Destaques da bolsa

Ação da Cogna salta 20% na semana entre aumento de participação e IPO da Vasta; CVC avança 14% e Petrobras sobe com petróleo

Confira os destaques da B3 na sessão desta sexta-feira (10)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou com ganhos na sessão desta sexta-feira (10), superando os 100 mil pontos e acumulando alta de 3,38% na semana. O início do dia apontava como sendo de leve baixa com os temores renovados com o aumento de casos do coronavírus; contudo, surgiu uma boa notícia, da Gilead, sobre o tratamento da doença. A companhia informou que o Remdesivir reduziu o risco de morte para pacientes com coronavírus em 62% em comparação com o tratamento padrão, animando os investidores.

Papéis de blue chips, como Petrobras (PETR3, R$ 23,00, +1,55%; PETR4, R$ 22,51, +1,67%) e Vale (VALE3, R$ 56,97, +0,97%), ganharam mais força, fechando com alta de cerca de 1%. No mercado de commodities, o petróleo subiu mais de 2% na sexta-feira depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) aumentou sua previsão de demanda para 2020, apesar dos novos recordes de casos de coronavírus nos Estados Unidos atenuarem as expectativas de uma rápida recuperação no consumo de combustível. O brent teve alta de 2,2%, a US$ 43,25 o barril, enquanto o WTI subiu 2,3%, a US$ 40,55 o barril.

Entre os destaques de alta da bolsa, a CVC (CVCB3, R$ 22,00, +13,99%) subiu forte, com ganhos superiores a 12% na sessão, em uma semana de volatilidade para as ações da companhia. Ela informou que o  Conselho de Administração aprovou aumento de capital de até R$ 301,7 milhões.

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A Cogna Educação (COGN3, R$ 8,64, +11,05%) viu suas ações em forte alta na sessão e também no acumulado da semana, com alta acumulada de 20%. Na noite da véspera, ela informou que a gestora Alaska elevou sua participação acionária na empresa, para 10,05% de todo o capital social da companhia. Os fundos de investimento da Alaska passaram a deter 188.589.984 ações ordinárias. Vale destacar que, nesta semana, a companhia informou ter formalizado o registro da oferta pública inicial de ações (IPO) de sua subsidiária integral Vasta Platform Limited, em Nova York.

Varejistas também foram destaque de alta na semana na esteira dos dados de varejo de maio acima do esperado apresentados pelo IBGE na quarta-feira (com alta de 13,9% ante abril). Ações de Lojas Americanas (LAME4, R$ 35,16, -0,59%), Via Varejo (VVAR3, R$ 17,62, +0,40%), B2W (BTOW3, R$ 120,24, +0,05%) e Magazine Luiza (MGLU3, R$ 80,18, +0,98%), mesmo com algumas delas registrando queda na sexta-feira, tiveram ganhos de pelo menos 10% na semana.

A Eletrobras (ELET3, R$ 36,27, -1,33%;ELET6, R$ 37,09, -2,09%) viu seus papéis fecharem em queda após a disparada da véspera com as movimentações do governo para destravar a venda da estatal. A XP ressalta que o processo de negociação política para efetivar tal processo (bem como qualquer privatização de companhia relevante) é muito complexo, demandando muito tempo e articulação política. Contudo, os ativos ainda acumularam ganhos de 11,29% para a classe ordinária e de 9,25% para a classe preferencial.

“Notamos que o projeto de lei de privatização da Eletrobras foi enviado pelo governo ao Congresso em novembro do ano passado, mas até o momento não tem sequer um relator indicado. O Presidente da Câmara Rodrigo Maia deixou claro por diversas vezes que não criará comissão especial para analisar a proposta enquanto não houver clareza de que o projeto possa ser aprovado no Senado – casa legislativa onde há maior resistência ao projeto”, avalia a XP.

Confira os destaques:

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
CVCB313.9896422
COGN311.053988.64
HGTX36.3241116.14
MRVE36.2038421.57
GOLL46.0375420.9

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
QUAL3-2.5312329.65
ELET6-2.0079337.09
VIVT4-1.8090548.85
RADL3-1.68889110.6
GNDI3-1.6330363.85

Petrobras (PETR3, R$ 23,00, +1,55%; PETR4, R$ 22,51, +1,67%)

O fundo de investimento Mubadala, de Abu Dhabi, fez a melhor oferta na fase vinculante e ganhou o direito de discutir com exclusividade os termos do contrato de compra com a Petrobras para a compra da Rlam, segunda maior refinaria do Brasil.

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A negociação ainda pode levar algumas semanas para ser concluída, segundo informação da agência Reuters.

Em outra operação, a estatal assinou o contrato para a venda da totalidade de sua participação nos campos de Pescada, Arabaiana e Dentão para a Ouro Preto Óleo e Gás. O valor da operação foi de US$ 1,5 milhão.

