Destaques da bolsa

Ação da Via Varejo sobe 18% e mais 4 ações saltam mais de 10%; Petrobras avança apesar do petróleo e Embraer cai 7%

Confira os destaques da B3 na sessão desta segunda-feira (27)

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Acompanhando os ganhos do mercado internacional com novas medidas de estímulo do Japão e expectativa por reabertura de algumas economias depois do pico do coronavírus, reforçados ainda pelo apoio de Jair Bolsonaro a Paulo Guedes, o Ibovespa teve uma sessão de fortes ganhos, de 3,86%. Vale destacar que, na última sexta-feira, a sessão foi de forte queda para o índice, de mais de 5%, com a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública intensificando a crise política (veja mais clicando aqui).

No início da sessão, a Petrobras (PETR3, R$ 16,80, +4,54%; PETR4, R$ 16,45, +3,13%) subiu forte apesar da forte queda do petróleo. Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda, com o WTI mais líquido desabando quase 25%, em meio aos persistentes temores quanto aos impactos do coronavírus na demanda global, que sobrecarregam os espaços para o armazenamento da commodity energética.

O petróleo WTI para junho despencou 24,56%, a US$ 12,78, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Já o Brent para julho encerrou em baixa de 7,01%, a US$ 23,07, na Intercontinental Exchange (Ice).

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O grande destaque de baixa ficou para a Embraer (EMBR3, R$ 7,66, -7,49%), de até 16%, após a Boeing anunciar ter encerrado as negociações para comprar a divisão de aviação comercial da brasileira, levando a um corte duplo de recomendação pelo Bradesco BBI e fazendo com que a companhia tenha que revisar suas projeções de produção. Na sexta-feira, em meio aos rumores, as ações já haviam caído 10,68%. Os papéis EMBR3 amenizaram as perdas, fechando com queda de 7,49%, mas ainda representando a maior baixa do índice (veja mais clicando aqui).

Entre as poucas baixas, estiveram as ações da Hypera (HYPE3, R$ 29,33, -2,27%), após a divulgação de resultado.

Já entre as maiores altas, estão Via Varejo (VVAR3, R$ 7,57, +18,65%) com aquisição da empresa ASAPLog, de Curitiba (PR), e elevação de recomendação pelo Bradesco BBI. Outras quatro ações subiram mais de 10%: Braskem (BRKM5, R$ 21,49, +13,52%), BRF (BRFS3, R$ 20,56, +10,84%), Totvs (TOTS3, R$ 58,44, +10,06%) e Marfrig (MRFG3, R$ 11,50, +10,05%).

Já a BR Distribuidora (BRDT3, R$ 18,25, +7,73%), Lojas Americanas (LAME4, R$ 24,00, +6,67%) e B2W (BTOW3, R$ 75,19, +9,48%) subiram após anunciarem parceria. Confira os destaques:

Embraer (EMBR3, R$ 7,66, -7,49%)

Até então parceiras, as fabricantes de aviões Embraer e Boeing entraram em guerra no sábado, após a americana ter anunciado que encerrou as negociações para comprar a divisão de aviação comercial da brasileira. As empresas haviam anunciado, em julho de 2018, o acordo de US$ 4,2 bilhões, que recebeu aval do governo de Jair Bolsonaro sete meses depois.

O anúncio da Boeing se deu em meio a maior crise de sua história, que envolve dois acidentes com seu principal avião, o 737 MAX, e a paralisação do setor aéreo em decorrência da pandemia da covid-19. A companhia responsabilizou a Embraer pela não conclusão do negócio. Em nota, afirmou que “exerceu seu direito de rescindir (o contrato) após a Embraer não ter atendido as condições necessárias”, mas não especificou quais eram as condições.

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A Embraer respondeu às afirmações, três horas depois, também em nota, na qual acusou a americana de ter rescindido o contrato de forma indevida. “(A Boeing) fabricou falsas alegações como pretexto para tentar evitar seus compromissos de fechar a transação e pagar à Embraer o preço de compra de U$ 4,2 bilhões.”

