Destaques da Bolsa

Ação da CVC sobe 3,6% com recomendação elevada pelo BofA; Ambipar salta 8,6% após aquisição e bancos têm nova baixa

Confira os destaques da B3 na sessão desta segunda-feira (28)

SÃO PAULO – O Ibovespa tentou uma sessão de recuperação após a forte queda da última sexta-feira (25), impactada pela proposta de reforma tributária apresentada pelo governo ao Congresso, mas ficou próximo da estabilidade. A Ambev (ABEV3, R$ 17,50, +3,24%), que caiu mais de 5% na sexta em meio à proposta de taxação de dividendos em 20%, ficou entre os destaques de alta.

Por outro lado, bancos, após caírem na última sessão em meio à proposta, abriram apenas em leve queda, mas intensificaram as perdas, com Itaú (ITUB4, R$ 30,45, -1,14%), Bradesco (BBDC3, R$ 22,30, -0,76%; BBDC4, R$ 26,26, -0,49%), Santander (SANB11, R$ 41,70, -1,11%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,65, -0,76%) caindo entre 0,5% e 1,2%.

Entre os destaques de ganhos nesta sessão, ficaram ainda os papéis de da CVC (CVCB3, R$ 28,65, +3,62%): a alta dos papéis chegou a ser de 5,35%, após a ação da companhia ter a recomendação elevada de underperform para compra pelo Bank of America.

A Qualicorp (QUAL3, R$ 29,39, +3,34%) registrou alta de mais de 3% após comunicar o lançamento de uma parceria com o Banco Inter e Inter Digital Corretora de Seguros para comercialização de planos de saúde coletivos por adesão.

As ações de Vale (VALE3, R$ 110,60, -1,60%) e siderúrgicas registraram perdas, após chegarem a subir levemente durante a manhã. Isso apesar dos contratos futuros do minério de ferro negociados na Ásia avançarem nesta segunda-feira, apoiados por um firme declínio nos estoques da matéria-prima siderúrgica nos portos da China, maior produtora de aço do mundo.

O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian DCIOcv1, para setembro, fechou em alta de 2,1%, a 1.196 iuanes (US$ 185,31) por tonelada, engatando a quarta sessão consecutiva de ganhos. Mais cedo, chegou a atingir a marca de 1.209,50 iuanes, maior nível desde 21 de junho.

Na bolsa de Cingapura, o contrato mais ativo do minério de ferro SZZFN1, para julho, avançou 0,8%, a US$ 213,35 a tonelada. Os estoques de minério de ferro importado nos portos da China recuaram pela quarta semana seguida, atingindo 123,95 milhões de toneladas na sexta-feira, menor patamar desde o início de outubro, de acordo com dados da consultoria SteelHome.

Fora do índice, a Ambipar (AMBP3, R$ 43,05, +8,63%) teve alta de mais de 8% das ações após fechar  a compra de 100% da Disal Ambiental Holding, atuante há 40 anos com soluções de gestão ambiental no Chile, Peru e Paraguai, com foco na gestão de resíduos industriais, com tratamento e coleta de sólidos e líquidos perigosos.

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Já o BR Partners (BRBI11, R$ 22,70, +7,48%) disparou mais de 7% após ganhar licitação para fazer a avaliação do grupo Eletrobras em seu processo de capitalização. A seleção ocorreu após o envio, pelos bancos contatados de propostas, que foram posteriormente analisadas pelo assessor financeiro no processo, no caso o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).

Confira os destaques:

CVC (CVCB3, R$ 28,65, +3,62%)

O BofA elevou a recomendação para as ações da CVC de underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para compra, com preço-objetivo de R$ 33.

Os analistas destacam as notícias sobre a companhia nos últimos nove meses, apontam que a a CVC rolou com sucesso dívidas que estavam para vencer e realizou emissões, sendo que um aumento de capital anunciado entre R$ 384 milhões e R$ 480 milhões deve fortalecer ainda mais o balanço patrimonial da CVC.

Embora impliquem em cerca de 34% de diluição, ambos ajudam a garantir a sobrevivência da CVC e posicionam a empresa a se financiar à medida que o segmento se recupera.

Essas medidas, avaliam, estão permitindo ganhos de participação de mercado uma vez que rivais mais fracos lutam por financiamento ou saem da indústria.

Simpar (SIMH3, R$ 54,77, +0,55%) e Movida (MOVI3, R$ 19,80, +3,07%)

A Simpar informou em fato relevante na noite desta sexta-feira que os Conselhos de Administração da Movida e da CS Participações aprovaram os documentos finais da reorganização societária, com o objetivo de integrar os negócios da Movida e da CS Frotas, conforme divulgado no dia 3 de fevereiro de 2021.

