Acesso a crédito e burocracia são os principais entraves às MPEs, revela Sebrae

Dentre os empreendores brasileiros, 74% desconhecem o microcrédito e 61% nunca tomaram empréstimo bancário

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SÃO PAULO – Empreender no país pressupõe ousadia e coragem. Porém, esses atributos e muitos outros como competência, eficiência e dedicação não são suficientes para que as micro e pequenas empresas brasileiras sejam bem-sucedidas.

Se completar um ano de vida já é um desafio frente a estatísticas assustadoras de média de falência de três em cada dez MPEs, a situação não fica mais fácil nos quatro anos seguintes. De cada dez MPEs, seis fecham suas portas depois de cinco anos de vida.

Maioria dos empreendedores ignora microcrédito

A dificuldade de gerenciamento desses empreendimentos está, sobretudo, na burocracia e na falta de acesso a crédito barato. Segundo uma nova pesquisa realizada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), as MPEs sobrevivem praticamente sem empréstimos ou financiamentos hoje.

Os dados são alarmantes. Dos empresários à frente dessas MPEs, 74% ignoram as opções de microcrédito existentes no mercado e 61% nunca realizaram empréstimos bancários. Dentre os que alegaram conhecer os programas de financiamento (que possuem linhas de crédito de até R$ 10 mil), 88% jamais tentaram obter esse tipo de empréstimo.

Acesso a crédito, além de limitado, emperra na burocracia

E por quê isso acontece? Embora existam essas opções de microcrédito, elas são de amplitude restrita e possuem, muitas vezes, caráter excessivamente burocrático. Só para efeitos de comparação, vale destacar que no Brasil a proporção de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é de 25%, enquanto nos Estados Unidos e na Europa esses índices variam de 60% a mais de 100%.

Ou seja: além da situação macroeconômica do país já ser extremamente delicada, entraves burocráticos emperram de vez o acesso ao crédito. As instituições financeiras insistem em solicitar garantias inviáveis aos microempreendedores. “Temos de aprender a lidar com esse tipo de situação, porque vivemos em um país em que dois em cada três empreendedores são informais”, ressalta Alencar Burti, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-SP.

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Dessa forma, sobreviver é cada vez mais difícil para as MPEs brasileiras que, geralmente, apelam para pré-datados e acabam entrando no limite do cheque especial, que cobra juros de 143% ao ano. O impasse tem proporções estrondosas para o país, já que as micro e pequenas empresas representam 99% dos 4,6 milhões de empresas brasileiras, concentram 67% da população ocupada na atividade privada e respondendo por 20% do PIB nacional.