Destaques da Bolsa

Ações da Cogna se recuperam após chegarem a cair 7% com resultado; Vale e siderúrgicas recuam e Eletrobras dispara 7%

Confira os destaques da B3 na sessão desta sexta-feira (21)

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(Nutthaseth Vanchaichana/Getty Images)
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SÃO PAULO – A Cogna (COGN3, R$ 6,56, -0,15%) foi o destaque na sessão desta sexta-feira (21) após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2020: o papel chegou a cair 7,15% na mínima do dia, mas zerou as perdas. Fora do índice, a Alliar (AALR3, R$ 11,59, +5,94%) viu as suas ações caírem.

As ações da Vale (VALE3, R$ 62,20, -1,19%) e siderúrgicas fecharam em queda. O dia foi de baixa para o minério de ferro, com a commodity à vista com pureza de 62% em queda de 1,4%, a US$ 126,65 a tonelada. As companhias também passam por um movimento de realização dos lucros após a forte alta da semana, também seguindo a commodity, que acumula ganhos de cerca de 3%.

Entre os destaques de alta, ficaram as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 34,07, +7,07%; ELET6, R$ 34,53, +4,95%), com ganhos que chegaram a 10%: operadores citam expectativas com privatização.

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Na edição impressa do jornal Valor Econômico foi noticiado que o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), tem se reunido com investidores com o objetivo de buscar apoio do mercado financeiro à sua candidatura pela principal cadeira da Mesa Diretora da Casa, argumentando ser ideal que o sucessor de Maia seja mais alinhado ao governo Jair Bolsonaro para conseguir viabilizar a agenda de privatizações.

Em conversas reservadas tanto com investidores quanto com parlamentares, de acordo com relatos de fontes do jornal, Lira atribui a inércia de privatizações como a da Eletrobras à proximidade de Maia com os partidos de oposição. Segundo fontes, Lira tem relatado um suposto acordo que teria sido selado com as legendas de esquerda em troca de apoio pela recondução de Maia ao comando da Casa em 2019, o que o presidente da Câmara negou na reportagem.

Diante do ambiente econômico, ele teria preferido priorizar a agenda de reformas e explicou que o fato de não haver votos suficientes no Senado para aprovar a privatização da Eletrobras contribuiu para que o tema não avançasse.

Segundo a XP Política, dada a posição pública do presidente da Câmara, um líder do Senado envolvido no tema teria dito que o processo de privatização será iniciado pelo Senado. Consultado pela equipe da XP no final da manhã desta sexta-feira, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, disse que não foi consultado e que desconhece a informação de que o processo de privatização será iniciado pela Casa.

Na ponta positiva, destaque ainda para o IRB Brasil (IRBR3, R$ 8,21, +12,31%), que liderou os ganhos do pregão, apesar de não ter saído nenhuma notícia. Vale lembrar que na próxima semana a companhia divulga seu resultado do segundo trimestre.

Confira mais destaques:

Cogna (COGN3, R$ 6,56, -0,15%)

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A empresa de educação Cogna registrou um prejuízo líquido ajustado de R$ 140 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 267 milhões em igual período de 2019.

O resultado da empresa foi afetado pela queda da receita, evasão escolar e aumento da inadimplência.

No comparativo anual, a receita líquida recuou 21%, para R$ 1,37 bilhão. Já o Ebitda foi negativo em R$ 139,5 milhões, ante positivo de R$ 267 milhões entre abril e junho do ano passado.

O Credit Suisse destacou a perda de alunos nos campus de ensino superior, que foi de 17% no segundo trimestre em igual período de 2019. A instituição financeira lembrou que a administração da empresa quer recuperar essas matrículas com o investimento em um modelo híbrido e plataformas de aprendizagem.

A Cogna também registrou evasão de aluno do ensino fundamental e médio. “A empresa declara não ter reduzido o quadro de professores, o que levanta uma bandeira vermelha de um possível excesso de custos nos próximos trimestres”, avaliaram, em relatório, os analistas do Credit Suisse.

Os analistas viram como positiva a decisão da Cogna de evitar matrículas com renovação de dívidas antiga, o que elevou a evasão e as provisões para devedores duvidosos, mas também “melhorou a qualidade da base de alunos restante”.

Alliar (AALR3, R$ 11,59, +5,94%)

A Alliar registrou prejuízo líquido de R$ 84,6 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo lucro de R$ 9,6 milhões no ano passado. A receita líquida caiu 48,5%, a R$ 140,3 milhões.