O pagamento será realizado em duas parcelas. A primeira, de U$ 300 mil na assinatura do acordo e uma parcela de US$ 1,2 milhão no fechamento da transação, que precisa ser submetido à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Agência Nacional do Petróleo (ANP).

 (COGN3, R$ 8,64, +11,05%)

A Cogna Educação informou que a gestora Alaska elevou sua participação acionária na empresa, para 10,05% de todo o capital social da companhia. Os fundos de investimento da Alaska passaram a deter 188.589.984 ações ordinárias.

Vale destacar que, nesta semana, a companhia informou ter formalizado o registro da oferta pública inicial de ações (IPO) de sua subsidiária integral Vasta Platform Limited, em Nova York.

JBS (JBSS3, R$ 22,84, +2,70%)

A JBS, por meio de sua unidade de Novos Negócios, iniciou a construção de uma fábrica de fertilizantes em Guaiçara (SP), com investimento de R$ 91 milhões e expectativa de conclusão dentro de um ano, informou a companhia. A planta de Guaiçara terá 51 mil m² e 150 colaboradores diretos.

O empreendimento fará da JBS a primeira empresa de alimentos no país a utilizar resíduos orgânicos gerados em seus frigoríficos para a produção de fertilizantes.

“Com isso, passaremos a atuar no mercado agrícola”, afirmou o presidente da JBS Novos Negócios, Nelson Dalcanale em nota.

Cielo (CIEL3, R$ 4,21, +0,20%)

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A Cielo recebeu autorização do Banco Central para ser uma emissora de moeda eletrônica, segundo informação do jornal “O Estado de S.Paulo”. Isso significa que a credenciadora de maquininhas de cartão terá, em tese, mais autonomia. Com o aval do órgão regulador nas mãos, a Cielo poderá ampliar seu leque de atributos como, por exemplo, emitir cartões pré-pagos, o que hoje não é possível, bem como prestar serviço de carteiras digitais de forma independente.

O passo é especialmente importante para o seu banco digital, o Cielo Pay. Atualmente, a plataforma tem mais de 100 mil clientes entre usuários e contas digitais. Agora, poderão receber recursos por meio de transferências eletrônicas como TEDs e DOCs. Hoje, só podem fazer a transferência.

“A autorização é positiva para a Cielo, que vai ter mais flexibilidade para entrar em outros meios de pagamento e tentar mitigar os riscos de disrupção tecnológica”, destaca a equipe de análise da XP Investimentos.

CVC (CVCB3, R$ 22,00, +13,99%)

A CVC informou que o Conselho aprovou aumento de capital de até R$ 301,7 milhões. O aumento de capital será feito mediante emissão de ações ordinárias para subscrição privada, disse a companhia em
comunicado.

A operação será de no mínimo R$ 200 milhões e no máximo R$ 301,7 milhões, por meio da emissão de no mínimo 15,6 milhões e no máximo 23,5 milhões de ações ON. O preço de emissão é de R$ 12,84.

A CVC informou que oferece como “vantagem adicional” aos subscritores 1 bônus de subscrição, em série única, para cada ação subscrita. Caso todas as ações sejam subscritas e todos os bônus de subscrição sejam exercidos, aumento de capital poderá alcançar R$ 401,3 milhões. Os recursos serão usados para fortalecer a posição de caixa a fim de viabilizar a retomada das vendas a crédito e parceladas, que compõem aproximadamente 85% do total das vendas.

Também serão usados para preparar a cia. para um cenário de curto prazo ainda marcado por grande volatilidade e incerteza em razão da pandemia de Covid-19.

IMC (MEAL3, R$ 5,03, +6,34%)

A International Meal Company, dona das marcas Frango Assado e Viena, aprovou uma oferta primário de ações que pode fazer com que a companhia arrecade até R$ 427,8 milhões. O valor tem como base o tamanho da oferta (67 milhões de ações ordinárias em uma operação com esforços restritos) e o valor da cotação da empresa no último pregão (R$ 4,73), além de um lote adicional de até 35%.

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A definição do preço está agendada para 21 de julho. Segundo a companhia, os recursos serão utilizados para a expansão das marcas rango Assado, KFC e Pizza Hut no Brasil.

Enauta (ENAT3, R$ 10,98, +0,92%)

A Enauta comunicou que produziu um total de 1,44 milhão de barris de óleo equivalente no segundo trimestre. A produção de óleo do campo de Atlanta foi de 2,29 milhões de barris, enquanto a produção de gás e condensado do campo de Manati foi de 101,9 milhões de metros cúbicos.

Unicasa (UCAS3, R$ 4,56, -0,87%)

A Unicasa, dona das marcas Dell Anno e Favorita, informou que a partir do dia 13% de julho irá operar com cerca de 85% da capacidade do período pré-pandemia do novo coronavírus.

A companhia irá reverter parcialmente as suspensões de contrato de trabalho ou reduções de jornada implementadas no início de julho. No setor administrativo, será priorizado o trabalho em home office.

