Ação da Eletrobras cai mais de 2% e lidera perdas semanais do Ibovespa

Papéis sentem influência do noticiário da companhia, que conta com proposta de aumento de capital e dados operacionais

Publicidade

SÃO PAULO – Os papéis preferenciais classe B da Eletrobras (ELET6) encabeçaram o ranking de perdas do Ibovespa nesta semana. No período em questão, as ações PNB da empresa caíram 2,83%, fechando esta quinta-feira (8) cotadas a R$ 26,47 cada. Cabe mencionar que esta semana teve um dia a menos de negócios por conta de feriado na sexta-feira (9) em São Paulo. 

Os ativos ordinários da companhia (ELET3) seguiram a mesma tendência negativa e tiveram o terceiro pior desempenho dentre os papéis que compõem o Ibovespa na semana, fechando em baixa acumulada de 2,61%, cotados a R$ 22,40 cada. Com estas perdas, as ações PNB e ON da Eletrobras somam desvalorização de, respectivamente, 11,18% e 12,44% em 2010. 

Nesta semana, o movimento das ações da Eletrobras contrariou a oscilação positiva do Ibovespa, que fechou o período em valorização de 3,33%, aos 63.476 pontos. No acumulado deste ano, porém, o benchmark paulista acumula perdas de 7,45%.

Aumento de capital
No noticiário envolvendo a companhia, o principal destaque ficou com a proposta de aumento de capital, correspondente à capitalização dos créditos dos adiantamentos para futuro aumento de capital, de R$ 4,808 blhões, a qual será encaminhada à apreciação de AGE (Assembleia Geral Extraordinária). 

Segundo informou a empresa, o processo deverá ocorrer mediante subscrição particular de ações da companhia para detentores de ações, tanto ordinárias quanto preferenciais, das classes “A” e “B”, “com emissão de ações ordinárias (ON) e preferenciais “B” (PNB)”, explicou em nota oficial.

Além disso, nesta semana, a diretoria do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou o financiamento da construção da usina hidrelétrica Batalha e seu sistema de transmissão integrado, através de empréstimo de R$ 224 milhões. A geradora de energia pertence a Furnas Centrais Elétricas, cuja controladora é a Eletrobras.  

Continua depois da publicidade

Dados operacionais dividem opiniões de analistas
Também contribuiu para o desempenho dos papéis da Eletrobras nos últimos dias, a repercussão de dados operacionais revelados pela empresa. Depois de divulgar os números parciais de seu resultado do primeiro trimestre de 2010, a Eletrobras publicou no final de junho seu balanço consolidado para o período, desta vez com o resultado de suas subsidiárias.

Para a equipe de analistas da Itáu Corretora, composta por Marcos Severine, Mariana Coelho e Marcel Shiomi, o resultado revelou uma significativa melhora na base anual, “proporcionando um sólido suporte para nossa visão positiva em relação às ações”, fato que reforça o rating de outperform para a empresa.

Já a equipe do Barclays, formada por Felipe Mattar, Sergio Conti e Bruno Pascon, avaliou que o balanço consolidado da Eletrobras não trouxe nenhuma surpresa positiva, “como o esperado”.

Continua depois da publicidade

Os analistas afirmam que os números apresentados vieram abaixo do consenso do mercado e deveriam se tornar um catalisador de queda para os ativos da empresa, tendo em vista ao desempenho das ações em relação aos demais papéis.

Recomendações e ratings
O fluxo de notícias positivas e negativas da Eletrobras também influenciou em uma percepção adversa dos analistas. “Embora o valuation seja atraente para o setor elétrico brasileiro em relação a seus pares globais, estamos agora menos positivos quanto ao crescimento durante os próximos 12 a 24 meses”, destacou recentemente o Goldman Sachs, em relatório.

Já a Fitch Ratings revisou de estável para positiva a perspectiva dos IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Probabilidade de Inadimplência) em moeda local e estrangeira da Eletrobras e de sua subsidiária Furnas Centrais Elétricas, que também obteve seu rating nacional de longo prazo elevado de ‘AA(bra)’ para ‘AA+(bra)’. 

Continua depois da publicidade

Segundo lugar: Vivo
Ainda repercutindo a novela da oferta da Telefónica pela parte da Portugal Telecom na Brasilcel, controladora da Vivo (VIVO4), as ações preferenciais da empresa fecharam a semana em segundo lugar no ranking das maiores desvalorizações dentre as ações que compõem o Ibovespa, com baixa de 2,67%, cotadas a R$ 47,30 cada.

Nesta semana, a PT (Portugal Telecom) disse em comunicado que está “disponível para dialogar com a Telefónica” sobre a venda da Brasilcel, controladora da Vivo. A declaração da empresa veio em resposta à afirmação da Telefónica mais cedo de que estaria disposta a negociar um acordo com a Portugal Telecom.

Segundo a nota da companhia espanhola, a Telefónica “está disposta a continuar a procurar soluções possíveis para levar a um bom termo a operação, na medida em que exista a disponibilidade da PT para esses efeitos, e de modo a que as partes interessadas se sintam confortáveis”, declarou.

Continua depois da publicidade

Outras quedas na semana
Nesta semana, também tiveram uma performance negativa os papéis Natura ON (NATU3, R$ 39,30, -2,24%),  Fibria ON (FIBR3, R$ 25,75, -2,05%), OGX Petróleo ON (OGXP3, R$ 17,35, -1,98%), Tim Participações PN (TCSL4, R$ 4,81, -1,84%), Sabesp ON 
(SBSP3, R$ 34,92, -1,72%), Cemig PN (CMIG4, R$ 25,83, -1,26%), entre outros.