Destaques da bolsa

Após chegar a subir 4%, Vale zera ganhos com aversão ao risco no exterior; MRV cai e Gafisa dispara 5%

Confira os destaques da B3 na sessão desta terça-feira (3)

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SÃO PAULO – A sessão desta terça-feira foi, mais uma vez, de forte volatilidade para o mercado de ações. A decisão emergencial do Federal Reserve de cortar os juros fez com que o Ibovespa reagisse positivamente num primeiro momento, para depois voltar a cair com análises de que, para tomar uma medida tão drástica, os integrantes do Comitê de Política Monetária do banco central americano está vendo muito mais riscos no radar.

Com isso, papéis que até então registravam fortes ganhos, caso de Vale (VALE3) com a recomendação do Morgan Stanley sendo elevada, zeraram a alta. A Petrobras, que oscilava entre leves perdas e ganhos, passou a cair.

Enquanto isso, a Hypera (HYPE3) seguiu alta, mas amenizou a variação. Na véspera, os ativos dispararam 16,62% após a aquisição de ativos da Takeda no Brasil e na América Latina.

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Enquanto isso, MRV (MRVE3) e BRF (BRFS3) intensificaram a queda. Os papéis já registravam queda em boa parte da sessão após o balanço do quarto trimestre. A Gafisa, por sua vez, que viu os papéis subirem até 12% na sessão, amenizaram fortemente os ganhos, mas ainda registraram alta.

Confira os destaques:

Gafisa (GFSA3)

A Gafisa dispara após o Cade aprovar compra da Upcon. Segundo o comunicado, foi assinado ainda acordo de investimento complementar entre Upcon e Gafisa, contendo maiores detalhamentos dos termos e condições da operação, e dos atos necessários à sua conclusão, dentre as quais a convocação de Assembleia Geral para deliberar acerca da incorporação, o que deverá ocorrer nos próximos 30 dias.

Vale (VALE3)

O Morgan Stanley elevou a recomendação para os ADRs (American Depositary Receipts) da Vale de equalweight para overweight, com preço-alvo de US$ 13,50 por ativo. “Estimamos que as ações da Vale agora descontem totalmente todos os passivos potenciais relacionados ao colapso da barragem de Brumadinho. Vemos a forte geração de fluxo de caixa e o aprimoramento das práticas ESG como dois importantes fatores da nova classificação. Esperamos que os dividendos sejam retomados no segundo semestre”, avaliam os analistas, que apontam que a ação agora está muito barata para ser ignorada.

Azul (AZUL4)

A Azul aprovou na noite de ontem o subarrendamento de 28 jatos bimotores E-195 da sua frota para a empresa aérea americana Breeze Aviation, uma start-up. A Azul possui 53 jatos E-195 (que a empresa chama de E-1). O objetivo da Azul é substituir a frota inteira por jatos E-2, uma versão mais econômica e moderna do 195 da Embraer, que tem custo de viagem 14% menor. A Azul planeja substituir a frota até 2027, o que proporcionará à empresa uma economia de R$ 2,9 bilhões no período. Os E-195 restantes deverão ser subarrendados para a empresa aérea LOT, da Polônia.

BRF (BRFS3)

A BRF, controladora das marcas Sadia e Perdigão, publicou balanço do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro. Os números não recorrentes vieram muito fortes. No quarto trimestre do ano passado, a BRF teve um lucro líquido de operações continuadas de R$ 690 milhões, enquanto no ano inteiro o resultado líquido foi de R$ 1,2 bilhão.

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Descontado o efeito não recorrente, isto é, os créditos do PIS e da Cofins sobre o ICMS, o lucro líquido recorrente em 2019 foi menor, de R$ 297 milhões, mas o primeiro lucro anual desde 2015, e de R$ 680 milhões no quarto trimestre. Em 2018, o prejuízo anual foi de R$ 4,4 bilhões.

O lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) avançou 67,7% no quarto trimestre do ano passado, para R$ 1,4 bilhão, enquanto em 2019 inteiro o Ebitda cresceu 115,9% sobre 2018, para R$ 5,3 bilhões. Os resultados são muito fortes porque a empresa incorporou os ganhos líquidos de R$ 884 milhões, de créditos tributários referentes ao PIS e à Cofins sobre a base do ICMS.

A receita líquida no quarto trimestre avançou 12,1% para R$ 9,2 bilhões, enquanto no fechamento de 2019 teve alta de 10,8% sobre 2018 para R$ 33,4 bilhões. A BRF encerrou 2019 com uma posição caixa sólida, de R$ 5,5 bilhões. Mesmo totalmente descontados os créditos tributários – a maioria incorporada no segundo e terceiro trimestres do ano passado – os resultados da empresa vieram robustos. A alavancagem, que estava perigosa em 2018, de 5,12 vezes (5,12x) da dívida líquida sobre o Ebitda em 2018, foi reduzida pela metade, para 2,50 vezes (2,50x) em 2019, o que é um nível suportável.

Em 2018, a BRF fechou o ano com um prejuízo de R$ 1,2 bilhão, revertido em 2019 para o lucro não recorrente de R$ 1,2 bilhão – como citado acima, se levados em conta apenas fatos recorrentes, o lucro líquido é de R$ 297 milhões.

