Disparando após balanço

Ação da Tenda (TEND3) salta 31,56% com analistas vendo sinais de recuperação: hora da virada?

Expectativa é de uma recuperação das margens a partir dos próximos trimestres, mas analistas ainda seguem cautelosos com ação da companhia

Por  Lara Rizério, Felipe Alves -

As ações da Tenda (TEND3) tiveram uma reviravolta total na sessão desta sexta-feira (5) pós-resultados. Os papéis chegaram a cair 7,56%, a R$ 4,16, no início da sessão mas, durante a tarde, passaram a registrar uma disparada muito forte. A alta foi se intensificando e os ativos TEND3 fecharam com ganhos de 31,56%, a R$ 5,92. No ano, contudo, as ações ainda caem cerca de 64%.

Mais uma vez, à primeira vista, os resultados apresentados foram vistos como fracos, mas os sinais de evolução que acabaram por elevar o otimismo com a ação da companhia.

O Credit Suisse apontou que a Tenda reportou resultados negativos, em linha com as estimativas do banco, registrando mais um prejuízo líquido, neste trimestre de R$ 114 milhões. Enquanto isso, a margem bruta também foi fraca, em 12% (queda de 5,9 pontos na base trimestral, em linha com o esperado pelo Credit).

Contudo, eventualmente, apontam os analistas, a Tenda terá concluído esses projetos que estão prejudicando as margens, o que faz o banco questionar se esse foi o piso das margens. Ou seja,  se a partir de agora pode-se esperar que a recuperação comece a ocorrer.

“Embora o financeiro tenha sido fraco, os dados referentes ao desempenho recente das vendas (margens de até 31%) e o menor consumo de caixa estão indicando que a empresa está na direção certa no processo de turnaround (virada)”, aponta o Credit.

Além disso, a empresa pode ser a mais beneficiada entre as construtoras de baixa renda com os novos ajustes do programa Casa Verde e Amarela (CVA). “Como esperamos que a Tenda continue apresentando prejuízos devido aos projetos em andamento com margens fracas e o prazo para absorção dos preços mais altos ainda é incerto, continuamos cautelosos e mantemos o neutro para ação”, aponta o Credit.

A XP também aponta os números como fracos, mas tendo como destaque positivo um preço mais alto por unidade vendida (ex. Alea) de R$ 176,6 mil (alta de 20% ano a ano e  de 9% trimestre a trimestre). Com isso, a margem bruta de novas vendas atingiu 28,8% (alta de 5,1 pontos percentuais versus o 1T22), impulsionada por junho, com 30,6%, reforçando o foco da Tenda na recuperação de margens.

“No entanto, não vemos o aumento de preços afetando significativamente os resultados financeiros no curto prazo”, pondera. Para os analistas, “o nível de distratos foi destaque negativo”; e, “operacionalmente, a Tenda tem sido mais seletiva”.

Para o Bradesco BBI, considerando o seu tão necessário foco na renovação das margens e na priorização da geração de caixa, os resultados do 2T22 da Tenda aparecem como os primeiros sinais de um processo de recuperação.

“Além dos aumentos de preços, a empresa conseguiu recuperar margens pelo menos para novas vendas, que atingiram 30,6% em junho, com mais para vir, a nosso ver, uma vez que novas mudanças no CVA foram aprovadas em julho”, apontam.

Assim, apesar de um prejuízo ainda significativo no trimestre (pior que nossas estimativas para o final de 2022), a Tenda apresentou indicações iniciais sólidas de que pode estar corrigindo sua rota de rentabilidade.

“A margem sobre novas vendas de volta a 30% é o principal destaque, juntamente com uma inesperada geração de caixa no trimestre, impulsionada principalmente pela gestão do capital de giro (fornecedores e materiais)”, avalia o BBI. Já no lado negativo, a margem bruta consolidada ficou bem abaixo do estimado pelo Bradesco BBI e pelo consenso, além da receita ter
caído 10% em relação ao ano anterior.

“Dito isto, ainda acreditamos que o processo de recuperação provavelmente levará mais do que alguns trimestres e as restrições de caixa provavelmente se estenderão (o que nos mantém com recomendação neutra em TEND3), mas lemos os resultados do 2T22 como um sinal de que a administração está começando a colocar a Tenda de volta no caminho certo”, apontam.

Na mesma linha, a Eleven entende que a companhia está em um momento de reposicionamento de suas unidades, o que deve refletir em uma recomposição de margens ao longo dos próximos trimestre. Os analistas esperam que a margem bruta estabilize em 30% apenas no primeiro semestre de 2025 dada uma estabilização nos custos de construção. “Assim, mantemos a nossa recomendação neutra com preço-alvo de R$ 10,00, uma vez que esperamos uma rentabilidade abaixo dos pares no até 2024”, aponta.

Segundo compilação feita pela Refinitiv, de 12 casas que cobrem o papel, 3 recomendam compra, 7 têm recomendação neutra e 2 de venda, com preço-alvo médio de R$ 13,37, uma expressiva alta de 197% frente o fechamento da véspera.

Passo importante

Em teleconferência de resultados nesta manhã, Rodrigo Osmo, CEO da companhia, afirmou que a empresa deu um passo importante no 2T22, apesar dos desconfortos com lucro e margens. “Mas pensando no longo prazo, o trimestre performou bastante bem”, afirmou. O foco é em ter uma geração de caixa melhor para os próximos dois trimestres.

Marcos Antonio Pinheiro, CFO, destacou que a prioridade hoje é a reconstrução das margens e a desalavancagem. Por isso, a empresa tem privilegiado a qualidade dos lançamentos ao invés da quantidade. Ele ressaltou a margem bruta das novas vendas, que estava em 22% em janeiro e fechou em 31% em junho.

Para o CFO, o grande destaque do trimestre foi o êxito na gestão da liquidez. Ele ressaltou que o consumo de caixa operacional de R$ 26 milhões reflete a evolução positiva e os esforços que a diretoria tem feito para trabalhar a liquidez da empresa.

Segundo Osmo, os distratos que totalizaram 24% das vendas brutas no 2T22 são um patamar elevado, reflexo das vendas dos trimestres anteriores. De acordo com ele, os distratos devem se estabilizar em patamares menores do que esses 24% à medida que a empresa for estabilizando o VSO.

O CEO afirmou que ainda existe espaço para o programa Casa Verde Amarela crescer e os parâmetros tendem a melhorar. Segundo Rodrigo Osmo, o programa do governo federal ainda opera abaixo da capacidade. Ele destacou as últimas mudanças de regras do programa as perspectivas ainda incertas sobre dois projetos de lei acerca do Casa Verde Amarela. De acordo com Osmo, a perspectiva é de que alguns projetos cuja rentabilidade não “paravam de pé”, agora começam a ficar mais atrativos.

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