Destaques da bolsa

Ação da Oi despenca 27% com pressão para troca de CEO e preocupação com caixa; confira mais destaques

Confira os destaques da B3 na sessão desta terça-feira (20)

SÃO PAULO – A sessão era mais uma vez aversão ao risco para o mercado em meio aos riscos para a recessão global. Contudo, o Ibovespa amenizou fortemente as perdas e fechou com leve baixa de 0,25%, com blue chips como Vale, Petrobras e bancos. 

Entre as maiores altas, estiveram os papéis da B2W (BTOW3, R$ 43,55, +3,08%). A empresa, que viu suas ações caírem cerca de 2% após anunciar aumento de capital, passou a ver seus papéis dispararem durante a tarde, com ganhos de até 8%, para depois amenizarem a alta. Já a sua controladora, a Lojas Americanas, que viu seus papéis caírem cerca de 4%, viraram para leve alta mesmo com a visão de que os termos para o aumento de capital da sua controlada podem ser negativos para ela. 

Já entre as quedas, atenção para uma ação de fora do índice. Os papéis da Oi (OIBR3, R$ 0,73, -27%; OIBR4, R$ 1,12, -10,40%) despencaram mais uma vez, com os ativos ON sendo negociados abaixo de R$ 1 com o imbróglio na companhia em meio à sua difícil situação de caixa e pressão do maior acionista pela saída do CEO. Confira os destaques desta sessão:

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Oi (OIBR3;OIBR4)

A gestora de investimentos GoldenTree Asset Management, maior acionista da Oi, com 14,57% de participação, manifestou preocupação com as finanças da operadora e pediu a troca do presidente executivo, Eurico Teles. “O conselho deve nomear um CEO (presidente executivo) que possa implementar a reestruturação operacional e buscar as oportunidades de valor agregado descritas pela empresa no seu recém lançado plano estratégico”, escreveu a acionista, numa carta enviada ao conselho de administração.

A carta tem data de 16 de agosto, dois dias após a divulgação do balanço da Oi referente ao segundo trimestre, quando foi revelado que o prejuízo da operadora subiu 24%, para R$ 1,6 bilhão, enquanto o dinheiro disponível em caixa recuou 17,4%, para R$ 4,3 bilhões.

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A GoldenTree disse temer que o futuro da companhia esteja seriamente ameaçado por causa de más tomadas de decisões, resultados financeiro e operacional decepcionantes, e incapacidade de melhorar a governança corporativa. “Acreditamos que esses problemas sérios podem ser resolvidos, mas isso exigirá que a diretoria aja imediatamente antes que o dano à Oi se torne irreversível”, afirmou.

Com a piora nos números da Oi, surge a possibilidade de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) intervir na operadora. O diagnóstico da situação da tele, apresentado à Anatel, indicou que o dinheiro em caixa chegou ao “mínimo necessário” e há previsão de que os recursos terminem em fevereiro se nada for feito.

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A GoldenTree reclamou que os resultados financeiros da Oi têm ficado abaixo do projetado no plano de recuperação, e acrescentou que a queda das ações reflete a visão do mercado de que a companhia continuará se deteriorando, a menos que ocorra uma mudança na gestão.

Embora o GoldenTree não tenha citado nomes na sua carta, o principal cotado como substituto de Teles é Rodrigo Abreu, que passou a compor o conselho de administração da Oi no ano passado.

O nome de Abreu já foi submetido ao juiz da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Fernando Viana, pelo presidente do conselho, Eleazar de Carvalho, segundo fontes. Abreu é ex-presidente da TIM.

Vale ressaltar que a Oi encerrou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 12,573 bilhões, montante 25,5% maior do que no mesmo período do ano passado. Nesse período, a dívida bruta subiu 10,8% e foi a R$ 16,868 bilhões. Já o dinheiro disponível em caixa recuou 17,4%, para R$ 4,3 bilhões.

“Após a divulgação dos resultados, ficamos preocupados com a intenção da Oi de acelerar seu plano de investimentos, apesar de uma queima de caixa de aproximadamente R$ 2 bilhões no trimestre. Em nossa opinião, o plano de investimento da empresa tornou-se cada vez mais dependente da venda de ativos, o que aumenta o risco de execução do plano estratégico da Oi”, destacou a equipe de análise do Bradesco BBI em relatório da semana passada. 