A nota afirma ainda que a empresa acredita que a Boeing vinha adotando “um padrão sistemático de atraso e violações repetidas ao MTA ( acordo), pela falta de vontade em concluir a transação, pela sua condição financeira, por conta dos problemas com o 737 MAX e por outros problemas comerciais e de reputação”. Veja mais clicando aqui. 

Após a rescisão do contrato, o Bradesco BBI cortou a recomendação para os ADRs da Embraer de outperform para underperform, com o preço-alvo sendo cortado de US$ 25 para US$ 4.  “Em nossa opinião, a COVID-19 resultará na adiamento de entregas de aeronaves e novos pedidos. Além disso, a Embraer como empresa independente precisará competir com a Airbus no mercado de jatos regionais. Para 2020, cortamos a expectativa entrega de aeronaves comerciais e executivas em 49% e 10%, respectivamente, levando a redução de 22% nas estimativas de receita líquida. Para 2021, reduzimos nossas entregas esperadas em 44% e 14% nas áreas comercial e executiva, respectivamente, levando a uma receita líquida esperada 22% menor”, apontam.

 (BRDT3, R$ 18,25, +7,73%), Lojas Americanas (LAME4, R$ 24,00, +6,67%) e B2W (BTOW3, R$ 75,19, +9,48%)

A BR Distribuidora anunciou uma parceria com a empresa de e-commerce B2W  com o objetivo de oferecer uma nova forma de pagamento para clientes dos postos Petrobras: agora será possível pagar pelo combustível usando o app da Ame Digital, fintech e plataforma de negócios da Lojas Americanas.

A nova opção vale para os postos participantes do programa de benefícios Petrobras Premmia, que fazem parte da rede de quase 8 mil postos e 1.300 lojas de conveniência BR Mania. Assim, os participantes efetuam o pagamento pelo app e pontuam no programa.

É possível trocar os pontos adquiridos por ingressos de cinema, livros, revistas, ingressos de jogos, passeios, produtos em varejistas e outras opções. No site do programa é possível identificar os postos participantes da parceria.

Hypera (HYPE3, R$ 29,33, -2,27%)

A Hypera Pharma, uma das maiores indústrias farmacêuticas do país, informou que obteve um lucro líquido de R$ 238,2 milhões no primeiro trimestre de 2020. O resultado representa uma queda de 25,8% sobre igual trimestre de 2019. A receita líquida da empresa cresceu 112,5%, sobre igual trimestre do ano passado, para R$ 815 milhões no primeiro trimestre de 2020.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda) foi de R$ 248,7 milhões no primeiro trimestre de 2020, uma queda de 38% sobre o mesmo trimestre de 2019. O Ebitda e o lucro líquido divulgados pela Hypera, vale ressaltar, levam em conta apenas as operações continuadas – não incluem as aquisições das patentes de medicamentos que a empresa fez no começo de 2020, bem como a compra das operações da japonesa Takeda no Brasil.

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A Hypera ressaltou que os resultados foram afetados pelo início da epidemia do coronavírus no Brasil, porque houve queda nas consultas médicas de dermatologistas e pediatras, com a consequente retração nas vendas de remédios para esses ramos. ‘Já foi possível sentir o impacto negativo no desempenho em algumas categorias de prescrição no primeiro trimestre de 2020”, comentou a Hypera. A empresa afirma que conseguiu aumentar a receita líquida a R$ 815 milhões no período e, graças “ao controle de custos e despesas, preservou a margem Ebitda das operações continuadas, que alcançou 30,5% no trimestre”.

A Hypera afirma que, devido ao cenário de incertezas com a epidemia, decidiu reforçar seu caixa e contratou empréstimos de R$ 895 milhões em março e abril. A empresa também vendeu seu portfólio adquirido da Takeda na Argentina, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e México para a Eurofarma por US$ 161 milhões.

Os bancos Itaú BBA, Bradesco BBI e Morgan Stanley comentaram os resultados do primeiro trimestre da indústria farmacêutica Hypera, a primeira a divulgar resultados completos do período. Os bancos avaliaram que os resultados foram ligeiramente negativos.

