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SÃO PAULO – Em reflexo da divulgação de resultados do quarto trimestre de 2011 no sábado (31), as ações da Anhanguera (AEDU3) dispararam 7,14% nesta segunda-feira (2), terminando cotadas a R$ 23,57. Mesmo com números considerados decepcionantes por parte de alguns analistas, as boas perspectivas para o ano de 2012 ajudam a trazer pressão compradora para o papel.
Os números piores do que o esperado refletem a decisão da empresa de adiantar os fatores não-recorrentes por conta da aquisição da Uniban – o que acabou impactando o resultado, mas abriu caminho para números melhores em 2012. “Nós vemos essa iniciativa como bem-vinda, já que deve ajudar a entender os resultados da companhia neste ano”, destacam Thomas Humpert e Mauricio Fernandes, analistas do Bank of America Merrill Lynch.
Perspectivas
A expectativa de Humpert e Fernandes era de queda no preço das ações. Contudo, o mercado parece ter se interessado pela empresa, levando os papéis a ganhos de até 8,64% no intraday, quando eram cotados a R$ 23,90. Além disso, apresentaram um volume de aproximadamente R$ 35 milhões, acima dos R$ 25 milhões, a média dos últimos 21 pregões, denotando forte pressão compradora. Um dos fatores que pode estar colaborando para isso é a expectativa do mercado para este ano.
“Acreditamos que a companhia deverá ter resultados melhores em 2012, quando esforços com fusões e aquisições devem resultar em uma melhor geração de caixa e os resultados não precisarão de ajustes”, afirmam os analistas Luiz Azevedo e Tales Freire, da Bradesco Corretora. Eles lembram que o ciclo de admissões foi forte, com melhoria substancial na captação de estudantes através do FIES (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).
“2012 deve ser um ano muito positivo e transformador para a Anhanguera, clarificando qualquer receio do mercado”, afirma Javier Cerdan, analista do Morgan Stanley. Porém, um outro fato tem de ser lembrado. “A aquisição de novos campus trouxe considerável diluição nas margens, até maiores do que esperávamos”, afirmam os analistas do Bradesco. Para eles, isso pode fazer com que eles revisem suas estimativas para a empresa em breve.
Outra mudança é na política de provisionamento da companhia, que foi alterada para parecer com a adotada pela rival Estácio (ESTC3). “A companhia deve provisionar 100% dos recebíveis atrasados por mais de seis meses”, lembram os analistas do BofA ML. Essa nova política, mais conservadora, fez com que o nível de inadimplência se elevasse no quarto trimestre.
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Recomendações
Mesmo com a revisão esperada, as perspectivas para Anhanguera continuam bastante positivas para a dupla do Bradesco. O preço-alvo projetado é de R$ 44,50, um upside teórico de 88,80% frente ao fechamento desta segunda-feira (2). Já os analistas do BofA ML projetam uma alta ainda maior, de 99,41%, nessa mesma base de comparação, para R$ 47,00.
Também otimista está Cerdan. “Depois de um ano com muitas fusões e aquisições, a Anhanguera possui recebíveis sob controle e uma promessa de parar com aquisições. A demanda está crescendo e os preços estão fortes”, afirma o analista. O preço-alvo projetado pelo Morgan Stanley é de R$ 35,60, o que representaria uma alta de 51,04% frente ao último fechamento.