Destaques da bolsa

Ação da Gol cai 22% em dois dias; Vale e Petrobras estendem perdas com commodities

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta quinta-feira (27)

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SÃO PAULO – A sessão foi novamente de aversão ao risco para a bolsa brasileira, com a continuidade dos temores sobre o coronavírus. Os casos da Covid-19, apesar de terem diminuído o ritmo de crescimento na China, estão se expandindo em outros países e gerando novos alertas de empresas de impacto sobre os resultados.

No mercado de commodities, o petróleo WTI teve a quinta sessão de baixa seguida, para menos de US$ 48, com receio de que uma pandemia afete o crescimento global, enquanto os metais recuaram em Londres e minério de ferro teve a 4ª baixa em Cingapura. No mercado futuro de Dalian, o minério de ferro tem baixa de 3,5%. Com isso, ativos da Petrobras desabaram mais de 3%, enquanto a Vale recuou cerca de 1%.

Já a Ambev registrou forte queda de 8,3% após dados fracos do quarto trimestre, assim como um guidance que não agradou o mercado.

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A maior queda do dia, porém, ficou pela segunda vez seguida com a Gol, que hoje caiu 8,9% após perder 14% na véspera, acumulando 21,94% de queda em dois dias. O setor aéreo é apontado por analistas como um dos mais prejudicados pelos efeitos do coronavírus já que a tendência é que as pessoas evitem viajar.

Além disso, pesa o fato da companhia ter grande parte de seus custos em dólar. Nesta quinta, a moeda americana subiu 0,7% e renovou mais uma vez sua máxima histórica, cotada a R$ 4,4751 na venda.

Confira os destaques:

Bancos

Bancos, por sua vez, abriram em baixa, mas se recuperaram e variaram entre leve alta (caso do Itaú e Banco do Brasil) e leve queda (caso do Bradesco e Santander). No noticiário do setor, o Banco Central divulgou dados de crédito de janeiro. Os dados de empréstimos bancários mostraram que as condições gerais de crédito melhoraram em janeiro, principalmente com relação ao crédito para pessoas físicas, destaca análise do Goldman Sachs.

O crédito alocado livremente a pessoas físicas teve alta de 12,2% em janeiro na base anual, ante alta de 11,9% em dezembro de 2019. As taxas de empréstimos para empresas aumentaram 130 pontos-base em janeiro (para 17,6%). “Os empréstimos de bancos públicos e o crédito a empresas permanecem fracos (principalmente o crédito direcionado), mas destacamos que as empresas vêm substituindo o crédito bancário por outras fontes de financiamento baseadas no mercado de capitais. Finalmente, as inadimplências de empréstimos corporativos aumentaram 20 pontos-base, para 2,3%, ainda baixos, mas as inadimplências de empréstimos a pessoas físicas caíram 10 pontos-base, para 4,9%”, avalia o banco.

Assim, o banco espera que as condições de crédito melhorem levemente nos próximos meses, à medida que o risco de crédito modere com a recuperação econômica gradual prevista, e a demanda de crédito seja sustentada pela melhoria gradual prevista no cenário do mercado de trabalho e por um declínio nas taxas.

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Confira os destaques:

Ambev (ABEV3)

A Ambev registrou lucro líquido atribuído ao controlador de R$ 4,099 bilhões no quarto trimestre de 2019, alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano de 2019, o montante foi de R$ 11,780 bilhões, número 7,13% maior do que em 2018. A melhor performance é atribuída, principalmente, a expansão do Ebitda, menor alíquota efetiva de imposto de renda e menores despesas financeiras.

O lucro líquido ajustado da fabricante de bebidas foi de R$ 4,633 bilhões no quarto trimestre de 2019, 24,4% acima do registrado em igual período do ano passado. Em informe de resultados, a companhia afirma que a alta se deve a uma menor despesa de imposto de renda. No acumulado de 2019, o lucro líquido ajustado cresceu 8,5% ante 2018, atingindo R$ 12,549 bilhões.

O lucro consolidado do quarto trimestre foi de R$ 4,219 bilhões, alta de 21,80% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2019, o montante foi de R$ 12,188 bilhões. Veja mais sobre o balanço clicando aqui.

O Credit Suisse destacou que os números da Ambev foram fracos, com o crescimento de volume de 3,4% na base de comparação anual sendo mais que compensado do lado negativo pela queda de 4,2% de receita por hectolitro.

Para 2020, a companhia espera i) pressão de custo pelo câmbio; ii) Ebitda do segmento de cerveja no Brasil reduzindo entre 17% e 20% na base de comparação anual no primeiro trimestre de 2020 e que deve ir gradualmente se recuperando ao longo do ano e iii) tendência de receita favorável para LAS (América Latina Sul).