A incorporação de ações e documentos correlatos serão submetidos à aprovação dos acionistas da Movida e da CS Participações em assembleias convocadas para o próximo dia 26 de julho.

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De acordo com o documento, a reorganização representa a possibilidade de a Movida atuar no mercado de gestão de frotas (GTF) leves no setor público, atualmente explorada pela CS Frotas no âmbito do grupo Simpar.

“A Movida, se implementada a reorganização, se tornaria a segunda maior companhia de GTF leves do Brasil”, diz o fato relevante.

“Embora já esperada (a intenção de incorporação foi anunciada em 21 de fevereiro), damos as boas-vindas à transação potencial, pois: (i) faz sentido estratégico para Simpar e Movida; e (ii) o valuation implícito parece justo também para ambos os grupos de acionistas”, destaca a XP, que reitera a visão positiva (e recomendações de Compra) para Simpar e Movida.

Ultrapar (UGPA3, R$ 19,19, +1,05%)

O conglomerado industrial Ultrapar anunciou na sexta-feira (25) a venda de sua participação de 50% na empresa de meios de pagamento eletrônico ConectCar, que atua na abertura de cancelas de pedágios e estacionamentos. A fatia foi vendida para a Portoseg, unidade da Porto Seguro, por R$ 165 milhões, valor sujeito a ajustes. Trata-se da segunda venda de ativos por parte da Ultrapar, que está se consolidando nos segmentos de distribuição de combustíveis e petróleo e gás. Em meados de maio, a Ultrapar anunciou a venda de sua rede de drogarias Extrafarma para a Pague Menos por R$ 700 milhões.

O Credit ressalta que a empresa contribuiu com R$ 22 milhões negativos ao Ebitda da Ultrapar em 2020, respondendo por cerca de 0,8% da participação de mercado da Ultrapar. O banco ressalta que o negócio ocorre após a venda da Extrafarma à Pague Menos em maio.

O banco avalia que a empresa vem buscando focar mais no setor de óleo e gás, incluindo Ipiranga, Ultragaz e Ultracargo. E que a Ultrapar negocia com a Petrobras para comprar a refinaria Refap, no Sul do Brasil. O banco diz que o dinheiro com as vendas e potencial desinvestimento na Oxiteno pode ser usado para financiar a compra da refinaria e manter a dívida sob controle.

O Credit mantém avaliação neutra (perspectiva de valorização dentro da média do mercado), e preço-alvo de R$ 24, frente à cotação de sexta de R$ 18,99.

Qualicorp (QUAL3, R$ 29,39, +3,34%) e Banco Inter (BIDI11, R$ 70,90, +1,29%)

A Qualicorp Consultoria e Corretora de Seguros comunicou o lançamento de uma parceria com o Banco Inter e Inter Digital Corretora de Seguros para comercialização de planos de saúde coletivos por adesão.

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“A iniciativa, inédita no setor, permitirá aos mais de 11 milhões de clientes do Inter a contratação de produtos do portfólio da Quali de forma 100% digital, facilitando e ampliando o acesso a planos de saúde. Por meio do aplicativo do Inter, os correntistas interessados na contratação do plano poderão, de maneira simples, escolher um dos diversos produtos oferecidos na plataforma da Quali por mais de 20 operadoras de saúde, como Amil, Bradesco, Grupo NotreDame Intermédica, Hapvida, SulAmérica e empresas do sistema Unimed, entre outras”, afirma o comunicado.

A Qualicorp destaca que, caso não seja filiado a nenhuma entidade profissional, o cliente poderá realizar digitalmente sua filiação a uma associação de classe. Inicialmente, será possível se filiar, por meio do aplicativo, a sete entidades ligadas a profissionais liberais, servidores públicos, estudantes, consultores empresariais, administradores, advogados e bacharéis
em Direito. A filiação às demais categorias profissionais, por enquanto, vai requerer suporte fora do aplicativo.

“Sem perder o foco no principal canal de distribuição da Quali, que conta hoje com mais de 40 mil corretores de seguros, o acordo com o Inter representa mais um passo importante na transformação da Companhia em uma empresa multiplataforma e multicanal. Desta maneira, a Quali passa a ter mais um importante parceiro em sua missão de ampliar o acesso à saúde de boa qualidade”, destacou a Qualicorp.