Elétricas

O custo final do empréstimo emergencial de R$ 14,8 bilhões ao setor elétrico caiu 0,1 ponto percentual, para CDI + 3,79%, segundo reportagem do jornal Valor Econômico.

O valor é composto pela taxa de juros (CDI + 2,8%) e comissões de estruturação, de 2,5% sobre o valor contratado. São 16 bancos que participarão da operação, entre eles o Banco do Brasil, Bradesco BBI, Itaú Unibanco e BTG.

O empréstimo terá carência até julho de 2021 e vencimento em dezembro de 2025. A expectativa é de que os repasses às distribuidoras possam ocorrer até o fim de julho.

Fras-le (FRAS3, R$ 5,51, +1,10%)

A fabricante de autopeças Fras-le aprovou a emissão de R$ 210 milhões em debêntures simples. Essa é a 4ª emissão da companhia.

Os papéis terão prazo de sete anos, remuneração de CDI mais 1,45% com juros pagos semestralmente e a oferta destinada a investidores profissionais.

Os recursos líquidos da oferta serão utilizados para o pagamento de 50% do preço de aquisição da totalidade das ações do capital social da Nakata Automotiva e o restante será utilizado para reforço de caixa.

Marcopolo (POMO4, R$ 2,99, -0,99%) e Iochpe-Maxion (MYPK3, R$ 14,10, -0,07%)

As ações de Marcopolo e Iochpe-Maxion tiveram a recomendação reduzida pelo JPMorgan. Marcopolo passou de overweight (exposição acima da média do mercado) para neutra e Iochpe passou para underweight (exposição abaixo da média do mercado).

Latam e bancos

Após entrada no pedido de recuperação judicial (Chapter 11) do Grupo Latam nos Estados Unidos, a Latam Brasil informou que espera reduzir suas operações no país em cerca de 30%, com a normalização apenas em 2023.

Na avaliação dos analistas do Bradesco BBI, a companhia deve ter facilidade em ajustar a frota porque os contratos de leasing, em sua maioria, foram feitos no Chile. “Nós achamos que essa decisão poderia acelerar o atingimento do ponto de equilíbrio da operação brasileira”, disseram, em relatório a clientes, reforçando que a recomendação para os papéis do grupo Latam é de “underperform”.

A Confederação Nacional do Comércio informou que as perdas do setor de turismo desencadeadas pela pandemia do coronavírus já chegam a R$ 122 bilhões no Brasil, também confirmando que os volumes só devem ser recuperados em 2023.

“A lenta recuperação do turismo no Brasil pode ter um impacto negativos nas companhias áreas brasileiras e no setor de aluguel de carros. Ainda assim, esperamos uma troca do turismo internacional pelo doméstico, o que pode acelerar a recuperação das receitas nesses setores”, segundo relatório do Bradesco BBI.

Ainda no âmbito da entrada da Latam Brasil no processo de recuperação judicial do Grupo Latam nos Estados Unidos, a companhia aérea anunciou R$ 1,4 bilhão em dívida com o Banco do Brasil e Bradesco que entraram no processo.

“Embora seja provável que parte destas linhas já estejam provisionadas, a notícia é negativa para os bancos. De acordo com nossas estimativas, as linhas representam 3% do lucro do Bradesco e 10% do lucro do Banco do Brasil, ambos para 2020”, avaliou a XP Investimentos.

Mitre (MTRE3, R$ 17,70, +5,99%)

A construtora Mitre registrou vendas líquidas de R$ 34,9 milhões no segundo trimestre, com baixo nível de cancelamentos e foco na venda de estoque. Foram vendidas 68 unidades no trimestre, número superior ao primeiro trimestre de 2020 (62 unidades).

A companhia não realizou nenhum lançamento no período, pois esteve com seus estandes de venda fechados a maior parte do trimestre devido ao Covid-19. Para o terceiro trimestre, a Mitre tem planos de lançar três novos empreendimentos.

A velocidade de vendas (vendas / estoques + lançamentos) foi de 30,3% no segundo trimestre, resultado superior aos 21,6% no primeiro trimestre. A velocidade de vendas nos últimos dois meses atingiu 81,1% contra 79,9% dos 12 meses acumulados no fechamento do primeiro trimestre.

O estoque da Mitre ficou em R$ 85,9 milhões em termos de Valor Geral de Vendas (VGV), queda de 35% frente igual período de 2019. O estoque tem 157 unidades, sendo apenas 10 unidades localizadas em empreendimentos prontos. Em relação às entregas, não existia nenhuma programada para o trimestre.

“O resultado operacional da Mitre foi bom e veio acima do esperado, com crescimento das vendas líquidas mesmo com a quarentena que fechou os estandes de vendas no segundo trimestre de 2020”, destaca a equipe de análise da Levante Ideias de Investimento.

De acordo com os analistas, o resultado mostrou que a empresa tem um produto com bastante aceitação no mercado, pois mesmo com as dificuldades impostas pelo Covid-19 conseguiu acelerar suas vendas.

(Com Agência Câmara e Bloomberg)

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