Destaques da bolsa

Ação da Cielo salta 9% apesar de negativa sobre conversas com a Stone; Petrobras cai com petróleo

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (18)

Plataforma da Petrobras
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em leve queda na sessão desta quarta-feira (18) repercutindo a decisão do  Federal Reserve de reduzir as taxas de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual.

Mais uma vez, chamou a atenção o movimento de Petrobras (PETR3, R$ 30,02, -1,64%; PETR4, R$ 27,22, -1,70%), que registrou mais uma sessão de queda com uma nova sessão de baixa do petróleo, seguindo o alívio com a perspectiva de volta da produção na Arábia Saudita após o ataque na Aramco no fim de semana. Por outro lado, os investidores repercutem a fala de Donald Trump, presidente dos EUA, sobre aumentar as sanções contra o Irã. 

A maior alta ficou com a Cielo (CIEL3), que disparou 9% e ampliou rali após o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, ter informado que o Banco do Brasil – um dos acionistas controladores da Cielo – estava em conversas com a Stone, mas que as negociações esfriaram. O movimento de alta continua apesar da Cielo apontar em comunicado que não tem conhecimento das informações contidas na notícia. 

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De acordo com o Credit Suisse, uma fusão envolvendo ambas as companhias parece improvável, considerando os perfis de cliente e as culturas corporativas diferentes, alem dos contratempos para a estratégia da Stone, que passaria a ter um banco como controlador.

Ainda assim, uma fusão poderia levantar questões anti-concorrência, já que a Stone tem 38% do mercado. “Apesar de tudo isso, achamos que poderia haver sinergias e um re-rating para a ação da Cielo”, avaliam os analistas. 

Confira mais destaques:

Vale (VALE3)

A Vale monitora o preço do minério, que registra uma queda de 0,4% no porto de Qingdao. 

O Bradesco BBI elevou o preço-alvo das ADRs da Vale para US$ 19 e reafirmou que a mineradora a top pick do setor na América Latina. “Embora o trágico acidente de Brumadinho nunca seja esquecido, acreditamos que a Vale está no caminho certo para restabelecer a confiança da sociedade e dos investidores”, escreveu o analista Thiago Lofiego.

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Segundo ele, o desembolso de caixa relacionado a Brumadinho provavelmente não será maior do que os US$ 6 bilhões já provisionados, enquanto o déficit do mercado de minério de ferro deverá permanecer em 2020.

A instituição projeta um preço para a commodity de US$ 90 em 2019 e US$ 75 em 2020, mas as ações da Vale, atualmente, refletem uma cotação de US$ 60.

O documento acrescenta os dividendos poderão ser restabelecidos em breve, com desembolsos, estimados pelo Bradesco BBI de US$ 7 bilhões a 10 bilhões em 2020.

No radar da companhia, de acordo com informações da agência Dow Jones Newswires, a Polícia brasileira deve anunciar as primeiras acusações contra funcionários da gigante mineradora Vale e a companhia de inspeção alemã TÜV SÜD já nesta semana por causa do colapso da barragem ocorrido em janeiro em Brumadinho, de acordo com uma pessoa ligada à investigação. A polícia deve acusar formalmente entre oito e 12 pessoas das duas companhias pelo crime de falsa representação na primeira de uma série de acusações, alegando que os certificados produzidos pela companhia alemã para atestar a estabilidade da barragem foram emitidos de maneira fraudulenta, disse a fonte, sem nomear os suspeitos.

“Os indivíduos acusados inventaram uma metodologia inadequada para justificar dar à barragem uma nota mínima de segurança”, afirmou a pessoa, acrescentando que os estudos forenses da polícia mostraram que os métodos usados foram insuficientes para garantir a estabilidade da barragem.

