Grupo EBX

Ação da OGX tem 2º dia de forte alta e volta a valer mais de R$ 0,20

Após 1 mês estacionado entre R$ 0,14 e R$ 0,16, papel da petrolífera já subiu 30% em dois dias e recupera volume financeiro; possível saída de Eike da empresa e vitória judicial estão por trás deste movimento

Por  Thiago Salomão

SÃO PAULO – A OGX Petróleo (OGXP3) parece mesmo tentar ressurgir das cinzas na Bovespa. Após um novembro de ostracismo por conta do pedido de recuperação judicial e saída das ações do Ibovespa, os papéis da petrolífera do Grupo EBX apresentam nesta quarta-feira (4) mais um dia de alta, e novamente apresentando um volume financeiro acima do normalmente visto no último mês, em meio às notícias sobre uma possível saída de Eike Batista do comando da empresa e também a notificação de sua primeira vitória judicial.

Às 12h08 (horário de Brasília), as ações OGXP3 estavam cotadas a R$ 0,21, o que indica alta de 16,67% em relação ao fechamento anterior (R$ 0,18) – o baixo valor de face do papel colabora para fortes variações percentuais mesmo com pequenas mudanças de preço. Na véspera, os papéis da empresa já haviam subido dois centavos (ou 12,5%), totalizando nestes dois dias 31,76% de valorização.

Além da forte alta, vale destacar o giro financeiro do papel na Bovespa, que nestas primeiras 2 horas de negociação já totaliza R$ 26,6 milhões, superando não só o volume total visto na última terça-feira (R$ 20,9 milhões) como também a média diária dos últimos 21 pregões (R$ 6,9 milhões).

Vitória judicial
Nesta quarta-feira, repercute a notícia de que o desembargador Gilberto Guarino, da 14ª Câmara de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu liminar que permite a inclusão das subsidiárias estrangeiras no processo de recuperação judicial. A inclusão da OGX Internacional e da OGX Áustria é uma das maiores demandas dos advogados da OGX. Sem as subsidiárias no processo, a petroleira do EBX estaria mais exposta ao risco de que os credores tentassem cobrar sua dívida no exterior.

A empresa teria assim que pedir recuperação judicial também na Áustria, tornando o processo mais difícil uma vez que teria que fazer a negociação da mesma dívida e com os mesmos credores em dois sistemas distintos. Vale ressaltar que na semana passada o juiz Gilberto Clóvis Faria Matos, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, concedeu proteção legal apenas à OGX Petróleo e Gás Participações e OGX Petróleo e Gás SA, decisão esta que foi recorrida pelos advogados da empresa. 

Saída de Eike, produção e venda de ativos
O fluxo de notícias tem sido predominantemente positivo para a OGX. Segundo publicação feito no blog Radar Online, da Revista Veja, existe a possibilidade de ser fechado um acordo entre a empresa e os credores, que consiste em Eike Batista abrir mão do controle da empresa, passando a deter apenas 15% das ações da “nova OGX.”

Somado a isso, existe um “renovado otimismo” com o andamento de Tubarão Martelo, que deverá entrar em produção nos próximos dias. O campo da OGX, última esperança para a petrolífera, já teve seu início de produção autorizado pelo Ibama e o financiamento de curtíssimo prazo já está equacionado, com a venda recente de ativos. A expectativa do mercado é que a produção comece ainda no final deste ano. Ao mesmo tempo, é capaz que a empresa ainda retome sua produção em Tubarão Azul, o campo problemático, que deverá ser desativado no próximo mês.

Somado a isso, foi divulgado nesta manhã no Diário Oficial da União que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou sem restrição a venda da OGX Maranhão para a empresa Cambuhy, que tem entre os sócios a família Moreira Sales, em uma operação anunciada no final de outubro para dar fôlego financeiro à OGX.

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