Ações da Colômbia sobem com eleição de La Espriella, mas vitória apertada é questão

Analistas de mercado veem fôlego curto e focam alta em melhora da governabilidade

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O candidato de direita colombiano Abelardo De La Espriella conquistou uma vitória apertada nas eleições presidenciais de domingo, segundo contagem preliminar dos votos, com os eleitores apostando em sua promessa — apoiada por Donald Trump — de combate ao crime e fortalecimento da economia.

De La Espriella tinha 49,66% dos votos, enquanto seu rival, o senador Iván Cepeda, ficou atrás por cerca de 250 mil votos, com 48,70%, de acordo com a apuração do Registro Civil Nacional de pouco menos de 100% dos votos no segundo turno.

Com a vitória de DE La Espriella preparando o terreno para uma guinada em direção a políticas favoráveis ​​ao mercado, os mercados reagem positivamente.

O Global X MSCI Colombia ETF (fundo de índice) subia 2,11%, a US$ 44,99, às 11h10 (horário de Brasília), por volta das 11h (horário de Brasília).

Contudo, para o Bradesco BBI, a vitória apertada do candidato de direita deve trazer alívio inicial aos mercados, mas não é suficiente para destravar uma valorização consistente das ações, segundo análise do Bradesco BBI.

De acordo com o relatório, Abelardo venceu o segundo turno com 49,66% dos votos, contra 48,7% do rival Iván Cepeda — uma diferença de apenas cerca de 251 mil votos, ou 0,94 ponto percentual, evidenciando um mandato mais frágil do que o esperado após sua forte performance no primeiro turno.

Apesar da margem estreita, o resultado confirma a consolidação do voto anti-governo anterior e posiciona a Colômbia dentro de um movimento mais amplo de guinada à direita na América Latina, acompanhando países como Argentina, Chile e Peru.

Para o BBI, a redução das incertezas políticas deve favorecer a percepção de risco no curto prazo, mas o foco do mercado agora migra rapidamente para a capacidade de execução do novo governo.

“A vitória indica um alinhamento mais pró-mercado, mas o mandato negociado aumenta a dependência de coalizões políticas e limita a velocidade de reformas”, avalia o relatório. Nesse contexto, temas como segurança pública, disciplina fiscal e capacidade de articulação no Congresso serão determinantes para sustentar a confiança dos investidores.

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O banco traça dois cenários para a economia colombiana sob o novo governo. No cenário-base, o crescimento deve permanecer moderado, entre 2,5% e 2,7% em 2026, com inflação ainda elevada, próxima de 6%.

Mesmo com alguma recuperação ao longo do tempo, a atividade econômica tende a perder fôlego, refletindo o impacto da inflação sobre a renda real das famílias e o consumo.
Além disso, o espaço fiscal limitado — com déficit em torno de 5,3% do PIB — e uma dinâmica política fragmentada devem dificultar avanços estruturais relevantes.

No cenário mais otimista, melhorias na execução, avanço de reformas e condições externas favoráveis, como preços mais altos do petróleo, poderiam elevar o crescimento para perto de 3% e acelerar a convergência da inflação para cerca de 4% até o fim de 2027.

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Apesar do alívio com o fim do processo eleitoral, o BBI vê pouca assimetria positiva para a renda variável no país.

Segundo o banco, os principais índices colombianos já refletem grande parte do cenário mais benigno: o MSCI Colômbia e o COLCAP negociam a cerca de 9,6 vezes o lucro projetado (P/L forward), bem acima do fundo de aproximadamente 4 vezes observado em 2022.

Com isso, o banco projeta um cenário-base com potencial de queda de cerca de 14% para as ações, enquanto o ganho esperado é limitado a aproximadamente 6% — e pode chegar a perdas superiores a 30% em um cenário mais adverso. “A relação risco-retorno segue pouco atrativa”, resume o relatório.

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“Uma vitória por um ponto percentual ainda é uma vitória, mas uma margem tão apertada remodela tanto o mandato quanto a política de implementação em todas as frentes”, escreveu o economista Diego Pereira, do JPMorgan Chase & Co., em uma nota na segunda-feira. “Consideramos a governabilidade, e não a direção das políticas, a principal fonte de incerteza daqui para frente.”

A Credicorp estima que o mercado de ações poderá subir 5% nos primeiros dias após a votação, com potencial de alta de até 20% a longo prazo. Os rendimentos da dívida local deverão cair entre 150 e 200 pontos base nos próximos meses, enquanto a moeda deverá se valorizar.

Mas também há visão, na linha do BBI, de que a alta ainda pode ser de curta duração. Analistas alertaram que a margem apertada levanta dúvidas sobre possíveis protestos e a governabilidade do novo governo, limitando o potencial de valorização dos ativos colombianos.

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(com Bloomberg)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.