BR Partners (BRBI11, R$ 22,70, +7,48%) e Eletrobras (ELET3, R$ 44,52, +0,45%; ELET6, R$ 44,74, +0,43%)

Já o banco BR Partners ganhou a licitação para fazer a avaliação do grupo Eletrobras em seu processo de capitalização. A seleção ocorreu após o envio, pelos bancos contatados de propostas, que foram posteriormente analisadas pela companhia.

A avaliação econômico-financeira é um dos primeiros passos para que a estatal caminhe para sua privatização. Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou o parecer da Medida Provisória que permite a saída da União do controle da empresa de energia elétrica.

Ambipar (AMBP3, R$ 43,05, +8,63%)

Ainda em destaque, a Ambipar fechou  a compra de 100% da Disal Ambiental Holding, atuante há 40 anos com soluções de gestão ambiental no Chile, Peru e Paraguai, com foco na gestão de resíduos industriais, com tratamento e coleta de sólidos e líquidos perigosos.

Enauta (ENAT3, R$ 16,86, +2,31%)

A Enauta informou que foi assinado o aditivo ao contrato de concessão, concluindo o processo de cessão dos 50% de participação da Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás no Bloco BS-4, onde está localizado o Campo de Atlanta, para a Enauta Energia,, subsidiária integral da Companhia. A partir da assinatura, a companhia passa a reconhecer 100% dos resultados de Atlanta em suas demonstrações financeiras, ante os 50% de participação detidos anteriormente.

Atualmente, o Campo de Atlanta opera por meio de dois poços. Nas próximas semanas, um terceiro poço retornará à produção. A produção reportada pela companhia aumenta de aproximadamente 9.000 para 18.000 barris de óleo por dia imediatamente, sendo ampliada para cerca de 22.500 barris de óleo por dia após a entrada do terceiro poço, volumes que representam recordes de produção de petróleo para a Enauta.

“Adicionalmente, estão em andamento atividades para ampliar a capacidade de tratamento de água no FPSO e aumentar a produção de óleo, com a conclusão da primeira etapa prevista até o final deste ano. Além disso, a Enauta avalia a possibilidade de antecipar a perfuração do quarto poço no Campo”, informou a empresa.

O montante de US$ 43,9 milhões devido pela Barra Energia à Enauta Energia, referente às operações de abandono futuro dos três poços e ao descomissionamento das facilidades existentes no Campo de Atlanta, será pago ainda em junho de 2021.

Cielo (CIEL3, R$ 3,62, -1,36%)

A Cielo anunciou na sexta que Mauro Ribeiro Neto renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração, deixando de fazer parte também do conselho. O conselheiro Gustavo de Souza Fosse também apresentou carta de renúncia.

Também na sexta, foi aprovada a eleição de José Ricardo Fagonde Forni e Ênio Mathias Ferreira, indicados pelo BB Elo Cartões para substituir Mauro Ribeiro Neto e Gustavo de Souza Fosse, respectivamente.

Petrobras (PETR3, R$ 29,28, -0,44%; PETR4, R$ 29,05, -0,17%)

A Petrobras informou que iniciou nesta segunda-feira licitação internacional, na modalidade EPC (engenharia, suprimento e construção), para implantação de uma nova unidade de hidrotratamento de diesel e os sistemas auxiliares necessários, visando à adequação e modernização do parque de refino de Paulínia (SP), onde está a maior refinaria da empresa.

Com o projeto, a Replan será capaz de produzir 100% de óleo diesel de baixo teor de enxofre (S-10) e aumentar a produção de querosene de aviação (QAV), visando o atendimento das especificações e quantidades demandadas pelo mercado.

A refinaria de Paulínia é uma das unidades que não integra o plano de desinvestimento.

A nova unidade de hidrotratamento de diesel terá capacidade de produção de 10.000 m³/dia de diesel S-10 e sua entrada em operação está prevista para ocorrer em 2025, em linha com o Plano Estratégico 2021-2025.

Inaugurada em maio de 1972, a Replan tem capacidade de processamento de carga de 69 mil m³/dia, o equivalente a 434 mil barris por dia.

CCR (CCRO3, R$ 13,41, +0,52%)

A CCR divulgou dados da última semana, indicando que as estradas com pedágio indicaram tráfego estável em comparação com o mesmo período de 2019, ano anterior à pandemia, com redução de 0,3% em relação à semana imediatamente anterior. O tráfego de passageiros em concessões urbanas caiu 35% em relação a 2019, mas subiu 7,7% em relação à semana imediatamente anterior. E o tráfego em aeroportos caiu 46% em relação a 2019 mas subiu 0,2% em relação à semana anterior.

