Destaques da bolsa

Ação da Hypera salta mais de 16% após maior aquisição de sua história; Petrobras e Vale sobem quase 5% com alívio externo

Confira os destaques da B3 na sessão desta segunda-feira (2)

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SÃO PAULO – A sessão desta segunda-feira (2), a primeira do mês de março, foi novamente de fortes emoções para o Ibovespa. Após abrir com leves ganhos e registrar forte volatilidade, o índice engatou alta e fechou com ganhos superiores a 2% em meio aos sinais dos bancos centrais pelo mundo de que irão dar apoio à economia e também com a notícia de que o G7 irá se reunir para responder e limitar os danos do surto do coronavírus. Com isso, ações como da Vale (VALE3) subiram 4,63%, a R$ 46,36, enquanto a Petrobras (PETR3;PETR4) viu seus papéis ordinários avançarem 3,50% e os preferenciais subirem 4,70%.

Siderúrgicas como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) subiram forte, assim como os frigoríficos com destaque para Marfrig (MRFG3), enquanto a BRF (BRFS3) também subiu forte. Esta última companhia ainda obteve aprovação de 15 de suas plantas para exportar para Omã.

No mercado de commodities, os contratos futuros de petróleo fecharam em forte alta impulsionados por expectativas de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) anuncie novos cortes na produção para fazer frente ao declínio na demanda causado pelo avanço do coronavírus, além do otimismo de que bancos centrais mundiais vão implementar medidas de estímulo à economia.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 4,45%, a US$ 46,75 o barril, após ter despencado mais de 16% na semana passada. Já o Brent para maio avançou 4,49%, a U$ 51,90 o barril, na Intercontinental Exchange.

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Mas os grandes destaques de ações ficaram com a CVC (CVCB3) que, após ser a maior queda de fevereiro com baixa de 29,51%, iniciou o mês com queda de 10,61% após indícios de erros contábeis no balanço do quarto trimestre. Já a Hypera (HYPE3) saltou 16,62% após a compra de ativos da Takeda na América Latina por US$ 825 milhões, a maior já realizada pela companhia.

Entre as maiores quedas, estão os ativos ordinários do Pão de Açúcar (PCAR3), enquanto o IRB (IRBR3) registrou forte queda após comunicar ao mercado a renúncia de Ivan Monteiro ao cargo de presidente do conselho de administração da companhia.

Confira mais destaques:

CVC (CVCB3

A operadora turística CVC informou ao mercado, na noite da sexta-feira, que encontrou indícios de erros e irregularidades contábeis nos valores transferidos a operadores turísticos entre 2015 e 2019, em uma soma aproximada de R$ 250 milhões, que podem impactar o balanço do quarto trimestre de 2019.

“Caso sejam confirmados, esses erros poderão ensejar a necessidade de ajustes contábeis significativos nos resultados reportados pela Companhia”, comunicou a empresa.

Segundo a CVC, os erros ocorreram na diferença entre valores provisionados no momento em que foram contratados serviços turísticos e valores que foram efetivamente desembolsados aos fornecedores após a realização das viagens. A CVC afirmou que a descoberta não alterará sua posição atual de caixa, mas determinou uma apuração independente pelo Comitê de Auditoria.

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O Bradesco BBI aponta que o fato é negativo para a empresa, significando que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi superestimado na mesma magnitude de R$ 250 milhões para o período, e que a receita líquida também foi superestimada em R$ 165 milhões (ao redor de 8%) para o quadriênio.

“Contudo, é importante ressaltar que a geração de caixa não foi afetada porque os fornecedores foram pagos corretamente e a receita superestimada foi equiparada por um capital da mesma magnitude”, avalia o BBI. “Apesar de todos os ventos contrários, nós permanecemos construtivos sobre a CVC, na expectativa de que sinais de melhora virão no final do primeiro trimestre, porque as vendas se deterioraram em março do ano passado”, comenta o BBI.

Conforme destacam os analistas, o papel CVCB3 já perdeu 41% do valor nos últimos doze meses, afetado primeiro pela alta do dólar, recentemente pelo surto do coronavírus que reduziu as vendas de viagens. Por isto, o fato não deve ter efeitos muito fortes sobre a ação, que deverá ter mais uma queda hoje na B3, mas tende a se recuperar no futuro. “Apesar das dificuldades, a CVC permanece como operadora líder de turismo no Brasil, tanto no lazer como nas viagens corporativas”, avalia. O BBI mantém a nota da CVCB3 como “outperform” (acima da média), com preço-alvo de R$ 42,00 para 2020, 63% acima dos R$ 25,70 do fechamento na B3 em 28 de fevereiro.

Hypera (HYPE3)

A Hypera confirmou na manhã de hoje que comprou por US$ 825 milhões (R$ 3,7 bilhões, ao câmbio de hoje) o portfólio de 18 medicamentos sem prescrição da japonesa Takeda Pharmaceutical International, sendo a maior aquisição da história da empresa.

