Destaques da bolsa

Ação da Usiminas sobe com resultado e Petrobras cai 3% com corte na produção; Gol salta 6% após dados da Anac

Os destaques do mercado na sessão desta sexta-feira (26)

SÃO PAULO – A temporada de balanços do segundo trimestre de 2019 encerrou a sua primeira semana com a repercussão dos números de Usiminas (USIM5), Ecorodovias (ECOR3), Fleury (FLRY3) e, fora do Ibovespa, os investidores digeriram o balanço da Minerva (BEEF3). 

As ações de Usiminas registraram ganhos, com a avaliação de que os números, ainda que fracos, foram melhores do que o esperado, enquanto Ecorodovias também avançou com o resultado considerado sólido. Fleury e Minerva, por sua vez, registraram quedas. 

Porém, quem chamou a atenção no pregão foi a Petrobras (PETR3;PETR4), cujas ações tiveram forte baixa na esteira dos dados de produção da companhia – o resultado será dia divulgado na próxima quinta-feira (1), após o fechamento do mercado.

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Já entre os destaques de alta da sessão, os papéis da Gol saltaram mais de 6% com os dados de participação no mercado apresentados pela Anac, construtoras subiram e a ação do Magazine Luiza  (MGLU3) renovou máxima histórica no intraday ao superar os R$ 253. 

Confira os destaques do mercado e as análises dos resultados divulgados: 

Construtoras

As construtoras registraram uma sessão de alta nesta sexta, com destaque para Cyrela (CYRE3), MRV (MRVE3), Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3). 

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro apontou que não descarta que parlamentares façam mudanças na Medida Provisória (MP) que libera saques de até R$ 500 de contas ativas e inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Bolsonaro defendeu que o governo buscou atender 82% das pessoas cujo o saldo na conta do FGTS é abaixo de R$ 500. “Alguns falam que eu atendi interesse de construtoras. Não, eu atendi interesse do povo não majorando isso. E nós temos que ter recursos para continuar o programa Minha Casa Minha Vida, que é muito importante para quem não tem onde morar. Essa que é a nossa intenção”, afirmou.

Gol (GOLL4), Smiles (SMLS3) e Azul (AZUL4)

As ações do setor tiveram mais uma sessão de forte alta. Hoje, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou números apontando que, sem a Avianca, a Azul registrou aumento de 28,7% no tráfego de passageiros em voos domésticos em junho, na comparação com o mesmo mês de 2018. Com isso, a participação de mercado da companhia aumentou de 18,8% para 25,4%. Já a Gol registrou aumento de 6,6% no transporte de passageiros no mês passado. Sua participação de mercado subiu de 35,8% para 40%.

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Usiminas (USIM5)

A Usiminas reverteu o prejuízo líquido de R$ 19 milhões do segundo trimestre de 2018 em lucro líquido de R$ 171 milhões de abril a junho. A companhia siderúrgica mineira apresentou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 576 milhões, alta de 11% na mesma comparação, com margem de 16%; estável sobre o segundo trimestre de 2018 e 2 pontos porcentuais acima do primeiro trimestre deste ano.

O critério ajustado considera a participação proporcional de 70% da Unigal e outras controladas em conjunto.

A receita líquida teve alta de 15% para R$ 3,694 bilhões ante o segundo trimestre do ano passado.

O volume de vendas de aço aumentou 8% no segundo trimestre, para 1,059 milhão de toneladas, e o de minério de ferro cresceu 28%, para 1,772 milhão de toneladas.

O resultado financeiro do período foi negativo em R$ 84 milhões, uma redução de 38,3% em relação ao trimestre anterior, o que a administração atribui “à receita financeira decorrente da reversão de juros sobre passivos contingentes no período, em função de decisões favoráveis à companhia e por encerramentos de processos por acordos efetuados, que no segundo trimestre totalizou R$ 31 milhões, contra R$ 8 milhões no primeiro trimestre.”

