causa da pandemia do coronavírus. Entre elas, estão Minerva (BEEF3), Suzano (SUZB3) e Multiplan (MULT3). Confira mais destaques:

Minerva (BEEF3

O frigorífico Minerva comunicou na noite de ontem que liberou o home office para a maioria dos seus funcionários administrativos na sede em Barretos (SP) e no escritório da capital paulista, devido à pandemia do coronavírus. O Minerva também anunciou que a partir de 23 de março dará férias coletivas para funcionários de quatro plantas frigoríficas, uma em José Bonifácio (SP), outra em Janaúba (MG) e duas em Mirassol d’Oeste e Paratininga, no Mato Grosso. “A decisão também está alinhada à piora dos cenários doméstico e global, que inclui queda na demanda do segmento de food service e limitações logísticas em diversas partes do mundo”, comunicou  a empresa.

Suzano (SUZB3)

A Suzano Papel e Celulose fechou totalmente os escritórios centrais na capital paulista e determinou o home office para todos, para protegê-los do Covid-19. A Suzano, maior produtora brasileira de papel e celulose, informou que também liberou o home office para parte dos funcionários administrativos em outras cidades brasileiras e no exterior. A capital paulista entrou em estado de emergência no último dia 16.

Multiplan (MULT3

A Multiplan comunicou na noite de ontem que a partir de hoje todos os seus 19 shopping centers no Brasil funcionarão das 12h às 20h. O objetivo da restrição de horário é evitar uma possível contaminação dos funcionários e consumidores pelo coronavírus. A medida abrange shoppings importantes, como o Morumbi em São Paulo, o Barra no Rio, o Minas em Belo Horizonte e o Barigui em Curitiba.

Brasil Properties (BRPR3)

A Brasil Properties lançou ontem um programa para recomprar quatro milhões de ações ordinárias que estão no mercado. A empresa comunicou que a operação de recompra, coordenada pelas corretoras dos bancos Itaú e Credit Suisse, irá até 17 de setembro de 2021. A BR Properties não informou se pretende alienar os papéis no futuro ou simplesmente guardá-los em tesouraria.

Sul América (SULA11)

A Sul América comunicou na noite de ontem que pagará juros sobre o capital próprio no valor de R$ 80 milhões aos acionistas. A seguradora informou que farão jus ao pagamento os acionistas que mantiverem papéis da empresa até o dia 20 de março. O pagamento será feito a partir de 16 de abril.

Hypera (HYPE3)

A Hypera Pharma informou na manhã de hoje que vendeu a patente de 12 produtos farmacêuticos e medicamentos sem prescrição para a Eurofarma na Argentina, Peru, Equador, Colômbia, Panamá e México. Segundo a Hypera, o valor da transação é de US$ 161 milhões (R$ 813 milhões). Segundo a Hypera, os ativos “fazem parte da recente aquisição com a Takeda Pharmaceuticals International e o preço da aquisição é proporcional à relevância dos ativos em relação ao negócio adquirido da Takeda”. Com a venda dos 12 produtos para a Eurofarma, a Hypera reforça o seu objetivo de manter o foco no mercado brasileiro.

O Bradesco BBI avaliou a operação como positiva, destacando que a Hypera vendeu os remédios para a Eurofarma na Argentina Peru, Equador, Colômbia e México, países que não fazem parte do seu foco de atuação, que é o Brasil.

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Além disto, o BBI ressalta que com a venda a Hypera poderá reduzir seu endividamento, cuja relação dívida líquida sobre o Ebitda está em 2,1 vezes (2,1x) para 1,7 vezes (1,7x). O endividamento da Hypera cresceu porque recentemente a empresa comprou o portfólio dos remédios Buscopan por R$ 1,3 bilhão e os remédios da japonesa Takeda no Brasil por R$ 4 bilhões.

“Nós acreditamos que a estratégia de manter o foco no Brasil é positiva porque após as recentes aquisições existe bastante trabalho a fazer nas sinergias. Além disto, a receita nos países latino-americanos seria de apenas 3% do faturamento da Hypera”, destaca o BBI. O banco manteve a recomendação neutra para a ação HYPE3, com preço-alvo de R$ 43,00.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

Segundo informações do Valor, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em reunião com líderes partidários, demonstrou irritação com a equipe econômica do governo e afastou a possibilidade de a proposta de privatização da Eletrobras avançar.

Alliar (AALR3

A rede de laboratórios Centro de Imagem Diagnósticos, ou Alliar, publicou balanço e informou lucro líquido de R$ 7,4 milhões no quarto trimestre de 2019, uma queda de 54,9% sobre igual período de 2018. No consolidado do ano de 2019, contudo, o lucro líquido da Alliar avançou 3% sobre o ano anterior para R$ 41,3 milhões.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) avançou 4,7% no quarto trimestre de 2019, sobre igual período de 2018, para R$ 59,9 milhões. No consolidado de 2019, o Ebitda da Alliar cresceu 18,5% sobre 2018 para R$ 260,5 milhões.

A empresa informou que no quarto trimestre houve expansão de 4,3% nas vendas no conceito mesmas lojas, mas a operação sofreu o impacto por causa da venda da operação no Hospital São Rafael na Bahia. A Alliar, que congrega dezenas de laboratórios de exames e medicina diagnóstica em vários estados, destacou o avanço de 5% na receita da operação no Estado de São Paulo com a marca de laboratórios CDB.

O Itaú BBA avaliou como neutro o balanço do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro divulgado pela empresa. “Os resultados da Alliar vieram estritamente em linha com as nossas estimativas. Embora os esforços da empresa para reduzir custos sejam bem-vindos, o declínio do tíquete médio ainda é um obstáculo para um maior crescimento”, destacou o banco. O BBA manteve o preço-alvo de R$ 21,00 para ação em 2020, uma alta de 78,7% sobre o fechamento de ontem na B3.

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(Com Agência Estado)