O Ebitda ajustado ficou negativo em 26,5 milhões, ante dado positivo de R$ 73,1 milhões em igual período do ano passado. Sem ajustes, o Ebitda ficou negativo em R$ 34,4 milhões. No segundo trimestre do ano passado, o Ebitda foi positivo em R$ 65,3 milhões.

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A margem Ebitda ajustada foi negativa em 18,9%, ante dado positivo de 26,9% no mesmo período de 2019. A margem Ebitda ficou negativa em 24,5%. No segundo trimestre do ano passado, era positiva em 24%.

O Itaú BBA classificou como negativo os resultados da Alliar, com um Ebitda pior do que o esperado.

A empresa foi prejudicada pelas medidas de isolamento social implementadas para conter o avanço das contaminações pela Covid-19, em especial nos meses de abril e maio.

“A receita líquida caiu 49% no comparativo anual, com volumes fracos, principalmente em abril e maio. No entanto, houve sinais de normalização perto do final do trimestre”, avaliaram, em relatório, os analistas da instituição financeira.

Banco Pan (BPAN4, R$ 8,74, 0,00%)

O Banco Pan divulgou fato relevante para confirmar que vai fazer uma oferta pública de ações, com esforços restritos, de 89,60 milhões de ações preferenciais. Com base no valor de fechamento da ação do dia 20, a operação tem potencial de levantar R$ 783,1 milhões.

Esses recursos não vão para o caixa do banco e sim para o acionista vendedor, a Caixa.

BTG Pactual, Caixa, Credit Suisse e Itaú BBA estão entre os coordenadores da operação.

Qualicorp (QUAL3, R$ 29,67, +7,81%) e Notre Dame Intermédica (GNDI3, R$ 69,17, +5,35%)

A Qualicorp comunicou ao mercado nesta sexta-feira (21) o lançamento de uma parceria comercial para disponibilizar os produtos da Notre Dame Intermédica nos canais de vendas próprios da companhia.

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“Antes restrito aos segmentos PME e Empresarial, a nova parceria permitirá a entrada e oferta de planos da Notre Dame no mix de produtos Qualicorp no segmento coletivo por adesão”, informou a empresa.

A Qualicorp apontou que parceria está em linha com a nova estratégia comercial da companhia de reforço, ampliação e regionalização de seu portfólio de produtos e, “adicionalmente, será importante ferramenta para expansão do atual rol de alternativas e estratégias para fidelização e retenção de clientes”.

De acordo com o Credit Suisse, a parceria é há muito tempo esperada e mutuamente benéfica: fortalece o portfólio da Qualicorp no Sudeste e impulsiona o crescimento orgânico da Notre Dame pós-crise. “É um catalisador para a Qualicorp, mostrando melhorias comerciais esperadas”, apontam os analistas.

Afya

A Afya anunciou a compra da Faculdade Ciências Médicas de Paraíba, em uma transação que adiciona 157 vagas de medicina a seu porftólio. Por isso, a empresa vai pagar R$ 380 milhões.

Desse total, metade será pago no fechamento da transação e o restante em quatro parcelas anuais ajustadas pelo CDI.

Para o Credit Suisse, a aquisição está dentro da expectativa de crescimento não orgânico da Afya.

Já para o Itaú BBA, a aquisição foi positiva e estratégica, uma vez que é mais um passo para a Afya se consolidar no mercado de medicina e ampliar sua presença geográfica no país. “Essa aquisição, combinada com as anteriores, coloca a Afya em 57% de sua meta de expansão de vagas para a faculdade de medicina, de 1.000 assentos adicionais após o IPO.”

JBS (JBSS3, R$ 24,38, -0,20%)

A PGR pediu informações sobre suposto pagamento da JBS a Wassef – advogado ligado à família do presidente Jair Bolsonaro, segundo comunicado no site da PGR. A nota da PGR foi divulgada após reportagem da Crusoé afirmar que JBS pagou R$ 9 milhões a Wassef de 2015 a 2020 e que Bolsonaro pediu para Aras encontrar Wassef para discutir o acordo de delação premiada, que está sob avaliação do STF.

Aras negou ter recebido qualquer tipo de solicitação de Bolsonaro e disse, em nota, que não participou de nenhum dos contatos que trataram de eventual proposta de repactuação do acordo de delação da JBS com envolvimento de Wassef.

Já a empresa disse que os serviços prestados pelo escritório de Wassef tiveram como finalidade atuação em inquéritos na esfera policial e que esses serviços foram prestados e pagos mediante emissão de notas fiscais, a última referente ao ano de 2019.

Suzano (SUZB3, R$ 52,15, -0,19%)

O maior produtor mundial de celulose vê os preços se recuperando em algum momento, embora provavelmente não no curto prazo, disse o diretor financeiro da Suzano, Marcelo Bacci, em entrevista à Bloomberg Asia TV.