De acordo com Betina Roxo, analista da XP Research, os resultados da Usiminas foram fracos, mas ainda assim melhores do que o esperado, com o Ebitda ajustado 4% acima do consenso. O principal motivo para a surpresa positiva foram os resultados de exportação da siderurgia, com volume de 110 mil toneladas. 

Entretanto, avalia, os dados continuam fracos no âmbito doméstico. “O ambiente continua desafiador, com volumes fracos e dificuldade para as siderúrgicas implementarem aumentos de preço, o que deve manter os resultados da Usiminas pressionados ao longo do terceiro trimestre”. 

Já de acordo com o Bradesco BBI, “os resultados não foram ruins, mas também não foram bons” e, olhando para a frente, o Ebitda deve seguir pressionado em meio ao cenário de demanda doméstica fraca, custos sob pressão e preços de aço mais baixos com os recentes descontos para as distribuidoras. 

Assim, os analistas do banco apontaram maior ceticismo com a possibilidade da companhia entregar uma alta no Ebitda e desalavancagem em 2019, o que leva à recomendação neutra para os ativos com preço-alvo de R$ 11, uma alta de 24% frente os patamares de R$ 8,80 negociados hoje para a ação. 

Também apontando o resultado como neutro, o Itaú BBA avaliou que a geração de caixa sofreu devido a maiores necessidades de capital de giro em estoques e contas a receber. 

Entre os destaques da teleconferência, o banco destacou que os diretores da companhia estão cautelosamente otimistas em relação a uma melhora nas vendas domésticas de aço à frente, mas esperam estabilidade no terceiro trimestre.  Além disso, a Usiminas vê resultados mistos no curto prazo, com os preços e custos do aço subindo entre 2% e 3% e entre 3% e 4% em relação ao trimestre anterior, respectivamente. Já os desafios na obtenção de licenças de operação podem afetar a produção de minério de ferro para todo o ano de 2019.

Minerva (BEEF3)

A Minerva Foods apresenta prejuízo líquido de R$ 113,3 milhões no segundo trimestre, o que representa uma redução de 87,8% sobre o resultado também negativo de um ano atrás, porém piora de 260,8% sobre o primeiro trimestre deste ano, quando a cifra negativa foi de R$ 31,9 milhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia de proteína ficou em R$ 363,9 milhões, 3% acima do segundo trimestre do ano passado e 10,7% maior que no primeiro trimestre. A margem Ebitda fechou junho em 9,0%, ante 9,5% há um ano e 8,8% em março.

No segundo trimestre a receita líquida chegou a 4,024 bilhões, 7,7% acima do mesmo período do ano passado.

Em informe de resultados, a companhia destaca que pelo sexto trimestre consecutivo o fluxo de caixa livre foi positivo, após despesas financeiras, Capex e capital de giro, cifra de R$ 99,8 milhões ao final de junho.

A alavancagem, medida pela razão dívida líquida/Ebitda dos últimos 12 meses, foi de 3,8 vezes, estável em relação ao primeiro trimestre e queda de 1,2 ponto porcentual ante um ano.

Em nota à imprensa, a companhia destaca que a divisão Athena Foods – das unidades na Argentina, Uruguai, Paraguai Colômbia, além de distribuição no Chile, Paraguai, Colômbia e Argentina – respondeu por 43% da receita bruta da companhia, R$ 1,9 bilhão, montante 17,1% acima do segundo trimestre de 2018.

A Minerva entregou um resultado positivo neste trimestre, aponta a Coin, destacando o aumento da receita com a melhora nas suas três divisões e grande crescimento no volume de exportações, com o mercado asiático sendo o destaque. O Ebitda também veio melhor, entretanto, a margem acabou sendo afetada por maiores despesas.

“Por fim, o seu resultado final continuou negativo, mas apresentou melhora significativa quando comparado ao mesmo período de 2018. Vale destacar que a companhia possui cinco plantas habilitadas para suprir a demanda chinesa, localizadas no Brasil, Argentina e no Uruguai. Outro ponto, agora do lado negativo, é que a empresa permanece com alta alavancagem”, afirmam os analistas da Coin. 