A Hypera, maior indústria farmacêutica do Brasil e sediada na capital paulista, afirmou já ter assegurado com os bancos linhas de crédito de R$ 3,5 bilhões para financiar a aquisição. Entre os remédios isentos de prescrição adquiridos pela Hypera estão o Neosaldina, Dramin e Nesina.

Segundo a empresa, a venda dos 18 medicamentos gerou um faturamento líquido de R$ 900 milhões no ano passado no Brasil e no México, com o Brasil representando 83% do valor.

“A Hypera Pharma e a Takeda também assinarão acordo de fabricação e fornecimento em conexão com a transação, por meio do qual a Takeda continuará a fornecer produtos à companhia”, informou a empresa brasileira, que absorverá 300 profissionais da equipe de vendas e marketing da farmacêutica nipônica quando a transação for concluída. A Hypera informou que a aquisição será concluída no final de 2020.

O Bradesco BBI avalia que a aquisição de 18 medicamentos da japonesa Takeda pela brasileira Hypera é “bem-vinda” porque amplia o portfólio da farmacêutica e gerará sinergias avaliadas em R$ 280 milhões. O BBI destaca que a Hypera transferirá a produção dos 18 remédios – entre eles Dramin e Neosaldina – para a fábrica de Anápolis (GO), onde devido a incentivos fiscais os custos são menores que em São Paulo.

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“Apesar da aquisição, nós ainda vemos um cenário desafiador para a Hypera, com as margens sob pressão porque a empresa é obrigada a investir em marketing para acelerar o crescimento”, avalia o banco. O BBI mantém a recomendação da Hypera como Neutra e o preço-alvo do papel em R$ 36,00, uma alta de 4% sobre os R$ 34,30 do fechamento na B3 no dia 28 de fevereiro.

Por outro lado, o Morgan Stanley aponta que o debate sobre o timing e a intensidade da recuperação (receita e margem). “Na nossa visão, a Hypera está se mostrando uma tendência de receita e ganhos de participação de mercado. Margens, por outro lado, seguem pressionadas, com a recuperação associada: i) melhora do mix dos produtos, ii) normalização de perdas de estoque e iii) menor pressão do câmbio.

O JPMorgan, por sua vez, elevou a recomendação de neutra para overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 44.

Durante teleconferência ,Adalmario Couto, diretor financeiro da Hypera, destacou que a estimativa inicial para sinergias com aquisições recentes está em torno de R$ 250-280 milhões anuais a serem capturados a partir do primeiro ano após o fechamento das transações.

A expectativa é que Cade aprove aquisição do portfólio da Takeda na América Latina até fim do ano; aquisição da marca Buscopan deve ser aprovada até o terceiro trimestre.

Já Breno Oliveira, diretor presidente da companhia, destacou que o portfólio da Takeda é estratégico para a empresa por conta de sinergias potenciais e potencial de crescimento adicional que esse perfil de marcas agregará. “A Hypera está acrescentando 4 novas power brands, marcas com
faturamento anual acima de R$ 100 milhões”, avaliou, apontando que o portfólio da Takeda ajuda empresa a atingir objetivo de crescer de 2 a 3 pontos acima do mercado.

Eneva (ENEV3) e AES Tietê (TIET11)

A Eneva enviou à geradora AES Tietê uma proposta de combinação de negócios entre as companhias que resultaria na criação de uma “gigante no setor de geração” no Brasil, informou a empresa controlada pelo grupo norte-americano AES nesta segunda.

De acordo com a Eneva, a operação levanta a possibilidade da troca de 0,0461 ação ordinária de emissão da Eneva para cada ação ordinária ou preferencial de emissão da AES Tietê, equivalente a 0,2305 por unit. Haveria também mais uma parcela em dinheiro de R$ 2,750 bilhões, o que representaria R$ 1,38 por ação, seja ordinária ou preferencial, e R$ 6,89 por unit.

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A relação de troca contemplaria prêmio de 13,3% sobre o preço de fechamento das ações da AES Tietê no pregão anterior à proposta.

A AES Tietê disse que analisará a oferta “de foram detalhada, mantendo o mercado informado sobre eventuais desdobramentos”.

Eucatex (EUCA4)

Uma ação de cobrança internacional da Prefeitura de São Paulo para recuperar cerca de US$ 230 milhões atribuídos a Paulo Maluf resultará no leilão de quase metade das ações da Eucatex, a empresa de pisos e laminados da família do ex-prefeito. O dinheiro, segundo o Ministério Público de São Paulo e a Procuradoria Geral do Município, é fruto do superfaturamento de obras entre 1993 e 1996.

Se tiver sucesso, a ação resolverá um entrave ao processo iniciado há mais de 20 anos para recuperar o dinheiro: o fato de que a maior parte dos recursos identificados como fruto de crimes se convertera em ações e não estava disponível para saques ou transferências.

