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SÃO PAULO – Após apresentar queda por mais de 1 hora e meia de pregão, o Ibovespa virou para alta nesta quarta-feira (2), destoando das bolsas do exterior, que acentuam as perdas com preocupações sobre o acordo do teto da dívida dos EUA. Às 12h38 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira avançava 0,40%, a 53.394 pontos.
O principal destaque desta sessão fica com as ações da Oi (OIBR3; OIBR4), que disparam com o anúncio de fusão com a Portugal Telecom. Os ativos ordinários da operadora de telefonia registram ganhos de 9,40%, a R$ 4,89, enquanto os preferenciais sobem 11,61%, a R$ 4,71.
As empresas anunciaram nesta madrugada uma megafusão através da criação da CorpCo, que será resultado da combinação dos negócios da Oi no Brasil e da Portugal Telecom em Portugal e na África. As companhias estimam sinergias operacionais e financeiras de cerca de R$ 5,5 bilhões.
Os papéis da TIM (TIMP3, +0,65%, R$10,77) também seguem em alta. De acordo com o JPMorgan, os investidores poderão analisar a fusão da Oi e a Portugal Telecom como uma medida preventiva no caso da TIM Brasil ser repartida. Para o JP, se a CorpCo, fruto da fusão, compre hipoteticamente um terço da TIM com um prêmio de 50% das sinergias o negócio ainda se justificaria.
Rossi sobe após desinvestimentos de ativos
Ainda no campo positivo, as ações da Rossi (RSID3) registram ganhos de 3,75%, a R$ 3,32 – patamar máximo do dia. A empresa comunicou que celebrou contrato para venda de participação no North Shopping Jóquei, em Fortaleza. O valor da transação será de R$ 80 milhões, mas descontadas as obrigações necessárias para a conclusão do empreendimento o valor recebido pela Rossi será de R$ 56 milhões. A operação ainda depende da aprovação do Cade.
Segundo os analistas Eduardo Silveira e Gabriel De Gaetano, do Banco Espírito Santo, a notícia é positiva, uma vez que a empresa está desinvestindo em ativos que não fazem parte do seu core business, o que vai contribuir para reduzir sua alavancagem. De acordo com dados de junho, a relação entre a dívida líquida da empresa e seu patrimônio líquido era de 122%. Os analistas esperam uma reação positiva para as ações no curto prazo.
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As ações de outras imobiliárias também acompanhavam o movimento positivo, como é o caso de: MRV Engenharia (MRVE3, +2,30%, R$ 9,36) e Gafisa (GFSA3, +1,62%, R$ 3,77).
Grupo “X”: OGX, LLX e MMX operam no negativo
Por outro lado, as ações das empresas do Grupo EBX, de Eike Batista, operam no negativo nesta sessão. Lideram as perdas do Ibovespa as ações da OGX Petróleo (OGXP3), LLX Logística (LLXL3) e MMX Mineração (MMXM3), com quedas de 4,17%, 2,44% e 2,68%, respectivamente, sendo cotadas a R$ 0,23, R$ 1,61 e R$ 1,45. Fora do índice, os papéis da CCX Carvão (CCXC3, +4,70%, R$ 1,56) e OSX Brasil (OSXB3, +3,39%, R$ 0,61) operam no positivo.
Segundo informações do Valor Econômico, o não pagamento dos juros dos bônus da OGX no valor de US$ 44,5 milhões não levará a companhia diretamente para recuperação judicial. O grupo ainda tentará uma “última cartada” em reuniões com credores e investidores na próxima semana, em Nova York. O jornal ainda destacou que o calote pode contaminar outras empresas do grupo e está gerando tensões entre credores. Na véspera, a empresa teve seu rating rebaixado pela Standard & Poor’s para “D”.
Ambev recua após dados do setor
No mesmo sentido, as ações da Ambev (AMBV4) registram perdas de 1,11%, sendo cotadas a R$ 84,67. Os papéis refletem os dados de produção de cerveja de setembro, que recuaram mais um mês. Após cair 5,3% em agosto, a produção do setor encolheu 3,9% em setembro, na comparação anual, segundo dados preliminares do Sicobe, da Receita Federal.
Apesar da queda, agentes do setor (supermercados e redes de bares, principalmente) comentam que a demanda não está tão fraca quanto os dados da Sicobe, pois houve um movimento de realinhamento de preços antes do possível aumento de impostos. Comenta-se em reajustes de até 8% na ponta para bares.
Iguatemi sobe após aumentar participação em shopping
Fora do Ibovespa, as ações da Iguatemi chamam atenção, com ganhos de 2,67%, a R$ 24,93, após atingirem valorização de 3,33% na máxima do dia, sendo cotadas a R$ 25,11.
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A Iguatemi assinou contrato para aumentar em 30% participação no Shopping Center Galleria, em Campinas (SP), e do terreno adjacente ao shopping. O empreendimento foi avaliado em R$ 278,7 milhões. A Iguatemi desembolsará R$ 83,6 milhões pela aquisição. A operação ainda está sob análise do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O Banco Espírito Santo e a Planner Corretora avaliaram a aquisição como positiva. Segundo os analistas do BES, a compra dará à Iguatemi as operarações do shopping, colocando-a em posição dominante na região de Campinas. Isso resultaria numa adição de 2% no NOI (Lucro operacional antes de pagamento de impostos e juros, incluindo a receita de serviços) estimado para a empresa em 2013, de R$ 7,1 milhões.