B2W (BTOW3)

O Conselho de Administração da B2W aprovou aumento de capital em R$ 2,5 bilhões, que será feito por meio de emissão privada de 64,1 milhões de novas ações ON a R$ 39,00 cada. Após a transação, o capital social da B2W passará de R$ 5,75 bilhões para R$ 8,25 bilhões, dividido em 521,7 milhões de ações ON.

O aumento de capital tem objetivo de melhorar estrutura de capital, permitindo que companhia siga investindo em sua plataforma digital e acelerando crescimento, destacou a companhia. O controlador Lojas Americanas comprometeu-se a exercer direito de preferência, na proporção da sua participação no capital da B2W, além de subscrever até a totalidade do eventual saldo de ações não subscritas. 

O percentual de diluição aos acionistas que não subscreverem nenhuma ação será de 12,29%, segundo o comunicado.

“Vemos a transação da B2W como positiva e acreditamos que fortalece o plano de geração de caixa. Para Lojas Americanas, que se comprometeu em adquirir 100% das ações não subscritas, acreditamos que a alavancagem da operação de lojas para capitalizar a B2W novamente pode causar uma reação negativa do mercado”, destaca a equipe de análise da XP Investimentos. 

Já o Brasil Plural ressalta que o principal problema da B2W ainda é a sua estrutura desequilibrada de venda de recebíveis, que afeta constantemente a lucratividade geral. Olhando para o lado da Americanas, os investidores não ficarão satisfeitos com mais caixa indo para a B2W em uma época em que o varejista tradicional está tentando reequilibrar seu ciclo de caixa após o difícil período macroeconômico brasileiro.

BB (BBAS3)

O Banco do Brasil informou hoje, em complemento ao Fato Relevante de 29 de julho, que foram finalizadas as etapas de manifestação de interesse e de validação dos desligamentos no âmbito do Programa de Adequação de Quadros (PAQ), com a validação de desligamento de 2.367 funcionários.

“O PAQ tinha por objetivo regularizar vagas e excessos em dependências e praças otimizando a distribuição da força de trabalho nas unidades do BB”, diz o BB, acrescentando que estima-se impacto de R$ 260 milhões em despesas com a operação de adequação e economia anual de R$ 490 milhões a partir de 2020.

Vale (VALE3)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que abriu inquérito para investigar eventual inobservância de deveres fiduciários de administradores da Vale por fatos ligados ao rompimento da barragem de Brumadinho (MG). A tragédia ocorrida em 25 de janeiro deixou mais de 240 mortos.

De acordo com a autarquia, o inquérito diz respeito aos deveres da companhia em relação aos seus acionistas e investidores. “Tal apuração não inclui atuação sobre questões relativas à legislação ambiental, as quais vêm sendo objeto de atuação das instituições competentes”, diz trecho do comunicado.

Os inquéritos são etapas preliminares das apurações da Comissão e, quando encontram indícios de irregularidades, as descobertas levam a processos sancionadores, que formalizam uma acusação contra os réus. Por ora, a CVM ainda não formulou denúncia em nenhum dos processos administrativos abertos sobre o caso Brumadinho.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras recebeu três ofertas pela Liquigás, diz o Estadão. A expectativa da empresa é fechar a venda até novembro. Segundo uma fonte citada pelo jornal, a proposta, após as negociações, será levada ao conselho de administração para a decisão final. O prazo para as apresentações das propostas se encerrou na última sexta-feira.

 

GPA (PCAR4)

O GPA informou, por meio de fato relevante, que recebeu comunicado de seu controlador, o Grupo Casino, sobre a alteração da oferta de aquisição da participação indireta que a Almacenes Éxito detém na companhia brasileira de R$ 109,00 para R$ 113,00 por ação de GPA.

“O GPA reitera, após discussão com o comitê especial independente constituído para fins de analisar a transação, a decisão de que sua subsidiária operacional Sendas Distribuidora lance a oferta pública com vistas à aquisição, em dinheiro, de até a totalidade das ações de emissão de Éxito (OPA) ao preço anunciado previamente ao mercado de 18.000 pesos colombianos por ação”, afirmou.

A empresa acrescentou que, conforme informado ao mercado, o pedido de autorização da OPA perante a Superintendência Financeira da Colômbia deverá ser feito se e após obtidas as devidas aprovações societárias de Éxito para venda de sua participação indireta no GPA.