“Embora a receita líquida tenha crescido 112%, ainda assim chegou 10% abaixo das nossas estimativas. A Hypera – como ressaltou no comunicado – ainda não absorveu totalmente o aumento da venda de remédios pouco antes do começo da quarentena, no início de março. Ao mesmo tempo, houve uma já esperada queda nas vendas dos remédios com prescrição, outro fator que a empresa antecipou”, avalia o Itaú BBA. Como fatores positivos, o banco cita que a margem Ebitda foi de 30,5%, bem perto da projeção do BBA (30,8%) e a aquisição de nove novas marcas de produtos para cuidados com a pele. A nota e o preço-alvo da Hypera estão sob revisão pelo BBA, já bem antes da publicação dos resultados – devido à aquisição da japonesa Takeda no Brasil.

O banco Morgan Stanley definiu os resultados como “fracos”. Para o Morgan, embora a Hypera continue a ter crescimento de vendas na marca dos dois dígitos, “a margem Ebitda chegou abaixo da nossa estimativa de 31,5% e do consenso do mercado, de 33,6%”. O banco cita que o lucro líquido de R$ 238 milhões foi um fator positivo do balanço, embora também tenha chegado ligeiramente abaixo da expectativa do mercado,que era um pouco maior.

O Morgan Stanley manteve a recomendação overweight – acima da média de mercado, e preço-alvo de R$ 41,50 para 2020. O Bradesco BBI avaliou os resultados da Hypera como um pouco abaixo das expectativas, em linhas gerais, mas com aspectos positivos – o BBI citou a margem Ebitda de 30,5% como um deles. O banco mantém a nota Neutra para o papel HYPE3 e um preço-alvo de R$ 43,00 para 2020, alta de 43% sobre os R$ 30,01 do fechamento do último pregão na B3.

Suzano (SUZB3, R$ 40,14, +2,58%)

A Suzano anunciou um aumento de preços na tonelada da celulose para US$ 30 na Europa e América do Norte. É o primeiro aumento de preços da empresa brasileira em 2020 para os dois mercados e em entrará em efeito a partir de primeiro de maio. Em abril, a Suzano aumentou o preço da tonelada em até US$ 30 para a China. O banco Bradesco BBI avaliou o mercado e se diz “cético” sobre a possibilidade da Suzano conseguir implementar integralmente o aumento a curto prazo. “A demanda pelo papel gráfico tende a cair drasticamente. A demanda por outros tipos de papel também deverá cair e a margem para implementar aumentos é pequena, percebemos isto na China em abril, onde o mercado resistiu às tentativas de aumentos de preços. E isto em um mercado que já estava supostamente em recuperação da epidemia do coronavírus, o chinês”, avalia o BBI. O banco manteve nota e preço-alvo para a Suzano.

Via Varejo (VVAR3, R$ 7,57, +18,65%)

O banco Bradesco BBI elevou a recomendação para as ações da Via Varejo, controladora da Casas Bahia e do Ponto Frio, de neutra para outperform – acima da média de mercado. O BBI fixou preço-alvo de R$ 9,00 para a ação VVAR3 em 2020, uma alta de 41% sobre os R$ 6,38 da sessão de sexta-feira na B3.

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Segundo o BBI, a melhora na nota da Via Varejo aconteceu porque a empresa reforçou o seu canal de comércio eletrônico em meio à epidemia do coronavírus e prepara planos para o pós-pandemia. “Nós estimamos um crescimento de 30% nas vendas online da Via Varejo, a empresa realizou melhorias na plataforma. Como outras empresas do varejo brasileiro, a VVAR3 foi forçada pela pandemia a acelerar suas vendas pela Internet”, avalia o BBI.