Os analistas destacam reação negativa do mercado considerando principalmente o guidance de 2020 menos detalhado e a indicação de uma menor rentabilidade para o segmento de cerveja no Brasil no primeiro trimestre de 2020, sem a clareza de que isso levará a uma melhora de volume.

O Bradesco BBI destacou que a Ambev reportou um Ebitda 2% abaixo do consenso do mercado para o quarto trimestre de 2019, embora o lucro tenha sido 6% superior às estimativas do banco. “Os resultados do quarto trimestre mostram que a Ambev praticou descontos no Brasil e eles foram maiores do que esperávamos. Os desafios permanecem para 2020 porque Heineken e Petrópolis têm aumento da capacidade de produção”, avalia o BBI. O banco observa que o guidance para 2020 indica custos maiores já para o começo deste ano.

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A avaliação do Itaú BBA destaca que os resultados foram mais fracos que os projetados para a divisão de cervejas, com um Ebitda 4% abaixo das estimativas do banco. Como destaques positivos, o BBA indicou o crescimento de 16% nas vendas das bebidas não alcoólicas da Ambev e o lucro líquido 1% superior às projeções.

O cenário para 2020, contudo, não é positivo, porque são esperadas maiores pressões de custos e competição no mercado brasileiro de cervejas. O Itaú BBA manteve a nota “market perform” (média do mercado) para o papel ABEV3, com preço-alvo de R$ 22,00 para ação – uma alta de 39,1% sobre R$ 15,82.

Biosev (BSEV3)

As ações da Biosev registraram forte alta em um dia de queda para o Ibovespa. Os ativos chegaram a avançar 26,19%, fechando com ganhos de 15,48%. Contudo, não há nenhuma notícia recente sobre a companhia.

A companhia reportou no último dia 14 de fevereiro o resultado do terceiro trimestre do ano-safra 2019/20, entre outubro e dezembro do ano passado. A companhia, braço sucroenergético do Grupo Louis Dreyfus, voltou a dar lucro líquido, reportando resultado de R$ 2,857 milhões – o resultado leva em conta os impactos da norma IFRS 16, sem a qual a companhia teria registrado lucro líquido de R$ 22,679 milhões. No mesmo trimestre da safra anterior, a companhia havia registrado prejuízo líquido de R$ 230,552 milhões.

Marcopolo (POMO4

O lucro líquido da Marcopolo cresceu 11% em 2019, sobre 2018, para R$ 220 milhões, informou a fabricante de ônibus e carroçarias na manhã de hoje. A empresa teve uma receita líquida de R$ 4,3 bilhões no ano inteiro de 2019, uma leve expansão de 2,8% sobre os R$ 4,19 bilhões de 2018. Já o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (EBITDA) caiu 6,7% em 2019, para R$ 338 milhões.

Embora a receita líquida obtida no Brasil no ano passado tenha crescido 17,6% para R$ 2,25 bilhões, o faturamento líquido com as exportações teve queda de 25,4% para R$ 1,01 bilhão, indicando a recessão na Argentina, grande compradora de ônibus brasileiros, e as crises políticas no Chile e no Peru. A Marcopolo destaca que no mercado interno a demanda por ônibus urbanos foi maior que a por ônibus rodoviários e por micro-ônibus, segmentos onde a empresa é mais forte com o ônibus compacto Volare.

De qualquer maneira, a empresa informou que as vendas ao varejo, com a renovação da frota em São Paulo, compensou em parte a menor demanda por ônibus rodoviários. A Marcopolo, que tem sede em Caxias do Sul (RS), destacou que suas fábricas no México e África do Sul compensaram em parte a queda nas exportações brasileiras para países sul-americanos.

Em julho do ano passado, a Marcopolo comprou o controle da encarroçadora argentina de ônibus Metalsur e deixou de produzir ônibus urbanos no Brasil, concentrando a produção na fábrica argentina para otimizar as operações. No Brasil foram produzidos em 2019 um total de 13.330 ônibus, queda de 4,5% sobre 2018. Já no exterior a empresa fabricou 2.411 ônibus, um avanço de 12,4% sobre o ano anterior, com destaque para as fábricas mexicana e sul-africana. A Marcopolo encerrou 2019 com market-share de 49,8% do mercado brasileiro de ônibus, praticamente a metade – em 2018, a empresa tinha 56% do mercado. No Brasil, a Marcopolo concorre com a Mercedes-Benz, Volvo e Scania como fabricante de chassis, e com a Caio, Busscar e Irizar como encarroçadora.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

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O Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) recomendou a exclusão da Eletrobras Participações S.A. – Eletropar – do Programa Nacional de Desestatização (PND). A Resolução com a recomendação está publicada na edição desta quarta-feira (26) do Diário Oficial da União.