Pela lei brasileira, a polícia pode apenas formalmente acusar os suspeitos, enquanto cabe aos procuradores apresentar as acusações perante um juiz. A polícia continua a investigar pessoas da Vale e da TÜV SÜD por homicídio e crimes ambientais pelo episódio de Brumadinho, que deixou 270 mortos no pior desastre do tipo em mais de meio século. A polícia deve recomendar mais acusações contra pessoas e empresas ao longo da investigação, disseram investigadores.

Um porta-voz da TÜV SÜD disse que a companhia não comentaria o caso, além de dizer que coopera totalmente com as autoridades na investigação. Uma porta-voz da Vale não quis comentar. A Vale tem dito que não tinha conhecimento de nenhum risco iminente e que coopera totalmente com as autoridades.

Petrobras (PETR3;PETR4)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reafirmou ontem que quem resolve questões relacionadas ao preço do petróleo é a Petrobras. “Petróleo quem resolve é a Petrobras. Preço de petróleo é com a Petrobras”, disse Guedes, após reunião Bolsonaro. De acordo com a Petrobras, por enquanto, não há previsão de reajuste de preços nos produtos negociados pela estatal, como os combustíveis e derivados de petróleo.

Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) inscreveu 17 empresas para participar da 16ª Rodada de Licitações, que vai acontecer no dia 10 de outubro. Entre as inscritas, 15 são estrangeiras. As exceções são a Petrobras e a Enauta.

Outra característica do grupo de inscritas é que quase a totalidade já possui contrato para explorar e produzir no Brasil. Nesse caso, a exceção é a Petronas, da Malásia.

Na 16ª Rodada de Licitações, vão ser oferecidos 36 blocos de pós-sal, nas bacias marítimas de Pernambuco-Paraíba, Jacuípe, Camamu-Almada, Campos e Santos, que somam 29,3 mil km2 de área.

Na lista de empresas inscritas estão: BP, Chevron, CNOOC, Ecopetrol, Equinor, ExxonMobil, Karoon, Petrobras, QPI, Repsol, Shell, Total, Enauta, Murphy, Petrogal, Petronas e Wintershall.

Banrisul (BRSR6)

O Banrisul informou, em fato relevante, no âmbito da oferta secundária de ações do seu controlador, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, que reduziu de 96.323.426 para 71.350.686 o total de ações a ser ofertada. O banco manteve a possibilidade de um lote adicional, com o acréscimo de até 35%, ou seja, em até 24.972.740 ações, à oferta.

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Além disso, o banco gaúcho alterou para o hoje o encerramento das apresentações a potenciais investidores e procedimento de bookbuilding, bem como de fixação do preço por ação, com a consequente postergação das datas previstas para o início das negociações e liquidação.

Cielo (CIEL3)

A Cielo informou, em resposta a ofício da CVM, que não tem conhecimento acerca das informações contidas em notícia veiculada no domingo referente a negociações entre a companhia e a Stone pelo blog do Lauro Jardim do Globo.

Natura (NATU3)

Os acionistas da Natura aprovaram a proposta da administração da companhia de aumento do capital social em R$ 1,242 bilhão, mediante a capitalização de parte do saldo da conta de reserva de lucros, com a emissão 432.571.228 ações ordinárias, a título de bonificação, na proporção de 1 nova ação para cada 1 ação ordinária de sua titularidade.

Como consequência do aumento de capital e da bonificação, o capital social da companhia passa a ser de R$ 1,711 bilhão. Farão jus à bonificação em ações acionistas detentores de ações ordinárias em 17 de setembro de 2019. As ações ficam “ex-direito” à bonificação a partir de 18 de setembro e serão creditadas na posição dos acionistas no dia 20 de setembro.

CPFL (CPFE3)

A CPFL publicou fato relevante informando que a Segunda Turma de Direito Público do STJ decidiu de maneira desfavorável à companhia em causa referente ao “Plano de Pensão – CPFL Paulista”, por meio do qual a Receita Federal contesta a dedutibilidade de despesas reconhecidas pela controlada CPFL Paulista em 1997, relacionadas a um déficit do fundo de pensão da Fundação CESP.

