"Estrela do show"

Ação da MRV (MRVE3) fecha em alta de 3,8% após ter recomendação elevada pelo Credit: “compre MRV e leve AHS de presente”

Analistas veem ação a patamares atrativos e destacam potenciais da operação americana, que deve ser a “estrela”; enquanto isso, MRV Brasil segue pressionada

Por  Equipe InfoMoney -

A ação da MRV (MRVE3) registrou uma sessão de ganhos nesta quarta-feira (25) após sua recomendação ter sido elevada de neutra para outperform (desempenho acima da média do mercado) pelo Credit Suisse. O preço-alvo foi elevado de R$ 15 para R$ 16, o que corresponde a um potencial de valorização de 70% em relação ao fechamento da véspera. Os ativos MRVE3 fecharam com alta de 3,83%, a R$ 9,76, após avançarem até 5,85% na máxima do dia.

De acordo com os analistas Pedro Hajnal e Vanessa Quiroga, que assinam o relatório do Credit, a MRV tem sido um case bastante interessante de uma empresa tradicional brasileira que está mudando e ganhando relevância no exterior, a partir de sua operação com a AHS nos Estados Unidos. “Compre MRV e ganhe AHS como um presente”, apontou o banco no título do relatório em que elevou a recomendação para o papel.

Após conversarem com a equipe de análise do banco especializada no mercado imobiliário americano para entender e precificar melhor esta área da construtora, os analistas apontam que a AHS pode representar 60% e 55% do lucro líquido em 2022 e 2023, respectivamente.

Os níveis de hipoteca no país estão subindo (alta de 2 pontos percentuais desde janeiro, para 5,4%) e parece natural esperar uma migração da demanda de propriedade para aluguel. Os preços de aluguel também tiveram alta (de 16% na base anual). Assim, os analistas avaliam ser provável que os investidores busquem um caminho de adquirir imóveis para posteriormente alugar.

A demanda do mercado parece bem alta, com os analistas estimando entre 1,2 e 1,3 milhão de casas nos próximos três anos vindo de formação de famílias. Também existe uma demanda de 1 milhão de casas que ficou represada no período da pandemia. Já o nível de vacância está próximo do mínimo histórico de 6%, indicando que a demanda está forte.

A AHS opera atualmente na Flórida, Texas e Georgia, regiões que têm mostrado crescimento dos preços de aluguéis, da ordem de dois dígitos.

Assim, o caminho de investidores de renda fixa comprarem imóveis para alugar parece bastante natural. Assim, a pergunta principal que o Credit faz é: quanto a AHS pode valer?

Os analistas montaram um modelo separado de AHS com postura conservadora, estabilizando a AHS em 9 mil unidades com 7,7 mil delas vendidas, bem abaixo do plano da MRV de 12 mil. Entre outros parâmetros, chegaram a um valor de R$ 8 no modelo de precificação de ações, representando 50% do preço-alvo total de R$ 16 que os analistas possuem para MRV.

Hajnal e Vanessa ainda lembram que, no momento em que a MRV fez a aquisição, a AHS tinha US$ 410 milhões de projetos em desenvolvimento no Sul da Flórida; três anos depois, já se fala em US$ 1 bilhão de projetos em desenvolvimento em três estados diferentes.

Por outro lado, a visão é mais cautelosa com a operação de baixa renda da MRV no Brasil, principalmente em função do cenário inflacionário, que deve pesar em margens até o final do ano, com a margem bruta esperada para 2022 a 20,5%.

“Enxergamos a empresa entregando uma margem bruta de 30% no longo prazo, mas essa recuperação deve demorar algum tempo. No médio prazo, a AHS deve ser a estrela do show”, avalia, reiterando que, pelo preço atual (no fechamento da véspera a R$ 9,40), compra-se a ação da MRV e ganha a AHS.

No início do ano, o Bradesco BBI reforçou a sua preferência pela ação da MRV no setor de construção através de uma avaliação “por soma das partes” (dos segmentos da companhia).

“Compre AHS+Luggo e ganhe MRV Brasil por centavos”, destacaram os analistas Bruno Mendonça, Hugo Grassi e Pedro Lobato, que também possuem recomendação outperform para MRVE3, com preço-alvo de R$ 21 (potencial de alta de 123% frente o fechamento da véspera). Os analistas, na ocasião, também destacaram a MRV Brasil como um dos maiores contratempos à tese.

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