“Ao perseverarmos na nossa estratégia, fomos capazes de reverter o prejuízo registrado em 2018 e preparar a BRF para o futuro”, diz a mensagem do Conselho da gigante de alimentos.

A empresa afirma que a virada ocorreu com ganhos de escala nas suas compras de commodities (usadas na alimentação das granjas e pocilgas), rígido controle dos estoques, otimização do mix de produtos e aumento da rentabilidade dos canais de vendas.

A BRF atualizou ainda, seu guidance de alavancagem, relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, ao final de 2020 para uma faixa entre 2,35 vezes e 2,75 vezes. A estimativa anterior da companhia estava em 2,65 vezes. O cálculo, acrescenta a BRF, desconsidera efeitos tributários relevantes. Em 2019, a alavancagem da empresa ficou em 2,5 vezes.

A decisão, acrescenta a empresa em fato relevante divulgado pela manhã, é resultado da revisão de suas premissas futuras para o mercado de câmbio, commodities, notadamente milho, e de proteínas, “incluindo os efeitos da peste suína africana na Ásia, os recentes casos de gripe aviária na Europa, Ásia e Oriente Médio e os impactos conhecidos até o momento do coronavírus no mundo, dentre outros”.

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A última atualização do guidance da BRF havia ocorrido em novembro, quando sua estimativa de alavancagem para 2019 foi atualizada de 3,15 vezes para 2,75 vezes.

A XP Investimentos avaliou os resultados da BRF como  em linha com as projeções para o quarto trimestre de 2019. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou 2,8% superior para a operação brasileira e 2,7% superior para a operação internacional – com exceção dos países de alimentação Halal, ou de preceitos islâmicos, onde houve queda de 14%.

No balanço, a BRF explicou que a queda aconteceu porque o Iraque bloqueou temporariamente importações vindas da Turquia e porque a fábrica de Abu Dhabi não pôde exportar, também temporariamente, para a Arábia.

A XP ressalta que nos outros mercados internacionais a BRF superou as expectativas, com um crescimento de 92% nos volumes exportados para a China. “No Brasil, a receita líquida com o período de festas cresceu 10,1% na base anual como resultado do ajuste de preços (+15%), vendas recordes de kits, e diversificação do mix”, avalia a XP. A XP mantém a recomendação de compra para o papel BRFS3.

MRV (MRVE3)

A construtora e incorporadora imobiliária MRV divulgou balanço e informou que no quarto trimestre de 2019 teve lucro líquido de R$ 151 milhões, uma queda de 20,7% sobre igual período de 2018. Outros números da construtora mineira também mostraram retração: o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 231 milhões no quarto trimestre de 2019, queda de 15,4% sobre o mesmo período do ano anterior.

Se os números do quarto trimestre da MRV foram piores, no ano inteiro de 2019 eles mostraram um avanço relativo. A receita líquida da empresa cresceu 11,7% para R$ 6 bilhões, enquanto o Ebitda avançou 2,1% para R$ 1 bilhão.

Como a empresa apontou, “houve queima de caixa” por causa do “descasamento entre produção e repasse e o desembolso com terrenos”. A construtora produziu 39,6 mil unidades em 2019, enquanto os repasses somaram 33,5 mil unidades, resultando “em um descasamento de 6.421 unidades e em um aumento temporário de estoque”.

Para 2020, a MRV reforçará sua atuação nos empreendimentos Luggo, imóveis que constrói nas capitais para depois alugar. Como dado positivo, a empresa conseguiu reduzir em 50% os distratos entre 2018 e 2019, de R$ 990 milhões para R$ 489 milhões.

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Os bancos Itaú BBA e Bradesco BBI avaliaram como negativos os resultados da construtora e incorporadora imobiliária. Embora as avaliações sejam negativas, ressaltaram que a empresa pode melhorar o desempenho em 2020 e por isto as recomendações foram mantidas.

Segundo o BBA, os resultados pioraram no quarto trimestre de 2019 e não alcançaram as projeções. “A receita líquida recuou 9% na base trimestral e 7% na anual. Provavelmente, a queda na receita ocorreu por um recuo nas pré-vendas e uma desaceleração na produção de unidades”, avalia o BBA. “O lucro líquido de R$ 151 milhões (no quarto trimestre) chegou 8% abaixo das nossas projeções”, comentou o banco.

O BBA elogiou o Luggo, um modelo de negócios que mistura fundo imobiliário e aluguel de imóveis feitos pela construtora, mas comenta que os resultados da iniciativa foram prejudicados por desempenho mais fraco nos preços das ações. O BBA avalia que a MRV tem potencial para recuperar terreno em 2020. Por isto, não alterou a recomendação do papel MRVE3, que continua “outperform” (acima da média) com preço-alvo de R$ 24,50 para a ação. O preço-alvo projeta uma alta de 25,7% sobre os R$ 19,49 de fechamento da véspera.