O Bradesco BBI mantém avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para a CCR, e preço-alvo de R$ 18, frente aos R$ 13,34 negociados na sexta.

Suzano (SUZB3, R$ 59,60, +2,04%)

O Morgan Stanley publicou uma avaliação sobre a Suzano, em que afirma que a empresa fez progresso em relação a métricas de ESG. O banco diz que a empresa tem metas claras em relação a diversidade, inclusão e mudanças climáticas, com oportunidades de monetizar tendências de ESG, como expansão em produtos renováveis e venda de crétidos de carbono.

O banco destaca que entre as metas de diversidade e inclusão estão aumento da parcela de mulheres e funcionários negros em posições de liderança, de 19% e 21% em 2020 respectivamente para 30% em 2025. E alcançar um ambiente de trabalho 100% inclusivo em 2025, com base em metodologia de pesquisa adotada pela empresa. A empresa também tem a meta de retirar 200 mil pessoas da pobreza até 2030.

O Morgan Stanley também ressalta que a Suzano pretende reduzir de 0,21 tonelada de CO2 emitido por tonelada de produção em 2015 para 0,18 tonelada em 2030, com uso de tecnologia, como inteligência artificial para calcular rotas de logística, uso de caminhões elétricos, uso de energia renovável e substituição de gás natural por biomassa nas caldeiras. Além disso, a empresa tem a meta de capturar 40 milhões de toneladas de carbono da atmosfera em dez anos, frente ao sequestro líquido de 15 milhões de toneladas em 2020.

O banco diz que a gestão pretende monetizar a tendência de ESG por meio de novos produtos renováveis e soluções para substituir plástico por papel no mercado. Também vê oportunidades em explorar a bio-óleo, lignina e o setor têxtil. A meta da gestão é vender 10 milhões de toneladas em produtos renováveis até 2030

A gestão também afirma que identificou 22 milhões de toneladas de CO2 equivalente em créditos de carbono potenciais, e está negociando com possíveis compradores. As vendas de crédito podem, possivelmente, representar cerca de 2% da atual participação de mercado da Suzano.

Além disso, o Morgan Stanley diz que títulos atrelados a sustentabilidade vêm ganhando importância na estrutura de financiamento da Suzano. A empresa levantou US$ 2,8 bilhões por meio de títulos ligados a sustentabilidade, que representam 20% da dívida total da Suzano.

O banco mantém avaliação equal-weight (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) e preço-alvo de R$ 85, frente aos R$ 58,41 negociados na sexta.

Mais ESG

O Morgan Stanley publicou uma avaliação sobre a governança ambiental e social (ESG na sigla em inglês) na América Latina, com um crescimento de 250% em investimentos sustentáveis em um ano, a US$ 2,4 bilhões.

O banco avalia que a penetração da ESG em apenas 0,2% dos ativos na América Latina indica o potencial de crescimento, levando em consideração o patamar de 1% nos Estados Unidos e de 20% na Europa.

Em sua análise, o banco lista empresas da América Latina cujos produtos e serviços podem contribuir para solucionar desafios de sustentabilidade. Entre empresas que avalia como overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado), ressalta Cesp, Traxion, Eletrobras e Ienova como com potencial para abordar questões ligadas a mudança climática. Copasa, Sanepar e Orbia são citadas como empresas capazes de lidar com gestão de recursos. Intermédica, Hapvida e Hypera são capazes de lidar com saúde e bem-estar. America Movil, Yduqs, Arco e PagSeguro podem lidar com inclusão.

Ensino superior

O Credit Suisse realizou uma reunião com o fundador e diretor da Educa Insights, especializada em ajudar empresas a aumentarem a matrícula de estudantes, a partir da qual realizou uma avaliação sobre o setor de ensino superior no Brasil.
O Credit diz que ainda há incertezas sobre a matrícula de novos alunos em ensino presencial para o segundo semestre de 2020, já que, segundo pesquisa da Educa, 43% dos potenciais alunos atrasaram a matrícula para 2022. Outros 26% estão aguardando a resolução da situação da pandemia.

O Credit avalia que restrições e incertezas ocasionadas pela pandemia devem atrasar a volta à normalidade da indústria para 2022. A demanda reprimida pode impulsionar os dados do ano que vem.

A Educa avalia que descontos têm sido a estratégia comercial mais eficaz para atrair e reter novos alunos, e diz que este fenômeno, junto ao ensino a distância e e hibridização, deve reduzir o tíquete médio por algum tempo. Também avalia que a oferta de financiamento privado continuará a cair.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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