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Ações da Via Varejo disparam mais de 8% apesar de resultado fraco

Embora indicadores financeiros tenham apresentado piora, analistas destacaram que alguns pontos indicam uma melhora operacional para a companhia

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(Shutterstock)

SÃO PAULO — As ações da Via Varejo (VVAR3) fecharam esta quinta-feira (14) em alta de 8,26%, cotadas em R$ 7,60, apesar de a companhia ter apresentado resultados considerados fracos pelo mercado no terceiro trimestre deste ano.

Embora indicadores financeiros tenham apresentado piora em relação ao resultado de um ano antes, analistas destacaram que alguns pontos indicam uma melhora operacional para a companhia — o que gerou certo otimismo entre os investidores.

O prejuízo contábil da varejista, divulgado na noite de ontem, mais que quadruplicou, para R$ 383 milhões. No mesmo período do ano passado, a perda havia sido de R$ 83 milhões. Já a margem bruta subiu 0,5 ponto, para 30,7%.

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O lucro bruto operacional de R$ 1,7 bilhão no trimestre é cerca de 0,5% melhor do que o registrado entre julho e setembro de 2018. Já o ebitda ajustado atingiu R$ 242 milhões, uma queda de 42,5%, com margem de 4,3% (-2,3 p.p.).

A receita líquida, por sua vez, recuou 10,7% na comparação anual, para R$ 5,688 bilhões, enquanto as vendas mesmas lojas tiveram retração de 2,2% no faturamento.

O Itaú BBA destacou que o resultado veio fraco, como o esperado, mas questiona se o pior não está ainda por vir. Segundo o documento, a varejista reportou resultados ainda fracos, como nas operações online.

Entretanto, o banco destaca que as mudanças feitas até agora já mostraram sinais de tendências sequenciais positivas nos próximos trimestres. “É provável que os investidores esperem pela confirmação de tendências positivas de vendas no quarto trimestre”, destacou o Itaú BBA.

Os analistas Victor Saragiotto e Pedro Pinto, do Credit Suisse, chamaram atenção para a deterioração na posição de caixa da empresa em R$ 1 bilhão. Eles acreditam que esse seja um trimestre de ajuste, já que é o primeiro com a nova administração.

Do lado positivo, os analistas destacaram o crescimento do market place de 79% na comparação anual e a melhora da margem bruta em 170 pontos-base na comparação ano a ano, mesmo com os R$ 500 milhões de redução de estoque.

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“Acreditamos que para as ações recuperarem, os investidores gostariam de ver sinais claros de implementação das novas iniciativas anunciadas pelo management. Continuamos dando o beneficio da dúvida à companhia e mantemos o outperform [recomendação de desempenho acima da média do mercado]”, disseram os analistas do Credit.

O analista Gustavo Piras Oliveira, do UBS, viu como positivo o fato de a administração ter escrito uma carta muito positiva destacando a evolução de seu plano de recuperação.

O plano inclui pontos como a melhora da logística do comércio eletrônico, com 47% das entregas realizadas em 48h (ante 28% em julho), e o fato de 100% das lojas terem sido reformadas com a atualização do sistema via + store, além da substituição do hardware antigo.

Oliveira enxerga progresso operacional para a companhia no próximo trimestre, mas mantém um pé atrás. “Nosso cenário mais otimista aponta para R$ 14 por ação e nosso cenário mais pessimista para R$ 3,50 por ação”, disse.

Já a equipe de análise do Bradesco BBI disse que as expectativas para os resultados apresentados pela empresa ontem eram baixas, uma vez que a nova administração está no comando há muito pouco tempo.

“Dessa forma, não esperamos que os investidores se concentrem excessivamente na baixa margem ebitda de 1,7%, principalmente porque a margem foi pressionada pela liquidação do estoque que foi comprado pela equipe de gerenciamento anterior”, disse.

O banco ressaltou que muitas iniciativas estão colocando a Via Varejo em uma base muito mais sólida, e isso será uma parte essencial para gerar resultados mais fortes em 2020.

“Dito isso, estamos um pouco preocupados com o crescimento negativo do SSS e não houve comentários sobre o desempenho dessa métrica no mês de outubro, embora a gerência tenha notado um retorno ao crescimento do comércio eletrônico 1P”, afirmou.

Segundo o Bradesco BBI, direcionar tráfego e conversão será a chave para o sucesso da Via Varejo na Black Friday, além de plataformas online estáveis. O banco mantém sua classificação neutra para as ações VVAR3, pois acredita que o preço atual das ações já incorpora uma recuperação decente da lucratividade, de volta a cerca de 7%.

“Acreditamos que isso seja razoável, por enquanto, embora possa haver um potencial positivo se o crescimento se recuperar significativamente no próximo ano.”

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