Ações da Cemig caem após acordo para aquisição da Terna

Analistas discordam sobre impactos: do lado positivo, a vantagem estratégica; do negativo, o alto preço

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SÃO PAULO – O acordo para a aquisição de 65,86% do capital total da Terna Participações (TRNA11) pela Cemig (CMIG4) foi recebido com pessimismo entre os investidores. As ações da mineira registram o pior desempenho dentre os papéis que compõem o Ibovespa, com queda de 3,43%, cotadas a R$ 32,90. As units da Terna sobem 17,34%, para R$ 37,02.

Entre os analistas, no entanto, as interpretações foram divergentes. Enquanto uns lamentam o preço alto pago pelos papéis da Terna, outros comemoram as vantagens estratégicas da operação.

Detalhes da operação

De acordo com a companhia, a aquisição das 173.527.113 ações ordinárias da Terna será feita por um total de R$ 2,330 bilhões, o que equivale a R$ 40,29 por unit. A expectativa é de que a compra seja fechada em 30 de setembro deste ano.

Considerando que a operação dispara o direito de tag along, a Cemig deverá realizar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) das ações pertencentes aos minoritários pelo mesmo valor pago ao bloco controlador, o que representa um montante adicional de aproximadamente R$ 1,207 bilhão.

Ademais, a empresa informou que a operação irá aumentar a representação do segmento de transmissão no Ebitda (geração operacional de caixa) dos atuais 6,6% para 17,6%. Além disso, a Cemig prevê que a transação irá elevar sua participação no mercado de transmissão de 5,4% para 12,6%, ocupando o terceiro lugar em termos de RAP (Receita Anual Permitida)

Preço alto

Conforme a análise da equipe do Bradesco, o preço anunciado equivale a um prêmio de 28% sobre o preço de fechamento dos papéis da Terna no último pregão, de R$ 31,55. Os múltiplos P/L (múltiplo que mede a relação entre o preço pago por ação e o lucro projetado para 2009) da operação ficam em 16,7 vezes, acima do consenso para a Terna, de 13 vezes.

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“Embora a Cemig deva ter uma maior previsibilidade em suas receitas, reduzindo a fatia dos negócios de distribuição, na nossa opinião a transação destrói valor em comparação com o consenso de preço-alvo da Terna”, argumenta o banco.

Para os analistas do Bradesco, o baixo Wacc (Custo Médio Ponderado de Capital, na sigla em inglês) usado pela Cemig para precificar as aquisições, abaixo de 13%, aumenta os temores de que a companhia está pagando muito caro pelas operações.

Estratégia acertada

Por outro lado, a equipe de análise da Socopa Corretora acredita que a transação está em linha com a estratégia de crescimento da Cemig, que é pautada por boas oportunidades de aquisições e deve agregar valor ao acionista.

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“A aquisição reafirma a Cemig como a principal consolidadora do setor elétrico, papel que vem desempenhando adequadamente através de forte posição de caixa e análise profunda das oportunidades de investimento”, avaliou a corretora, acrescentando que “o endividamento está em nível controlado, o que deixa espaço para captações que sustentem a negociação com a Terna”.

Recomendações

Assim como as opiniões acerca do acordo, as recomendações de ambas as instituições aos papéis da Cemig também são diferentes. A Socopa sugere a compra das ações ordinárias da empresa, enquanto o Bradesco recomenda underperform (performance abaixo da média do mercado).