Ação da Bayer cai diante de acordo bilionário sobre litígio envolvendo herbicida

Mercado questiona se se um ‌acordo proposto de US$7,25 bilhões em processos judiciais relacionados ao Roundup representaria uma reviravolta decisiva

Reuters

Logo da Bayer (REUTERS/Wolfgang Rattay/Arquivo)
Logo da Bayer (REUTERS/Wolfgang Rattay/Arquivo)

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FRANKFURT, 18 Fev (Reuters) – As ações da Bayer ⁠caíram até 9,2% nesta quarta-feira, apagando ganhos ⁠do dia anterior, com os investidores questionando se um ‌acordo proposto de US$7,25 bilhões em processos judiciais relacionados ao herbicida Roundup representaria uma reviravolta decisiva.

O grupo farmacêutico e de proteção ‌de safras alemão anunciou na terça-feira à noite que havia chegado a um acordo para resolver dezenas de milhares de reclamações atuais e futuras de responsabilidade pelo produto, após anos lutando contra riscos legais relacionados ao Roundup, adquirido na compra da Monsanto em ⁠2018.

O ‌aumento de 7,3% das ações na terça-feira foi mais do ⁠que revertido por uma queda de mais de 8%, por volta das 10h45 (horário de Brasília).

Viva do lucro de grandes empresas

Analistas do JPMorgan afirmaram que o acordo foi na direção certa, mas observaram que a Bayer não divulgou quantos demandantes devem aderir ao acordo para ​que ele prossiga, e também não ficou claro o quanto eles estariam dispostos a aceitar a oferta.

‘Ainda há considerações ​a serem feitas, como a necessidade de aprovação do tribunal e a possibilidade de uma alta taxa de recusas’, afirmaram.

No final da terça-feira, Markus Manns, gestor de carteiras da Union Investment, também alertou que a proposta ‘ainda não era o avanço que ‌muitos investidores esperavam’.

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Tanto o JPMorgan quanto Manns ​afirmaram que muito ainda depende de uma decisão pendente da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre o mérito geral das ações judiciais.

A Bayer solicitou ao tribunal ⁠que invalidasse as queixas, ​que se baseiam ​principalmente na legislação estadual, argumentando que a regulamentação federal a seu favor deveria ter ⁠prioridade.

Stephan Wulf, analista da corretora ​Oddo BHF, alertou que uma série de obstáculos legais deve ser superada para que o acordo entre em vigor, e que a opinião ​da Suprema Corte seria uma incerteza adicional.

‘Isso ainda não está decidido’, disse ele.

Um porta-voz da Bayer disse que ​o grupo não especularia ⁠sobre suas chances de sucesso na Suprema Corte, mas encaminhou à Reuters um parecer ⁠jurídico do procurador-geral dos Estados Unidos em dezembro, que mostrava que o governo do presidente Donald Trump concorda com a interpretação da Bayer sobre a lei em questão.