Segundo o texto da Resolução, a decisão do Conselho considerou o fato de a Eletropar ser uma empresa controlada pela Eletrobras, que aguarda aprovação do Congresso Nacional para que seja capitalizada, e levou em conta ainda a estratégia de reorganização da Eletrobras e os impactos de gestão trazidos pela manutenção da Eletropar no PND. A recomendação será submetida à deliberação do presidente da República.

A recomendação de exclusão da Eletropar do PPI deverá agora ser alvo de deliberação de Bolsonaro.

A Eletropar possui ações na transmissora de energia Cteep, na geradora Emae, controlada pelo governo paulista, na EDP Energias do Brasil, na Light e na Eletronet, segundo formulário de referência da companhia.

Notre Dame (GNDI3

O Bradesco BBI publicou uma breve avaliação sobre as operadoras de planos de saúde no Brasil e a chegada do coronavírus no país. O destaque foi para a Notre Dame Intermédica, que já tinha um plano de contingência que foi revisado após o primeiro caso da doença ser confirmado na terça-feira em São Paulo. “A empresa planeja aumentar o estoque de luvas, máscaras e sedativos, além de reservar 30 leitos hospitalares”, informa o BBI. “A Amil tem feito comunicados aos pacientes nos hospitais e aos clientes sobre o problema”.

Segundo o banco, o impacto do coronavírus no Brasil para o setor será pequeno, “semelhante ao do vírus H1N1 em 2009, que teve custo baixo para as empresas”. O BBI se diz cauteloso com o possível impacto do coronavírus no Hemisfério Sul do planeta. “Estamos monitorando de perto a situação”, comenta o banco.

Banco do Nordeste (BNBR3

O Banco do Nordeste planeja aumentar o seu capital social em R$ 1,7 bilhão para R$ 5,5 bilhões, informou ontem em comunicado o banco estatal. Segundo o banco, não ocorrerá emissão de novas ações e o aumento ocorrerá com a incorporação de reservas estatutárias, que são provenientes de lucros apurados nos exercícios anteriores.

O banco declarou que em 31 de dezembro do ano passado atingiu reservas de lucros no valor de R$ 2,65 bilhões. O aumento de capital precisa ser aprovado na Assembleia Geral Extraordinária de 27 de março, que acontecerá na sede em Fortaleza (CE).

Vale (VALE3)

A mineradora Vale informou que o navio cargueiro Stellar Banner, que transportava um carregamento de minério de ferro da empresa do porto de São Luís (MA) para a China, foi encalhado na noite da segunda-feira na costa do Maranhão. Segundo a empresa, a embarcação “sofreu uma avaria na proa, após deixar o terminal marítimo da Ponta da Madeira” e o capitão achou prudente efetuar a manobra, após os 20 tripulantes serem retirados do navio. O encalhe ocorreu a cerca de 100 quilômetros de São Luís. O navio é da empresa sul-coreana Polaris. A Vale informou que está auxiliando no suporte técnico-operacional ao navio encalhado.

Locaweb (LWSA3)

A Locaweb comunicou ontem que o Fundo Soberano de Cingapura – GIC Private Limited (GIC) passou a deter 6,49% das ações ordinárias da empresa. O aumento da participação, segundo a Locaweb, não representa uma tomada de controle. A Locaweb é uma empresa brasileira de hospedagem de sites, que levantou R$ 1,2 bilhão em oferta primária e secundária de ações na B3 no começo de fevereiro. O fundo GIC informou ontem que passou a deter de forma consolidada 8,1 milhões de ações ordinárias LWSA3. O Fundo Soberano de Cingapura tem ativos superiores a US$ 100 bilhões, investidos em vários países.

Recomendações

A SulAmerica (SULA11) teve a recomendação reduzida de neutra para underweight (exposição abaixo da média) pelo JPMorgan. O Burger King Brasil (BKBR3), por sua vez, teve a recomendação iniciada como compra pelo HSBC. Em janeiro, a recomendação da rede de fast-food foi iniciada como underweight pelo Morgan Stanley, e rebaixada pelo JPMorgan, Bradesco BBI e Goldman Sachs. A Transmissão Paulista (TRPL4), por sua vez, teve a recomendação elevada a compra pelo HSBC, com preço-alvo de R$ 25

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