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Ação sobe 7% na mira de estrangeiros; JBS desaba e educacionais disparam

Confira os principais destaques de ações da Bovespa desta terça-feira

Por  Paula Barra

SÃO  PAULO – O Ibovespa voltou a recuar nesta terça-feira (1) em meio a uma agenda política intensa, com sessão conjunta no Congresso marcada para hoje às 19h (horário de Brasília), na qual está prevista analisar a revisão da meta fiscal deste ano, para um déficit fiscal de até R$ 119,9 bilhões, ante superávit previsto na atual LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de R$ 55 bilhões, além da LDO de 2016.

Além disso, ocorre hoje a votação do parecer do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) sobre o processo de investigação de quebra de decoro parlamentar do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Fora isso, dados ruins do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre do Brasil levou para baixo uma série de projeções de bancos para a economia neste ano e em 2016.

O cenário agitado segue com investigações em empréstimos do BNDES à JBS, que jogaram os papéis da companhia para a sexta queda seguida na Bolsa. Outra do setor de frigoríficos, a Marfrig, também caiu forte nesta sessão. As maiores quedas ainda incluem as ações da Vale, que vêm sendo penalizadas pela Samarco e minério, e Embraer, que recuou após corte de recomendação. 

Do outro lado, interesse de estrangeiros fizeram preço nos papéis da Ecorodovias e BR Malls nesta sessão, enquanto a Estácio subiu com “nova notícia” e puxou as ações da Kroton. 

Confira abaixo os principais destaques corporativos desta sessão:

Vale (VALE3, R$ 12,84, -2,51%; VALE5, R$ 10,37, -2,45%)
As ações da Vale até tentaram operar no positivo mais cedo, mas perderam força e recuaram cerca de 2%, em dia de Vale Day em Nova York – reunião anual com analistas e investidores -, e queda do minério de ferro. 

A mineradora já deu uma prévia do que ocorreria no evento. A companhia cortou nesta manhã sua projeção de produção de minério para uma faixa entre 340 milhões e 350 milhões de toneladas para 2016 e cortou investimento pelo 5° ano seguido, segundo comunicado ao mercado. A previsão da produção anterior, divulgada em dezembro de 2014, era de até 376 milhões de toneladas. A estimativa média de 3 analistas consultados pela Bloomberg era de 344 milhões de toneladas.

A companhia disse ainda, em comunicado, que o acidente na Samarco deve ter um impacto total de US$ 443 milhões em 2016. As ações da companhia reagem hoje também à queda de 1,7% do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, que fechou cotado a US$ 42,24 a tonelada.

Ainda no noticiário da mineradora, a agência de classificação de riscos Fitch rebaixou a nota de crédito da mineradora Samarco, de “BBB” para “BB-“. O tombo de quatro degraus de uma vez levou a companhia para o indesejável grau especulativo. O downgrade, dizem os analistas, reflete a deterioração de crédito à qual a mineradora está exposta.

Também foi alvo da Fitch a própria Vale que, juntamente com a anglo-australiana BHP Billiton, detém o controle da Samarco. Neste caso, não houve alteração de nota, mas a perspectiva caiu para “negativa”. As expectativas são de que a Vale seja afetada direta e indiretamente pelos efeitos do desastre em Mariana (MG).

JBS (JBSS3, R$ 11,68, -5,96%)
As ações da JBS seguiram para sua sexta queda seguida, acumulando perdas de 16,5% no período e batendo seu menor patamar desde fevereiro deste ano. A empresa é impactada por notícias de que o TCU (Tribunal de Contas da União) encontrou indícios de favorecimento da empresa em operação com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). 

 Segundo coluna do Lauro Jardim, do jornal O Globo, o deputado Alexandre Baldy pediu ao TCU a íntegra da auditoria nos empréstimos do BNDES ao grupo JBS. Baldy acredita que ali pode haver fermento para estender a CPI do BNDES, já que sem isso a comissão termina essa semana.  

Ecorodovias (ECOR3, R$ 5,58, +6,69%)
As ações da Ecorodovias ficaram entre as maiores altas do Ibovespa nesta sessão, com estrangeiros de olho na empresa. Segundo fontes disseram à Reuters, o italiano Gruppo Gavio e o francês Vinci SA estão interessados em uma fatia da companhia, cujos controladores precisam levantar dinheiro para pagar dívida.

Gavio, Vinci e Atlantia SpA estão numa lista reduzida para apresentar ofertas pelos 63,99% que a família Almeida possui na Ecorodovias através da holding de investimentos Primav, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque as negociações estão em andamento. A família Almeida está analisando a venda parcial ou total de sua participação na Ecorodovias, segundo as fontes. Outros grupos que têm analisado o negócio são a Arteris, a CCR e a canadense Brookfield Asset Management, acrescentaram as fontes.

