Ação da Sabesp é investimento atrativo para conservadores

Analistas falam que empresa é boa pagadora de dividendos, mas contam que suas ações não possuem grande upside

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SÃO PAULO – Por ser um papel defensivo e com um dividend yield acima da média de mercado, analistas veem os papéis da Sabesp (SBSP3) como boas alocações para investidores com perfil conservador.

Destacando essas duas características, a equipe de análise da Brava Investimentos colocou a empresa em sua carteira de dividendos para pessoas que queiram ficar entre um a dois anos alocadas no papel.

“Em primeiro lugar, ela é uma empresa defensiva no mercado. No ápice da crise, a Sabesp voltou a ser badalada porque é vista como uma boa composição de defesa diante de muita volatilidade, em especial, pra baixo”, coloca o time de analistas da gestora.

Para eles, grande parte desta defesa provém das características do próprio setor em que a Sabesp se insere. Por ser uma área regulada pelo governo, é mais fácil de fazer previsões sobre o futuro da companhia e estimar uma taxa média de crescimento para os próximos anos.

“A Sabesp tem mostrado taxas de crescimento constantes, pequenas, mas constantes e independentes do cenário econômico. Eu acredito que ela vai conseguir manter essas taxas de crescimento na divisão de água entre 2,5% e 3,5% sobre perpetuidade, e no segmento de saneamento, crescimento de 3,10% a 3,5%”, projeta a Brava.

Grande parte dessas estimativas é baseada nas próprias expectativas de elevação no número de brasileiros (crescimento populacional), assim como no próprio desenvolvimento urbano, com o aperfeiçoamento e expansão da rede de água e esgoto. “E como ela está melhorando suas despesas operacionais, seu fluxo de caixa, no futuro fica ainda mais fácil de calcular quanto o investidor receberá anualmente de dividendos da companhia e recomendar a empresa como uma boa pagadora”.

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Dividendos
Listada no Novo Mercado da BM&F Bovespa, a Sabesp já teria como exigência a destinação de 25% de seu lucro ajustado (ao retirar as reservas legal, de capital e sobre o lucro) a seus acionistas minoritários. Porém, a equipe da Brava Investimentos conta que o diferencial da empresa nesse tópico se encontra justamente aí.

“A empresa dá em média um bônus extra de 5%, sendo que o payout ratio [que mede a porcentagem do lucro destinada ao pagamento de dividendos] dela fica pouco acima de 30%, por algumas vezes ela ter sobra de caixa maior”, aponta a Brava, destacando que é um número acima da média de mercado.

Contudo, os analistas falam que o dividend yield dela não é superior ao de outras empresas de saneamento, mas que o mais importante no case de dividendos da Sabesp é sua previsibilidade.

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“O melhor é que ela tem uma previsão de fluxo de caixa constante, o que dá para presumir que vai partilhar todo ano o mesmo nível de proventos dos outros anos e isso é interessante para o investidor quando ele pensa em fazer uma carteira de longo prazo – tanto uma conservadora como uma de dividendos”, comentam.

Pontos positivos
Na visão do analista Felipe Rocha, da Link Investimentos, a Sabesp pode se beneficiar de outra questão: a nova metodologia sobre reajustes de preços que está sendo discutida e deve levar em consideração os investimentos a serem feitos nos próximos anos, assim como custos e despesas.

“Fazendo a comparação com a metodologia vigente, ela deve proporcionar retornos [margens] maiores para a empresa nos próximos anos. A partir da implantação dessa metodologia, os próximos reajustes tenderiam a ser maiores do que aqueles que vêm sendo feitos. Esse deve ser um ano em que o assunto avance”, explica.

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Além disso, o analista da Link fala que, em termos operacionais, a empresa é saudável e que sua situação de endividamento tem melhorado no último ano. “Um dos riscos importantes que víamos no ano passado é a questão da amortização de dívida da Sabesp, que vem avançando desde 2009”, explica Rocha.

Ele destaca a recente notícia de que a empresa vai emitir R$ 900 milhões em debêntures simples, com valor nominal de R$ 1 mil cada. Os recursos dessa oferta serão destinados a amortizar de forma antecipada as notas promissórias emitidas em dezembro, também no valor de R$ 900 milhões.

“Com isso, há um alongamento do perfil de dívida da companhia e um de seus principais riscos de investimentos – o montante de dívidas – é, pelo menos em parte, mitigado”, comenta o analista.

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Ele comenta que a dívida líquida da empresa no terceiro trimestre foi de R$ 5,7 bilhões e que a empresa vem controlando sua situação e rolando os débitos aos poucos. “Vemos que ela está controlada”, falou.

Encaminhado
Na sua avaliação do case da empresa, a Link também leva em conta as recentes negociações com a prefeitura de São Paulo para a renovação do contrato de prestação de serviços em água e esgoto. “Ela deve assinar em breve o contrato com o município de São Paulo, que também era um risco para a companhia. São Paulo representa mais de 50% da receita da companhia. É um fato importante e muito positivo”, destaca.

Além disso, o analista fala que outro risco do case Sabesp – seu alto capex (plano de investimentos) – também é administrável. Ele explica que a empresa planeja investir até 2013 R$ 8,6 bilhões em sua rede atual.

