Destaques da semana

Ação da JBS sobe 6%, enquanto Kroton despenca 19% na semana após balanços; Via Varejo e Ultrapar registram forte baixa

Fora do índice, Oi teve forte baixa, de mais de 20%, na semana

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa registrou uma semana de forte queda, de quase 4%, na maior baixa no período desde maio em meio a uma semana cheia de turbulências no cenário internacional.

As primárias na Argentina representaram uma derrota para Mauricio Macri e mostraram uma grande chance da chapa de esquerda Alberto Fernández- Cristina Kirchner. Depois, foram divulgados dados de produção industrial da China mostrando a maior desaceleração desde 2002, seguidos pela queda do PIB na Alemanha e, por fim, o movimento da curva de juros nos Estados Unidos (títulos da dívida americana de dois anos ultrapassando o rendimento dos bonds de 10 anos) indicando recessão na maior economia do mundo. 

Entre as maiores variações do período no Ibovespa, o destaque ficou, contudo, com empresas que divulgaram os balanços relativos ao segundo trimestre de 2019 na última semana da temporada, que apresentou números relativamente fracos em meio ao ambiente ainda de baixo crescimento para a economia brasileira

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A maior alta do índice ficou com a JBS (JBSS3), que fechou a semana com alta de 6,13%, a R$ 29,10, com os números surpreendentes do segundo trimestre. O frigorífico registrou um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões, revertendo um prejuízo líquido de R$ 911 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado dos seis primeiros meses de 2019, a companhia lucrou R$ 3,3 bilhões. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) atingiu R$ 5,1 bilhões no trimestre, alta de 20,3% na comparação com o ano anterior. Segundo aponta Betina Roxo, analista da XP Investimentos, os resultados foram mais fortes do que o esperado com desempenho positivo em todos os negócios, especialmente na Seara. 

A segunda maior alta ficou com a Suzano (SUZB3), com alta de 5,19% na semana, em um momento de leve recuperação com a alta de 1,5% do dólar na semana e após as fortes quedas seguidas com o ambiente desafiador para os preços da celulose. Na terça-feira, os ativos SUZB3 tiveram ganhos de 5,87%, com destaque para o relatório do Itaú BBA apontando que o preço dos ativos ficou atrativo após a queda de mais de 30% no ano. 

De acordo com o relatório, o pior pode ter ficado para trás para a companhia, uma vez que os preços da celulose parecem ter se estabilizado depois de cair abaixo dos custos de produção na China. Além disso, os preços mais baixos da celulose aumentaram as margens de lucro dos fabricantes de papel, tornando menos provável que os produtores não-integrados anunciem novas paralisações de capacidade.

Entretanto, vale destacar, o curto prazo segue desafiador, com o ambiente econômico se deteriorando diante do recrudescimento das tensões comerciais entre os EUA e a China.

Maiores quedas

Já a maior queda do Ibovespa ficou com a Kroton (KROT3), com baixa de 19,52% no período, a R$ 10,72, sendo boa parte por conta dos dados ruins revelados sobre o segundo trimestre. Os resultados da companhia de educação foram considerados muito fracos, refletindo um ambiente bastante complicado por questões macroeconômicas, aumento da concorrência com ensino à distância e pressão de todos os lados (volume, preços, recebíveis e geração de caixa). 

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A empresa apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 266,696 milhões no segundo trimestre deste ano, representando queda de 44,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o resultado foi impactado, especialmente, por despesas financeiras decorrentes da aquisição da Somos e um maior nível de depreciação derivado de investimentos realizados nos últimos anos.

Via Varejo (VVAR3) foi a segunda maior queda do índice no período, com forte queda de 16,53%, a R$ 7,12. A dona das Casas Bahia e Ponto Frio teve prejuízo líquido de R$ 154 milhões no segundo trimestre de 2019, revertendo lucro de R$ 14 milhões em igual período de 2018. A receita líquida totalizou R$ 6,024 bilhões, uma queda de 6,5%, enquanto o Ebitda também teve baixa, de 39%, aos R$ 315 milhões. 

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Mariana Vergueiro, da XP, aponta que a Via Varejo reportou resultados fracos, com vendas líquidas e EBITDA que ficaram 7% e 47% abaixo das estimativas da analista, respectivamente. “Apesar da decepção com relação aos números reportados, acreditamos que os investidores que recentemente se tornaram mais otimistas com o potencial de recuperação da empresa tinham em mente que os resultados no curto prazo permaneceriam pressionados e devem focar nos resultados do 2º semestre e de 2020”, avalia. 

Porém, a companhia ainda não mostrou os seus planos, o que aumentou a aversão ao risco do mercado aos papéis. Durante a teleconferência de resultados na quinta-feira (15), a nova gestão da Via Varejo passou os primeiros dez minutos detalhando os erros cometidos por seus antecessores e, com isso, tentando mostrar aos analistas por que ainda tem um longo trabalho pela frente antes de poder divulgar grandes planos para transformar o negócio. 

“Temos espaço para muita expansão, para fazer muita coisa, mas o grande desafio agora é melhorar o atendimento nas lojas e resolver a instabilidade de tecnologia que enfrentamos “, afirmou o CEO Roberto Fulcherberguer em entrevista ao InfoMoney logo após a teleconferência com analistas.

 Ultrapar (UGPA3) foi outra que decepcionou e viu seus papéis caírem 14,77% na semana. A companhia viu seu lucro líquido cair 47%, para R$ 127 milhões, no segundo trimestre de 2019 na comparação com abril e junho de 2018, em meio ao desempenho fraco de Oxiteno e Ipiranga. 

O Credit ainda aponta que o trimestre fraco pode confirmar o setor de distribuição como o que mais decepcionou entre todos que o banco suíço cobrem. “O papel já caiu 31% no ano, mas ainda não parece claro que estamos diante de um ponto de entrada”, afirmam os analistas.

Em seguida, estiveram os ativos da Gol (GOLL4), com baixa de 13,76% pressionado pela alta do dólar no período (o que impacta os números da aérea uma vez que ela tem endividamento em dólar). Além disso, a compra de combustível (insumo essencial do negócio da companhia) também tem sua cotação na divisa estrangeira. Ou seja, a situação financeira da companhia piora quanto mais o dólar vale em relação ao real. 

A companhia ainda tem exposição em Argentina, com o país vizinho correspondendo a 3% da receita da aérea. Porém, vale ressaltar, a Gol tem reduzido a sua exposição em Argentina. 

Fora do índice, as ações da Oi (OIBR3;OIBR4) tiveram forte queda na semana – de 29,22% para os ativos ON e de 24,55% para os papéis PN, com os resultados ruins mostrando forte queima de caixa e notícia sobre uma possível intervenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o que foi negado posteriormente pela autarquia