A Gavio confirmou que está analisando o negócio. Atlantia, Vinci, Arteris, Brookfield, CCR e Primav, esta última que detém o controle da Ecorodovias, não comentaram. A família Almeida está se desfazendo de sua participação na Ecorodovias para pagar R$ 2 bilhões em empréstimos bancários tomados para comprar a Impregilo SpA três anos atrás, disseram as fontes. Embora a fatia de controle na Ecorodovias seja avaliada em cerca de R$ 1,8 bilhão a preços atuais de mercado, a família quer um “prêmio substancial” para entregar o controle da segunda maior operadora de rodovias do país, disseram duas das fontes. A Ecorodovias tem algumas das maiores operações de rodovias pedagiadas no Estado de São Paulo, incluindo os sistemas Anchieta/ Imigrantes e Ayrton Senna/Carvalho Pinto. Ela também administra a ponte Rio-Niterói.

BR Malls (BRML3, R$ 13,01, +1,48%)
Da mesma forma, a administradora de shoppings BR Malls também ganhou nesta sessão, após a companhia voltar para a mira dos estrangeiros. Segundo informações da Bloomberg, a administradora de shoppings israelense Gazit Globe, que opera no Brasil o Shopping Light e tem participação de 5% na BR Malls, além de edifícios comerciais, está negociando a compra de mais ativos imobiliários na região metropolitana de São Paulo, segundo a presidente da empresa, Mia Stark. A notícia pode trazer reação positiva às ações da BR Malls, já que a Gazit poderá aumentar sua participação na companhia.

Embraer (EMBR3, R$ 29,73, -2,20%)
As ações da Embraer caíram após ter sua recomendação reduzida para underperform (desempenho abaixo da média) pelo Bradesco BBI, com preço-alvo de US$ 30,00 para seus ADRs (American Depositary Receipts), frente US$ 36,00 anteriormente.  

Além disso, a empresa é a que mais perdeu participação na 1ª prévia da carteira do Ibovespa, que vai vigorar a partir de janeiro. Na comparação com a carteira vigente hoje, a empresa perderia 24,47% do seu peso, ou 0,701 em pontos percentuais, passando para participação de 2,165%.  

Estácio (ESTC3, R$ 13,80, +2,91%) 
As ações da Estácio amenizaram os ganhos após subirem 3,95% com a notícia de aprovação de novos polos de ensino a distância. A companhia passa a ter 231 polos de ensino a distância, após a aprovação de mais 61 no fim de novembro, informou a companhia na segunda-feira. A Universidade Estácio de Sá (Unesa) teve mais 45 polos de apoio presencial credenciados para oferta de cursos superiores na distância, conforme publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial da União. Outros 16 polos foram aprovados para o Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, informou a companhia. Até o fim de setembro, a Estácio tinha 170 polos autorizados. 

BTG Pactual (BBTG11, R$ 20,30, -2,87%)
As units do BTG Pactual caíram pelo quinto pregão seguido, acumulando perdas de 34% no período e renovando mínima histórica na Bolsa. Sobre o banco, o mercado segue digerindo uma série de notícias desde que o sócio e ex-presidente André Esteves foi preso no âmbito da Operação Lava Jato, na última quarta-feira.

O banco está negociando a cessão de cerca de R$ 4 bilhões em operações de crédito aos rivais Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), disseram duas fontes com conhecimento direto do assunto à Reuters. 

Os bancos esperam concluir as conversas ainda nesta semana, disseram as fontes, que pediram anonimato, porque as negociações estão em andamento. A operação poderia permitir ao BTG Pactual fortalecer seu balanço, que foi afetado após a prisão de André Esteves, agora ex-presidente-executivo e ex-presidente do Conselho de Administração do grupo, disseram as fontes. 

Além disso, BTG negocia a venda da Estapar e outras empresas com alto retorno, como Rede D’Or e Mitsubishi Motors. A rede de hospitais D’Or estaria em negociação avançada com o fundo soberano de Cingapura (GIC), enquanto corre para vender a Estapar, avaliada em R$ 1,5 bilhão, na qual o BTG tem 67,7%. O próprio GIC estaria entre os interessados no negócio, junto com a JBS e Moving-Vinci.

Leia mais em: BTG Pactual corre para vender empresas

1ª prévia do Ibovespa
As ações da BR Properties (BRPR3, R$ 10,25, -1,91%), Santander (SANB11, R$ 14,70, -0,68%) e Gol (GOLL4, R$ 3,37, -1,17%) recuaram após serem excluídas da 1ª prévia do Ibovespa, divulgada hoje, que vai vigorar de janeiro a abril. Por outro lado, a Weg (WEGE3, R$ 15,89, +4,54%) – única ação incluída no índice – registrou alta hoje. Vale menção que as ações da Souza Cruz (CRUZ3, R$ 27,59, -0,04%) também deixaram o índice, mas por conta da OPA (Oferta Pública de Aquisição) de suas ações.  

As ações da Weg subiram pela segunda vez em três dias, que tem no radar também um contrato para fornecer aerogeradores para o complexo Santo Inácio, da Aliança, parceria entre Vale e Cemig.

Já sobre a BR Properties ocorreu um “block trade” para vender ações entre às 16h45 e 17h. Foram vendidos todos os 17.800.000 papéis esperados a um preço de R$ 10,25, ficando acima do valor esperado de R$ 10,22 por ação.

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