Fleury (FLRY3)

O laboratório Fleury registrou lucro de R$ 77,1 milhões no segundo trimestre, resultado 11% abaixo do reportado no mesmo intervalo do ano passado. A empresa informou ainda um lucro recorrente de R$ 90,3 mi (+4,2%), enquanto o Ebitda recorrente somou R$ 190,6 mi (+6,6%), com margem de 26,2%. 

O Ebitda, margens e lucro líquido vieram menores por conta das despesas com a incorporação de suas recentes aquisições e de seu plano de abertura de unidades.

Enquanto isso, a  receita líquida cresceu 8,2% se comparado com o segundo trimestre de 2018, refletindo principalmente a marca Fleury e os esforços na maturação de suas unidades de atendimento.

O Fleury anunciou ainda juros sobre o capital próprio, líquidos do imposto de renda retido na fonte, imputados ao dividendo obrigatório relativos ao exercício de 2019, de R$ 63,308 milhões, correspondente ao valor bruto por ação de R$ 0,20027041425. Farão jus os acionistas listados em 30 de julho e a ações ficam “ex” no dia seguinte. O pagamento acontece em 4 de outubro.

A avaliação da maior parte dos analistas é de o resultado foi em linha com o esperado, com a confirmação do crescimento de vendas nas mesmas lojas da marca Fleury. Contudo, ainda há perda de fatia de receita, pressionando as margens, somando-se à piora na geração de caixa com o menor capital de giro. 

Segundo o Morgan Stanley, os fundamentos sólidos da companhia já foram precificados. “A direção estratégica e a forte execução refletiram-se em margens mais altas apesar da estratégia de expansão”, afirmam os analistas; os papéis FLRY sobem 24% no ano, ante 17% do Ibovespa. 

EcoRodovias (ECOR3)

A Ecorodovias teve lucro de R$ 58,5 milhões no segundo trimestre, queda de 27% ante igual período do ano passado. 

O Ebitda pró-forma foi de R$ 474,4 milhões, alta 17,0%; o desempenho foi puxado pela entrada em operação das concessões de rodovias em Minas Gerais e Goiás, informou a companhia no balanço.

Já a receita líquida pró-forma atingiu R$ 694,8 milhões, aumento de 19%, com aumento do volume de tráfego de 21% e entrada em operação de dois novos projetos – ECO135 e 050. 

O foco dos investidores segue na atuação da companhia em novos projetos de investimento e nos resultados de processo de investigação. Já segundo o Bradesco BBI, os resultados sólidos da ECO135 e a conclusão da compra da MGO devem ajudar na desalavancagem gradual e levar a um maior potencial para novas concessões. 

Petrobras (PETR3;PETR4)

Contudo, o grande destaque – negativo – acabou ficando com a Petrobras. A companhia não divulgou os resultados, mas trouxe algumas sinalizações sobre como será o seu balanço em meio aos dados de produção e vendas do segundo trimestre de 2019. 

A produção da Petrobras no segundo trimestre atingiu 2,553 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), queda de 0,4% ante os 2,563 milhões de boed em igual trimestre do ano passado. Na comparação com os três primeiros meses do ano, entretanto, quando era de 2,461 milhões de boed, o número mostra avanço de 3,7%. Segundo a empresa, a queda na comparação anual refletiu a venda de 25% do campo de Roncador e dos ativos da Petrobras América, que mais do que compensaram os ganhos com o ramp-up das plataformas do pré-sal nos campos de Búzios e Lula.

A companhia destacou que, apesar do aumento na comparação trimestral, os números foram inferiores ao projetado, “principalmente devido às dificuldades enfrentadas no mês de junho com a estabilização das plantas de gás dos novos sistemas de produção de Búzios devido a sua maior complexidade”, diz o relatório, destacando ainda parada programada de 14 dias em operações no campo de Lula.