Já o Bradesco BBI ressaltou que a MRV adotou uma linha mais correta, dadas as condições de mercado, ao priorizar lançamentos e obras para a classe C, mas notou que as margens deverão permanecer sob pressão em 2020, o que deve levar a uma lucratividade mais baixa.

“Por causa das restrições de crédito no FGTS e no programa Minha Casa, Minha Vida, a MRV deverá aumentar seus financiamentos não garantidos para sustentar suas operações. Priorizar o segmento mais popular é o correto, mas ele só representa 20% do total de unidades da MRV”, avalia o BBI. O banco também manteve a recomendação neutra para o papel MRVE3, com um preço-alvo de R$ 18,00 para a ação em 2020 – que representa uma queda de 8% sobre o fechamento de ontem na B3 (R$ 19,49).

Vulcabras (VULC3)

A Vulcabras Azaleia publicou balanço na noite de ontem. A empresa teve um crescimento de 8,9% nos volumes produzidos em 2019, com a fabricação de 27,2 milhões de pares de calçados – ante 25 milhões em 2018. Já o resultado financeiro, embora positivo, mostrou que a margem está apertada para os fabricantes brasileiros de calçados.

A empresa reportou um lucro líquido de R$ 45 milhões no quarto trimestre de 2019, uma queda de 2,4% em comparação a igual período de 2018. No fechamento de 2019, a fabricante de calçados também teve pequena queda no lucro líquido, de 5,9%, para R$ 143,1 milhões.

A receita líquida cresceu 5,6% para R$ 343 milhões no quarto trimestre do ano passado, sobre igual período de 2018; no fechamento de 2019, o faturamento líquido da Vulcabras Azaleia teve expansão de 8,9% para R$ 1,3 bilhão. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 222,5 milhões em 2019, um declínio de 2,1% sobre 2018. No balanço, a Vulcabras Azaleia destaca que o varejo calçadista no Brasil cresceu 0,1% em 2019, ou seja, ficou estável.

Helbor (HBOR3)

O Itaú BBA iniciou recomendação para as ações da Helbor com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 4,50, destacando que o portfólio de terrenos premium da companhia em São Paulo pode suportar uma forte expansão em lançamentos e de margens, enquanto as vendas de estoque provavelmente serão menos prejudiciais aos resultados, levando a um rápido crescimento dos ganhos.

Sabesp (SBSP3)

A Sabesp, empresa de água e esgoto do Estado de São Paulo, criticou a “possível alteração das regras do jogo” por parte da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). A crítica consta em documento, divulgado na noite de segunda pela empresa, com seus comentários à consulta pública aberta pela Arsesp, no dia 8 de fevereiro, para a agenda regulatória de 2020-2021.

No documento, a Sabesp diz que essa mudança na base de remuneração regulatória “é altamente indesejável, com efeitos adversos que aumentam a percepção do risco regulatório no setor de saneamento brasileiro.”

Até o segundo semestre de 2020, a Arsesp planeja concluir uma revisão da metodologia da “base blindada” que faz parte da base de remuneração da companhia no âmbito da 3ª revisão tarifária da Sabesp – que vai até o período de junho de 2016. O objetivo da agência é atualizar a metodologia da “base blindada” – os valores dos ativos aprovados por laudo de avaliação ajustados após a fiscalização regulatória, incluindo baixas e depreciação.

Para a Sabesp, que não traz no documento projeções sobre o impacto financeiro desta possível mudança em seu balanço, não há necessidade de se estabelecer uma nova metodologia desta base. “A decisão de rever a base blindada não fornece garantias claras e aplicáveis aos investidores de que a estrutura regulatória que rege seus investimentos permanecerá inalterada”, diz o documento da Sabesp.

“Para enfrentar essa questão, é essencial que os princípios de atuação do regulador cumpram sua função econômica, garantindo a estabilidade regulatória necessária para permitir o planejamento futuro das decisões de investimento em saneamento”, acrescenta a Sabesp, que solicita a exclusão deste item da agenda regulatória.

Stone

A Stone, cuja ação é negociada na Nasdaq, registrou um lucro líquido de R$ 804,2 milhões em 2019, enquanto o lucro ajustado foi de R$ 857,1 milhões. No quarto trimestre do ano passado, o lucro totalizou R$ 264 milhões, crescimento anual de 107,7%. O lucro ajustado para o mesmo período foi de R$ 275 milhões, alta de 76,4%.

No ano, a receita total foi de R$ 2,576 bilhões, alta de 63,1%, registrando uma alta de 47,9% nos últimos três meses, para R$ 782,9 milhões.

O Itaú BBA comentou que os resultados da Stone Pagamentos vieram “robustos” com um crescimento de 51% no volume total de pagamentos no quarto trimestre. Segundo o BBA, o lucro líquido trimestral chegou 18% acima das projeções e a expansão da base de clientes, de 67 mil no trimestre, elevou para 495 mil o total de clientes da empresa, “o que representou um crescimento de 85% sobre a base de 2018”. O BBA espera que a Stone mantenha a tendência no curto prazo, mesmo em um ambiente mais competitivo. O BBA colocou o papel STNE sob revisão. O preço da ação negociada na NYSE é de US$ 43,66.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)