Segundo a empresa, os valores discutidos nas diversas ações judiciais independentes envolvem atualmente o valor de até R$ 550 milhões, referente ao valor do principal, além de multa e juros. Na decisão, o STJ mantém a exigibilidade da autuação fiscal e revoga o efeito suspensivo atribuído ao referido recurso.

“A companhia permanece confiante nos fundamentos jurídicos de sua posição, inclusive aqueles de natureza constitucional, mantendo o prognóstico de risco de perda dos processos como ‘possível’ como mencionado no Formulário de Referência, razão pela qual continuará defendendo seus argumentos perante o Poder Judiciário, bem como continuará tentando evitar possíveis saídas de caixa caso venha a ser instada a substituir as garantias judiciais existentes por depósito em dinheiro”, diz a CPFL.

Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4) e incorporadoras

Bancos privados estudam lançar linhas de crédito imobiliário corrigido pelo IPCA, de olho no público de média e alta rendas. Tanto Itaú Unibanco quanto Bradesco preparam o lançamento para breve, na contramão da concorrente Caixa Econômica Federal, que ofereceu a modalidade para o público em geral com o apelo de uma prestação inicial de 30% a 50% menor que as linhas tradicionais.

Os bancos privados miram clientes com capacidade de quitar o financiamento diante de um eventual repique da inflação. De olho em pessoas de média e alta renda, essas instituições avaliam conceder linhas mais curtas do que os tradicionais financiamentos imobiliários com base na taxa referencial (TR), que chegam até 30 anos.

O Bradesco estuda lançar uma linha de crédito imobiliário com lastro no IPCA com prazos entre cinco e dez anos, conforme o diretor de empréstimos e financiamentos do banco, Leandro Diniz. “O IPCA é mais uma fonte de indexador, mas não é para todo mundo. Precisamos olhar um pouco a renda, um público específico e um prazo mais curto. Será um componente e não a solução de funding do mercado imobiliário no Brasil”, afirmou o executivo.

O Itaú Unibanco também mira o público de alta renda na questão do crédito com IPCA, conforme a diretora de crédito imobiliário da instituição, Cristiane Magalhães. O banco, assim como o concorrente Bradesco, estuda lançar uma modalidade com prazo menor, mas os detalhes do novo produto ainda estão em análise.

“Queremos ter o produto e vamos lançá-lo, mas buscamos a melhor forma e uma solução para nossos clientes”, afirmou Cristiane, acrescentando que no público de alta renda o apelo da prestação menor não é tão grande, por exemplo.

O público na mira dos privados difere do que tem tomado crédito com IPCA na Caixa. De acordo com o presidente do banco público, Pedro Guimarães, os clientes que têm demandado a modalidade são para a compra de imóveis com valor entre R$ 250 mil e R$ 300 mil.

“É o perfil da Caixa. A redução da mensalidade de 30% a 40% tem impacto muito grande justamente naquela população do faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, que não existe”, afirmou Guimarães, referindo-se às famílias com renda acima do limite do programa e que, por conta disso, não conseguem comprar imóveis com os benefícios.

A Caixa já emprestou R$ 200 milhões em menos de um mês da nova modalidade e tem outros R$ 600 milhões encaminhados para contratação. No total, a Caixa já registra 2,5 milhões de simulações para crédito imobiliário com IPCA e quase R$ 5 bilhões em limites pré-aprovados, considerando dados até o dia 12.

Sinqia (SQIA3)

A empresa de tecnologia Sinqia informou que aprovou o estabelecimento do preço por ação no valor de R$ 62,00 da sua oferta de ações, que somará R$ 362,7 milhões.

Segundo a empresa, o novo capital social passará de R$ 50,560 milhões, divido em 11.787.203 de ações ordinárias, para R$ 413,260 milhões, por meio de 17.637.209 de ações ordinárias.