A demanda tem sido forte na China e nos EUA, embora “as coisas estejam um pouco mais lentas” na Europa, disse ele. A crescente demanda por tissue na pandemia tem compensado uma
queda nos mercados de papel gráfico.

PagSeguro

A PagSeguro, que tem ações listadas nos Estados Unidos, anunciou a aquisição de 100% da Wirecard Brasil. Os detalhes da operação não foram divulgados pela companhia.

Gafisa (GFSA3, R$ 6,00, +14,29%) e Tecnisa (TCSA3, R$ 11,33, +7,60%)

A fusão entre Gafisa e Tecnisa, se concluída, pode tornar a combinação das duas incorporadoras uma “nova AmBev” do setor, segundo avaliação do investidor Nelson Tanure ao jornal “Valor Econômico”.

Tanure, que é conhecido por sua atuação em empresas em processo de reestruturação financeira ou recuperação judicial, participa do capital da Gafisa por meio da Planner Redwood Asset Management gestora que é a maior acionista da incorporadora, com uma participação de 30%.

Na quarta-feira, a Tecnisa divulgou ter recebido proposta não solicitada da Gafisa de combinação de negócios das duas empresas. Segundo Tanure, a motivação para a busca da associação seguiu lógica de mercado e econômica, uma vez que, juntas, conseguiriam reduzir em quase R$ 100 milhões as despesas e fazer captações com taxas de juros menores.

Bancos e B3 (B3SA3, R$ 60,97, -2,20%)

Conforme informa o Valor Econômico, a Câmara de Municipal de São Paulo aprovou na quarta-feira, em primeira votação, o projeto de lei 309/2020, que eleva o Imposto Sobre Serviços (ISS) para bancos. O projeto prevê a suspensão temporária de benefícios fiscais concedidos às empresas de leasing e de cartão de crédito em decorrência da crise financeira provocada pela pandemia na cidade de São Paulo.

Se aprovado em definitivo, será alterada a alíquota de ISS de 2% para 5% a partir da data em que a proposta entrar em vigor até 31 de dezembro de 2020, e de 2% para 4% em 2021. O benefício fiscal volta a ser concedido em 1° de janeiro de 2022, quando a alíquota voltaria para 2%.

De acordo com o BBI, embora seja um pouco negativo para os bancos, esse projeto de lei pode pesar mais significativamente sobre o B3, uma vez que suspende o benefício fiscal para a empresa até 2022.

“Em outras palavras, o imposto para a  B3 aumentaria para 5% até dezembro de 2020, e iria estar em 4% para 2021, antes que possa voltar a 2% em 2022. O projeto ainda precisa ser votado novamente na Câmara Municipal para ser sancionado pelo prefeito. Ainda há expectativa de que a decisão seja reavaliada pela Câmara Municipal na próxima votação ou não seja sancionada. Se aprovado, seria um fator negativo de curto prazo para B3”, avalia o BBI.

Recomendações

O destaque no radar de recomendações fica para as ações de elétricas. O Bradesco BBI destacou a Ômega (OMGE3, R$ 37,42, +0,05%) como  a “top pick” do setor, com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 54. Já a Engie (EGIE3, R$ 42,70, 0,00%) foi rebaixada de neutra para underperform (desempenho abaixo da média do mercado), com preço-alvo de R$ 43. No caso da Eneva (ENEV3, R$ 48,77, -0,47%), a empresa foi mantida com recomendação neutra, a R$ 52 o preço-alvo para 2021.

No caso da Ômega, o Bradesco BBI vê que os novos projetos podem beneficiar a empresa no futuro, destacando a recente aquisição do complexo eólico do Chuí (antes pertencente à Eletrobras), que deve ajudar a reduzir a volatilidade nesse segmento (os demais de eólica estão no Nordeste).

A justificativa para o rebaixamento da Engie está relacionado ao desempenho recente do papel. Além disso, “com o grande tamanho da capitalização de mercado da Engie, será difícil atender às expectativas de crescimento”.

No caso da Eneva, o Bradesco BBI reconhece que a empresa tem um bom histórico de acumulação de projetos, mas a maior parte do crescimento futuro já estaria no preço do papel.

Já o JPMorgan elevou Alupar (ALUP11, R$ 24,11, +1,69%) para overweight, com preço-alvo de R$ 29 e rebaixou Cemig (CMIG4, R$ 10,81, +3,44%) e Taesa (TAEE11, R$ 28,32, -1,15%) para neutra, com preços-alvos respectivos de R$ 12 e R$ 31.

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