Análise de resultados

Ações da Movida disparam 9% depois de resultado, com analistas exaltando vendas de seminovos e gestão de frota

Apesar dos impactos da Covid-19 no aluguel de carros, os maiores preços de usados levaram a companhia a ter fortes números

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(divulgação)

SÃO PAULO – As ações da Movida (MOVI3) disparam 9% nesta quinta-feira (29) na esteira do seu resultado do segundo trimestre, divulgado ontem. A companhia que atua no setor de locação de carros reportou um lucro líquido de R$ 174 milhões, alta de 6.556% na comparação anual e de 58% na trimestral.

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado foi a R$ 388 milhões, número 27% maior que o do primeiro trimestre e 157% superior ao do mesmo período do ano passado.

A receita líquida totalizou R$ 1,2 bilhão, um aumento de 15,6% na comparação anual e de 50,5% na comparação trimestral, com receita líquida de aluguéis de R$ 538 milhões, recordes para um trimestre.

Segundo os analistas Victor Mizusaki, André Ferreira e Pedro Fontana, do Bradesco BBI, as receitas vieram 3% acima do esperado pelo banco e 10% superiores ao que o consenso do mercado esperava, refletindo um recorde de receita de gestão de frota de R$ 196 milhões (alta de 57% na comparação com o segundo trimestre de 2020 e de 80% em relação ao segundo trimestre de 2020).

O banco destaca ainda o recorde nos preços de carros usados, que subiram 5% em relação ao primeiro trimestre, algo que ofuscou o impacto da pandemia de Covid-19 no segmento de aluguel. Os resultados de seminovos também levaram o Ebitda a bater em 13% as projeções do Bradesco e em 14% o consenso, uma vez que o Ebitda dessa operação chegou a R$ 120 milhões (contra R$ 11 milhões no segundo trimestre de 2019).

A gestão de frota, por sua vez, reportou uma margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) de 65%, valor 4,9 pontos percentuais acima do registrado no trimestre anterior conforme a empresa está diluindo com sucesso custos fixos no produto de arrendamento operacional (Movida Zero km).

Por outro lado, a margem Ebitda do segmento rent-a-car (aluguéis de curto prazo) caiu a 41,1% (queda de 5,1 pontos percentuais na base trimestral) devido ao impacto do coronavírus.

Na opinião do Bradesco, os fatores mais importantes do resultado da Movida são as entregas de novos carros de 23 mil unidades, acima das 10.900 unidades entregues no primeiro trimestre de 2021, o que resultou em uma adição de 12 mil carros apesar dos problemas que enfrenta a cadeia de oferta da indústria automotiva desde o início da pandemia.

“A Movida está adicionando mais modelos de carros premium, mas a empresa aumentou com sucesso o preço médio do aluguel diário em rent-a-car para R$ 84 (alta de 41% na comparação anual e de 6% contra o segundo trimestre de 2019)”, analisa a equipe do banco.

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Para os analistas, a companhia foi bem sucedida em reduzir o gap de receita líquida com a Unidas (LCAM3) para 18%, de 28% anteriormente, e da frota de carros para 10%, de 24% antes. “Portanto, com base nos sólidos resultados do segundo trimestre de 2021 e na aprovação unânime dos acionistas minoritários para concluir a aquisição da CS Frotas, esperamos que o desconto de 20% no múltiplo [valor de mercado dividido pelo lucro líquido] P/E 2022 da Unidas reduza gradualmente para 11% nas próximas semanas.”

O Bradesco BBI tem recomendação outperform (desempenho esperado acima da média do mercado) para as ações MOVI3, com preço-alvo estimado em R$ 32,00, o que representa uma valorização de 51,95% sobre o valor de fechamento dos papéis na quarta-feira (29).

Já os analistas Regis Cardoso, Henrique Simões e Alejandro Zamacona, do Credit Suisse, exaltam também o desempenho da operação de seminovos, porém lembram que o resultado não é “totalmente” recorrente.

“Os altos resultados de seminovos são consequência dos elevados preços de venda de carros usados ​​para carros comprados a valores muito mais baixos, o que não é recorrente e deve se normalizar para margens baixas de um dígito no final de 2022 ou 2023”, apontam.

A equipe do Credit Suisse também alerta que o crescimento de 11,6 mil unidades na frota de carros é positivo em um cenário de produção limitada de veículos, porém foi acompanhado por um aumento na idade da frota.

Em relação aos volumes de rent-a-car, as quedas são explicáveis pelas medidas de isolamento social, o que derrubou o Ebitda da operação em 17% para R$ 144 milhões, em linha com as expectativas do banco. Por outro lado, os analistas ressaltam que a maior parte do crescimento de frota aconteceu nesse segmento e a Movida indicou uma retomada na demanda no final do trimestre, levando a crer que os próximos trimestres serão melhores para o aluguel de curto prazo.

Um risco a ser monitorado, segundo os analistas, é o de depreciação, que deve ocorrer em consequência do envelhecimento da frota. “No segundo trimestre de 2021, rent-a-car e gestão de frota tiveram incrementos na depreciação de 21% e 26% ante o primeiro trimestre respectivamente, apesar de sobre uma base baixa”, explicam.

O Credit Suisse tem recomendação neutra para as ações MOVI3, com preço-alvo estimado em R$ 21,00, o que corresponde a uma queda de 0,28% no valor dos papéis sobre o fechamento de ontem.

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No total, segundo dados compilados pela Refinitiv, as ações da Movida acumulam sete recomendações de compra e três neutras entre bancos, corretoras e casas de análise que acompanham a empresa. O preço-alvo médio para os papéis MOVI3 é de R$ 25,27, o que significa uma valorização de 19,99% ante o valor de fechamento das ações na última quarta.

Às 16h37 (horário de Brasília) desta quinta, as ações da Movida subiam 8,5% a R$ 22,85, depois de chegarem a disparar mais de 9% mais cedo.

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