Somente para o município de São Paulo, os planos são de universalizar os serviços até 2018, movimento que demanda grandes somas de dinheiro.

“Eles anunciaram que têm a intenção de financiar boa parte desses recursos. Além dessas debêntures que vão servir para rolar dívida em 2010, a Sabesp anunciou que o BNDES deve subscrever R$ 826 milhões em debêntures, mas voltado para investimento até 2011 os recursos deverão ser utilizados”, conta Rocha.

O analista destaca que essa é uma das vantagens da empresa – sua aproximidade e certa facilidade em conseguir recursos de órgãos multilaterias, que acabam emprestando a custos mais baratos.

A Link recomenda “outperform” (desempenho acima da média de mercado) para os papéis da Sabesp, com preço-alvo de R$ 42,50, um potencial de valorização de 38,8% em relação ao último fechamento (R$ 30,62).

Investimentos
Outro tópico que acaba influenciando o case de investimentos da Sabesp é sua política de investimentos. Como explica o analista da XP Investimentos, Willian Alves, por ser um setor regulado pelo governo e voltado à utilidade pública, a empresa nem sempre consegue conciliar sua necessidade com lucratividade.

“Como é uma empresa de saneamento básico, não necessariamente ela vai investir em projetos que sejam rentáveis, mas sim em projetos que sejam necessários para a população”, avalia.

Alves conta que na época em que a Sabesp divulgou seus planos de investimentos para os próximos anos, a empresa foi um pouco penalizada pelo mercado, com suas ações caindo. Isso se deu, segundo ele, porque o governador de São Paulo, José Serra, determinou um alto nível de investimentos no planejamento da empresa, o que desagradou acionistas interessados especialmente nos dividendos.

“Essas empresas tendem a gerar caixa, e essa geração pode ir tanto para investimentos, como para dividendos”, explica Alves. Com isso, se os recursos do caixa da companhia são alocados em investimentos ao invés de pagos em proventos e que, muitas vezes, nem mesmo são rentáveis, o movimento é mal visto pelos investidores.

Além disso, o analista da XP Investimentos também lembra que o clima desagradável também pode surgir quando uma expectativa de reajuste não é atendida. Ele lembra o caso da companhia de saneamento de Minas Gerais, a Copasa.

“No caso de Copasa, por exemplo, eles esperavam um reajuste entre 9% e 10% e foi aprovado um de apenas 3,9%, e o mercado acabou reagindo na ação por conta disso”, lembra.

“É sempre o conflito entre público e privado, de empresas que são do governo e tem foco em população; o social acaba prevalecendo e é claro que o mercado pode não gostar”, conclui. A XP possui uma recomendação neutra para os papéis da Sabesp.

Pontos negativos
Além do risco natural de ser um ano eleitoral e a empresa, por ser controlada pelo estado, sofrer o risco de mudanças em sua gestão, o potencial de valorização também pesa negativamente para o case de investimentos da Sabesp.

“A previsibilidade do fluxo de caixa da Sabesp é o que faz que indiquemos a empresa para nossa carteira de dividendos, mas só para esse tipo de carteira, porque para outras modalidades, ela acaba fugindo um pouco do score; então Sabesp pra nós é só para dividendos mesmo”, destacam a equipe de analistas da Brava Investimentos.

Eles explicam que por ser defensiva, quando o índice Ibovespa sobe, os investidores que buscam rentabilidade desalocam recursos de Sabesp para investir em papéis mais voláteis e de risco. “Esse é o ponto negativo dela, a defesa que ela faz sobre a alavancagem do índice”, aponta a Brava.

Mais riscos
Além disso, a equipe de research lembra de um ponto ainda incerto no case da companhia de saneamento. “O que está mais impactando o papel, apesar de que acreditamos que até o final do ano tenha uma definição, é a republicação dos balanços de 2008, com uma revisão do seu lucro”, lembra.

No dia 18 de janeiro, a diretoria e o Conselho de Administração da companhia aprovaram o encaminhamento para a Assembleia Geral de Acionistas da republicação das demonstrações financeiras relativas a 2008. A ideia era reconhecer, no resultado daquele exercício, a provisão de despesas no montante de R$ 944 milhões relativos aos benefícios de aposentadoria e pensão privada da companhia.

“Até então, era quase certo que o Estado deveria arcar com essas despesas, mas após esse anúncio, o mercado reagiu à expectativa de que isso recaia sobre a Sabesp, especialmente em ano eleitoral”, comentou o time de análise.

Com a provisão, a republicação do balanço de 2008 resultaria em um lucro líquido de R$ 63,6 milhões, enquanto o anterior era de R$ 1.008 bilhão. Com a notícia, investidores realizaram suas posições na empresa e os papéis caíram 2,56% no dia e continuaram caindo por dois outros pregões.

Contudo, os analistas da Brava explicam que a notícia não muda a estrutura de valuation da empresa. “Essa medida de provisões não tem efeito de caixa na companhia porque é preventiva, ela apenas provisionou o dinheiro, mas não vai descontar do payout ou de seu dividend yield porque eles já foram provisionados também”, contam.

Como o caso ainda não foi decidido pela Procuradoria Geral do Estado, eles apenas alertam que o risco de que o mercado acabe reagindo novamente quanto o ponto final vier é grande.