O banco também avalia que a Via Varejo superará a fase de pagamentos mais pesados de dívidas. “A empresa conseguiu refinanciar R$ 500 milhões em dívidas e nós projetamos que o caixa líquido deve fechar em R$ 2,8 bilhões no fim de abril, com o desconto das faturas de cartão de crédito. O próximo desafio da empresa é pagar uma nota promissória de R$ 1,5 bilhão que vence em setembro”, avalia o BBI. “Acreditamos que a empresa será capaz de pagar ou de refinanciar, mesmo com a emissão de nova dívida. Embora os bancos estejam mais conservadores, a maioria dos varejistas têm conseguido captar recursos, mesmo que a um custo maior”, comenta o BBI.

A Via Varejo informou ainda na manhã de hoje que adquiriu a empresa ASAPLog, de Curitiba (PR), por um valor não revelado. A ASAPLog tem cinco anos de atuação no mercado logístico de distribuição de produtos nas cidades brasileiras. Segundo a Via Varejo, a aquisição se dará através de seu braço logístico, a sua subsidiária VVLOG Logística LTDA, também sediada em São Caetano do Sul (SP). “A companhia já conta com a melhor logística de distribuição e com a aquisição melhorará sua distribuição em escala nacional”, informou a controladora da Casas Bahia e Ponto Frio.

CCR (CCRO3, R$ 12,31, +2,24%) 

A Concessionária Anhanguera-Bandeirantes (AutoBAn) informou que entre os dias 17 e 23 de abril deste ano o tráfego de automóveis pagantes teve uma queda de 62,6% nas duas rodovias, em comparação a igual período do ano passado. O tráfego de veículos comerciais teve retração de 1,8%, também sobre o mesmo período de 2019. De primeiro de janeiro a 23 de abril deste ano, a circulação de carros de passeio caiu 18% no sistema Anhanguera-Bandeirantes, enquanto o tráfego de veículos comerciais pagantes cresceu 0,5%.

No total, houve queda de -8,6% no acumulado de veículos pagantes em 2020.
A CCR também informou o tráfego da semana passada em outra das suas concessionárias, a Rodovias do Oeste de São Paulo (ViaOeste). Entre 17 e 23 de abril, houve queda de -54,2% no tráfego de carros de passeio, -1,6% no de veículos comerciais e uma queda geral de -36,2%. No acumulado do ano entre primeiro de janeiro e 23 de abril, a queda no tráfego de carros de passeio foi de -16%; já o tráfego de veículos comerciais cresceu 2,3%. No total, houve uma queda de -8,9% no tráfego.

Yduqs (YDUQ3, R$ 27,78, +2,74%)

A Yduqs concluiu a aquisição da totalidade das quotas da Adtalem Brasil pelo valor total R$ 2,2 bilhões. Dado o mecanismo de locked box acordado entre as partes, a Adtalem será recebida com uma posição líquida pro forma de caixa de R$ 389,37 milhões em 31 de março de 2020.

“A aquisição é transformacional para a história da Yduqs, uma vez que possibilita ampliação relevante dos horizontes de atuação da Companhia. A combinação de escala, capacidade de investimento, tecnologia e qualidade levará à criação de uma operação reconhecidamente única, que transformará o ensino superior no Brasil”, afirma a empresa no comunicado.

Vulcabras (VULC3, R$ 4,18, -2,11%)

A administração da Vulcabras da companhia decidiu retomada parcial das operações em todas unidades, com redução das jornadas e dos salários, segundo comunicado.

Nas unidades produtivas de Horizonte – CE e Itapetinga – BA, a retomada se dará a partir de 27/abril, com redução de jornada e salários em 75%.

A unidades de Parobé – RS, Jundiaí – SP, e São Paulo, o retorno será a partir de 4 de maio, com redução de 25% de jornada e salário. Na unidade do estado do Ceará, funcionários estarão dispensados do trabalho entre 27 de abril e 5 de maio, utilizando banco de horas.

Marcopolo (POMO4, R$ 2,86, +4,76%)

Em reunião do conselho, a Marcopolo decidiu cancelar pagamento de juros sobre capital próprio considerando o atual cenário internacional, decorrente da pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19), segundo comunicado.

Os pagamentos cancelados são relativos a 2ª e 3ª etapas 2020, previstos na política de dividendos da companhia.

(Com Bloomberg e Agência Estado)

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