Em águas rasas, a produção de óleo foi de 62 mil de bpd, queda de 17,8% em comparação ao trimestre imediatamente anterior e 34,2% no ano. “Essa queda deveu-se à parada de produção definitiva das plataformas P-9 e PNA-1, que encerraram seu ciclo de produção após mais de 38 anos”, explicou a estatal.

A Petrobras cortou em 3,6% sua perspectiva de produção neste ano de 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) para 2,7 milhões de boed, com variação de 2,5% para mais ou para menos.

De acordo com a estatal, o corte refletiu sobretudo as dificuldades enfrentadas no mês de junho com a estabilização das plantas de gás dos novos sistemas de produção de Búzios, devido a sua maior complexidade, o que elevou o tempo de comissionamento das plantas de gás. “Esses fatores causaram a postergação da entrada de novos poços produtores, resultando em uma produção em Búzios de 180 mil boed abaixo do previsto no mês de junho”.

A estatal lembra ainda que houve parada não programada de 14 dias no FPSO Cidade de Mangaratiba no campo de Lula para correção no sistema de desidratação de gás, que impactou em 60 mil boed a produção de junho. A empresa destacou que as operações já mostraram melhora operacional em julho, com produção média retomada ao patamar de 2,7 milhões de boed.

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É a primeira vez em quatro anos que a petroleira revisa para baixo os dados de produção de petróleo e o relatório levanta dúvidas acerca da gestão de fluxo produtivo da empresa. Contudo, “embora as notícias de hoje tragam algum risco de downside das estimativas de 2019 devido ao atraso no aumento da produção em algumas plataformas no campo de Búzios, tais atrasos provavelmente não alterarão as perspectivas de produção para 2020”, escreveram em nota os analistas do Goldman Sachs Bruno Amorim e Osmar Camilo. 

Movida (MOVI3)

A locadora de carros Movida aprovou o preço por ação de R$ 15,00, o efetivo aumento do capital social no montante total de R$ 532,5 milhões (equivalentes à emissão de 35.500.000 de novas ações), bem a homologação, no âmbito da oferta pública de distribuição primária e secundária de 20.000.000 ações.

Segundo a empresa, o novo capital social da companhia passará a ser de R$ 2.046.641.914,60, dividido em 298.921.014 ações ordinárias. As ações objeto da oferta passarão a ser negociadas na B3 em 29 de julho, com a liquidação física e financeira no dia 30 de julho.

IMC (MEAL3)

A holding International Meal Company (IMC), dona das redes Frango Assado e Viena, assinou acordo de fusão nesta sexta com a MultiQRS, detentora dos direitos de master-franquia da Pizza Hut e KFC no Brasil. 

O empresário Carlos Wizard e seus filhos Charles Martins e Lincoln Martins, donos da MultiQRS, receberão, em conjunto, 29.387.930 ações ordinárias da IMC, equivalente a 15% do total.

O acordo ainda precisa ser aprovado em Assembleia Geral da IMC e, posteriormente, pelo Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade). Está prevista a ampliação do conselho de administração da IMC de seis para sete membros, acém da substituição de alguns membros atuais por representantes indicados pela família Wizard, pela KFC International e pela Pizza Hut International, ambas controladas pela Yum! Brands.

A família Wizard transferirá à Yum!, na data da efetivação da fusão, ações ordinárias de emissão da IMC de sua titularidade, já considerando o aumento de capital decorrente do acordo, equivalentes a 2,08% do total do capital social da IMC.

A combinação da IMC com os sistemas Pizza Hut e KFC, caso implementada, resultará em uma companhia com receita bruta em 2018 de mais de R$ 1,8 bilhão, ou aproximadamente R$ 2,3 bilhões, considerando o faturamento também de franqueados. A IMC estima que os custos e despesas para a efetivação da fusão serão de aproximadamente R$ 20 milhões.

(Com Agência Estado)