Ações da Rede D’Or caem 4,5% após balanço do 4T25; o que desagradou o mercado?

Analistas financeiros acreditam que os resultados foram sólidos, porém abaixo do esperado

Victória Anhesini

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Fachada do Hospital São Luiz Itaim Rede D'Or, em São Paulo (SP). (Foto: Divulgação/Rede D'Or)
Fachada do Hospital São Luiz Itaim Rede D'Or, em São Paulo (SP). (Foto: Divulgação/Rede D'Or)

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As ações da Rede D’Or (RDOR3) fecharam em baixa de 4,53%, a R$ 41,55, nesta quinta-feira (26) após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025. Foi a maior queda do Ibovespa, ainda que fechando longe das mínimas. De acordo com analistas do mercado financeiro, enquanto a companhia apresentou bons resultados no ponto de vista operacional, houve outros pontos de impacto que levantaram dúvidas.

Analistas do JPMorgan afirmaram em relatório que apesar da demanda e do ticket médio nos hospitais terem continuado sólidos, o lucro por ação ajustado decepcionou ao ficar cerca de 13%/15% abaixo do projetado pelo banco. 

De acordo com o documento, esse desvio foi provocado por um conjunto de fatores, incluindo “despesas acima do esperado na SulAmérica devido a provisões para processos cíveis”.

Além disso, o banco citou que as despesas financeiras líquidas tomaram um peso maior do que esperado no balanço do quarto trimestre, o que pode ter justificado a reação negativa imediata do mercado. Para analistas do Bradesco BBI, essa percepção foi reforçada pelos números que ficaram abaixo da expectativa, com um desvio de 5% tanto no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) quanto no lucro líquido.

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Os analistas do BBI pontuaram que a receita hospitalar cresceu 16% ao ano, acelerando em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas a rentabilidade deixou a desejar. A margem EBITDA hospitalar ficou 1,2 p.p., “abaixo do BBI devido à menor margem bruta de caixa”. Outro ponto crítico foi o aumento de 35% nas despesas financeiras líquidas, valor que ficou “20% acima do BBI”.

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Pelo lado do Itaú BBA, o relatório enfatizou que o crescimento da receita recebeu um impulso maior por conta do ticket médio maior, além de cirurgias e perspectivas na área de oncologia. Apesar disso, os analistas afirmaram que a “maior complexidade dos procedimentos impactou a rentabilidade”.

No segmento de seguros, o BBA identificou uma tendência mais fraca na SulAmérica, marcada por um ticket médio menor e um salto nos custos operacionais. Segundo o Itaú, o aumento de 132% em um ano nas provisões para contingências e incremento de 44% nos serviços de terceiros.

Divergências

Em relação à SulAmérica, houve divergências entre as casas de análise. Enquanto o JPMorgan pontuou que a seguradora surpreendeu positivamente com um Índice de Sinistralidade (MLR) mais baixo, o Bradesco BBI ressaltou que esse indicador foi “provavelmente beneficiado por uma provisão menor de IBNR”, que significa Incurred But Not Reported (Sinistros Ocorridos, mas Não Avisados).

Já o Itaú BBA optou por focar na eficiência da rede hospitalar, já que a taxa de ocupação de 76,9% foi superior à média histórica para um quarto trimestre, segundo o banco, mesmo com a redução sazonal de 92 leitos no período.

Apesar das ressalvas quanto aos custos e à queda das ações no pregão, as três instituições reiteraram suas recomendações de compra. Veja:

InstituiçãoRecomendaçãoPreço-Alvo
JP MorganCompra (Overweight)
Bradesco BBICompra (Outperform)R$ 47,00
Itaú BBACompraR$ 58,00