Braskem (BRKM5)

A Braskem informou que, no âmbito dos eventos geológicos em Alagoas, tomou conhecimento de Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) pedindo a constituição de fundo privado próprio no valor inicial de R$ 3,075 bilhões.

Segundo a empresa, esse fundo servirá para a execução de programas socioambientais e de medidas emergenciais, bem como a manutenção de capital de giro em referido fundo no valor de R$ 2 bilhões ou, após aprovado o cronograma financeiro, o valor equivalente a 100% das despesas previstas para os doze meses subsequentes.

Além disso, o comunicado ao mercado solicita a apresentação de garantias idôneas no valor de R$ 20,5 bilhões; a vedação à oneração ou alienação de bens do ativo fixo da Companhia e a distribuição de lucros, seja na forma de dividendos, juros sobre capital próprio ou qualquer outro meio; o bloqueio judicial dos valores provenientes dos lucros que não foram distribuídos até a presente data; e a suspensão de financiamentos e incentivos governamentais, além do vencimento antecipado das operações financeiras já existentes.

“A esse respeito, a companhia informa que não foi intimada nos autos da referida ação, mas avaliará e tomará as medidas pertinentes nos prazos legais aplicáveis e manterá o mercado informado sobre qualquer desdobramento relevante sobre o assunto”, finaliza a petroquímica.

Tenda (TEND3)

A Tenda aprovou o pagamento de dividendos intermediários no valor total de R$ 17,327 milhões, equivalente a R$ 0,178756965 por ação, considerando a posição de 96.347.437 ações, mediante utilização do saldo de lucros apurados no exercício social de 2019, referentes ao segundo trimestre do exercício.

Terão direito ao recebimento dos dividendos intermediários os acionistas detentores de ações na data base de 22 de agosto de 2019 (inclusive), passando as ações a ser negociadas “ex-dividendos” a partir de 23 de agosto. O pagamento será efetuado a partir de 03 de setembro de 2019.

O valor dos dividendos por ação é estimado e poderá sofrer variação em razão de eventual alteração do número de ações em tesouraria, diz a empresa.

Suzano (SUZB3)

A Suzano alterou a razão atual de duas ações ordinárias de emissão da Companhia para cada ADR para uma ação ordinária de emissão da Companhia para cada ADR, informou a empresa, acrescentando que a alteração essa que deverá ser submetida à aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Randon (RAPT4)

A Randon anunciou sua receita líquida em julho, que alcançou R $ 478,6 milhões, alta de 24,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita acumulada no ano totalizou R$ 2,9 bilhões, o que representa 58% da receita máxima esperada para todo o ano de 2019. Esse percentual foi uma média de 57% nos últimos três anos.

Os analistas do Itaú BBA avaliaram os números como positivos e reiteraram recomendação outperform (desempenho acima da média) para a ação, com um preço-alvo de R$ 12,50, destacando que os resultados do segundo trimestre e a receita de julho sugerem que há espaço para uma revisão para cima das projeções. A

“A divisão Truck-Trailer da Randon teve um início de ano notável, com o acúmulo de uma sólida carteira de pedidos e o crescente poder de precificação, que desencadeou uma reorganização das linhas de produção da empresa para aumentar a capacidade. Suportado por este cenário de demanda favorável para trailers de caminhão e aumento da produtividade da Randon, a margem Ebitda da divisão poderia melhorar significativamente este ano, apesar de nossa projeção de queda de volume nos vagões, que seria mais do que compensada pelo aumento nos volumes de reboques. Na divisão de autopeças, esperamos que a Randon continue a executar as iniciativas para seus novos negócios, o que poderia pressionar a margem do segmento neste ano”, aponta a equipe de análise do banco. 

Fras-le (FRAS4)

A Fras-le divulgou o desempenho da receita líquida de julho, com alta de 27,2% ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a receita líquida soma R$ 791,6 milhões, uma expansão de 25,4% em relação aos sete primeiros meses do ano passado.

Sabesp (SBSP3), Copasa (CMSG3) e Sanepar (SAPR11)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou que irá instalar na quarta-feira a comissão especial para debater o projeto que altera o marco legal do setor. A expectativa é votar a proposta em setembro no plenário, segundo a Agência Câmara. O texto já foi votado pelo Senado.

(Com Agência Estado e Bloomberg)