Oi (OIBR3;OIBR4) e Telefônica Brasil (VIVT4)

O jornal Valor Econômico destaca divergência entre seus principais acionistas e a alta cúpula da tele. A gestora GoldenTree, maior acionista, tornou pública carta endereçada ao conselho de administração em que defende, novamente, a substituição imediata do diretor-presidente, Eurico Teles.

Segundo a publicação, o conflito vem influenciando diretamente as conversas sobre as alternativas de capitalização da Oi no curto e médio prazos. O jornal diz que dois membros do colegiado estiveram reunidos com o chairman da Telefônica, Eduardo Navarro, e conversaram sobre a possível venda da operação móvel da Oi em São Paulo.

O Valor acrescenta que mesmo diante da resistência de Teles a venda de ativos móveis também foi discutida com a TIM Brasil.

Em relatório, a analista do Itaú BBA, Susana Salaru, traz detalhes de reunião com representantes da Oi – que traz “perspectivas promissoras” –, quando foram discutidos o novo plano estratégico da empresa, que deve preparar o caminho para uma recuperação operacional impulsionada por segmentos de negócios de maior retorno, assim como pela venda de ativos e efeitos do PLC-79.

Segundo o documento, o novo plano estratégico irá focar na banda larga de fibra, B2B e atacado, sem enfatizar o DTH e o cobre. Além disos, destaca as vendas de ativos, que vão dar suporte à posição de caixa, com previsão de fechamento de negócios com a Unitel e torre móvel no quarto trimestre deste ano. “Embora alguns dos efeitos do PLC-79 possam levar mais tempo para se concretizar, as vendas de imóveis podem ser aprovadas no curto prazo”, acrescentou.

Para o Itaú BBA, a recomendação para os papéis da Oi é de outperform, com preço-alvo de R$ 1,00 e US$ 1,2.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

O jornal Valor Econômico afirma que o governo pretende mandar um novo projeto referente a privatização da Eletrobras. Em relação ao projeto apresentado pelo governo Michel Temer, houve alterações consideradas ruins pela atual equipe do Ministério de Minas e Energia.

A publicação acrescenta que, além de abrir mão de uma “Golden share”, o governo deverá abrir mão da indicação do presidente do conselho de administração. A intenção é não prejudicar a avaliação do mercado sobre o valor real de mercado da companhia elétrica.

Centauro (CNTO3)

O Itaú BBA atualizou o seu preço-alvo para Centauro ao final de 2020 para R$ 24, ante R$ 18,5 projetado para o encerramento deste ano. Em relatório a clientes, o analista Thiago Macruz e sua equipe mantiveram a recomendação de outperform.

Segundo o documento, os principais alavancadores digitais já estão em vigor, oferecendo melhor atendimento ao cliente e na logísticas. “Ainda há espaço considerável para crescimento, com 170 shopping centers candidatos a novas lojas já mapeados”, acrescenta.

Eneva (ENEV3)

A Eneva informou que o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) emitiu a Licença de Instalação (LI) para construção da unidade de tratamento de gás e do terminal de liquefação, que serão instaladas no Campo de Azulão, no Amazonas.

Segundo a empresa, o IPAAM já tinha emitido, em 19 de julho, LI para a perfuração dos poços de Azulão, e, em 5 de setembro, a companhia obteve a LI para construção da usina termelétrica Jaguatirica II, de 132,3 MW de capacidade instalada, a ser construída em Boa Vista, Roraima.

“A partir de hoje, portanto, todo o projeto integrado Azulão-Jaguatirica encontra-se licenciado e em construção”, diz a empresa. Azulão vai produzir gás para abastecer a UTE Jaguatirica II, que se sagrou vitoriosa no Leilão para Suprimento a Boa Vista e Localidades Conectadas, realizado em maio de 2019, pela Aneel.

O investimento total estimado para a implantação de Azulão-Jaguatirica é de R$ 1,8 bilhão e a entrega de energia se dará a partir de 28 de junho de 2021.

(Com Agência Estado e Bloomberg)