Embora muito do que foi desviado ainda esteja bloqueado, a Prefeitura de São Paulo já recebeu de volta parte da verba. Até ano passado, cerca de US$ 35 milhões atribuídos a Maluf e descobertos nas contas de duas empresas suas voltaram à cidade. Em fevereiro, outros US 8,4 milhões, relacionados a uma terceira firma, também foram repatriados. Além disso, quatro bancos que participaram das movimentações dos recursos fizeram acordos com São Paulo para evitar indiciamentos – e concordaram com o pagamento de multas que somaram outros US$ 55 milhões, também devolvidos à cidade entre 2014 e 2017.

Oi (OIBR3;OIBR4)

A pauta da nova assembleia de credores da Oi incluirá uma proposta de venda de operações móveis da companhia, diz o Valor, citando pessoa ouvida sob condição de anonimato. A venda da área de telefonia móvel criaria impasse no leilão do 5G, diz a Folha.

Via Varejo (VVAR3)

A Via Varejo prevê crescimento da receita total consolidada neste ano em um intervalo entre 10% e 20% de acordo com o Formulário de Referência de 2019 feito hoje pela varejista. Anteriormente, o documento previa um aumento de “dois dígitos” da receita, mas não especificava nenhum número ou intervalo. Os demais guidances foram mantidos.

Para a receita online consolidada, a expectativa é de alta de aproximadamente 30% no valor bruto de mercadoria. A margem Ebitda ajustada deve aumentar entre 5% e 7%. A Via Varejo estima ainda um capex entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões para este ano. O valor precisa ser aprovado na Assembleia Geral Extraordinária marcada para 29 de abril. Outro ponto que será abordado é a abertura de 70 a 90 lojas neste ano.

RD (RADL3)

A XP Investimentos iniciou a cobertura para as ações da RD com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 112 por ação ao final de 2020 (potencial de queda das ações de 6% frente ao fechamento de sexta-feira).

A recomendação é neutra uma vez que o crescimento acelerado já está precificado. “Esperamos que a abertura de 880 novas lojas até 2023 sustente um crescimento médio anual de 16% nas vendas, 22% de EBITDA e 29% de lucro líquido para os próximos três anos. “Entretanto, com as ações negociando a 46 vezes o preço sobre o lucro para 2021 (versus 25 vezes na média do setor), acreditamos que boa parte desse crescimento já esteja incorporado no preço atual”, avaliam os analistas.

IRB Brasil (IRBR3)

O IRB Brasil comunicou ao mercado a renúncia de Ivan Monteiro ao cargo de presidente do conselho de administração da companhia. Segundo o Valor, Monteiro renunciou por não ter conseguido obter apoio para implementar as mudanças desejadas na resseguradora.

Pão de Açúcar (PCAR3)

O Pão de Açúcar começa a negociar as suas ações no Novo Mercado a partir desta segunda-feira.  “A conversão das ações preferenciais em ações ordinárias era o último passo para a conclusão da migração do GPA ao Novo Mercado e, a partir de hoje, o GPA está formalmente operando em tal segmento”, informou a companhia.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil informou que pagará R$ 517,4 milhões de remuneração aos acionistas, relativos ao primeiro trimestre de 2020, no dia 31 de março. Segundo o BB, os juros sobre o capital próprio terão como base a posição acionária de 11 de março. Donos de ações transferidas após o dia 12 não participarão do pagamento.

You, Inc

A construtora e incorporadora imobiliária You, inc, de São Paulo (SP), comunicou à CVM que pretende fazer uma oferta pública de ações (IPO) na B3. Paralelamente, a construtora fez um pedido à B3 para ter o seu registro de listagem e comercialização. A You, inc informou que em 2019 obteve uma receita líquida de R$ 552,4 milhões, uma expansão de 52% sobre 2018. O lucro líquido da empresa no período caiu 1%, em comparação a 2018, para R$ 30,6 milhões. A You,inc informou que tem terrenos no valor de R$ 2 bilhões para futuras construções na capital paulista a partir deste ano. O foco da construtora e incorporadora é levantar prédios com apartamentos compactos próximos a estações do metrô e dos trens. A empresa encerrou 2019 com um índice de distratos de 12,67%, queda de 2,78% sobre 2018.

Grupo Soma

O Grupo Soma, proprietário das marcas de vestuário feminino Animale e Farm, registrou na sexta-feira (28) um pedido de abertura de oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) primária e secundária na CVM. A oferta terá o banco Itaú BBA como coordenador, com o J.P. Morgan, Bank of America e XP Investimentos como participantes.

O Soma possui 221 lojas próprias no Brasil e duas nos Estados Unidos. O grupo informou no prospecto enviado que teve lucro líquido de R$ 126,8 milhões em 2019, com uma receita líquida de R$ 1,3 bilhão e um Ebitda de R$ 214,5 milhões. O soma informou que pretende usar os recursos levantados na oferta para a aquisição de outras marcas e para investimentos em tecnologia.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)