Fusão

Ação da ALL dispara mais de 20% com notícia de fusão iminente com Rumo; Cosan sobe 5%

Segundo o Valor, a companhia deve anunciar na próxima semana sua fusão com a Rumo Logística, da Cosan

SÃO PAULO – A próxima semana deve marcar a conclusão da união da ALL (ALLL3) e da Rumo Logística, segundo informações do Valor. De acordo com o jornal, a Rumo, controlada pelo grupo Cosan (CSAN3), do empresário Rubens Ometto, representará entre 35% e 40% do novo negócio e a ALL, os restantes 65% a 60%.

Com isso, nesta sexta-feira (14), as ações da ALL abriram com forte alta, liderando os ganhos do Ibovespa e acelerando os ganhos. Às 10h51 (horário de Brasília), os ativos ALLL3 tinham valorização de 17,59%, cotadas a R$ 6,35, chegando a subir 22,22% mais cedo, a R$ 6,60. Já os ativos da Cosan seguiam como a segunda maior alta do índice no mesmo horário, avançando 4,78%, para R$ 36,40.

A companhia originária da fusão ainda não possui nome e será gerida por um acordo de acionistas do qual participarão a Cosan, TPG e Gávea (os fundos de investimento minoritários na Rumo) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A ALL e a Cosan esclareceram nesta manhã que estão em tratativas, mas que ainda não existe nenhum acordo firmado entre as duas empresas.

Para a equipe de analistas da Bradesco BBI, o acordo é bastante positivo para a ALL no longo prazo, já que colocaria um ponto final nas brigas judiciais entre a companhia e a Rumo. Pelo acordo, a Cosan daria R$ 1,2 bilhão para a companhia de logística investir em locomotivas e na duplicação de 400 Km de trilhos entre Itirapina e o Porto de Santos, entre outros.

Atualmente, a ALL paga cerca de R$ 200 milhões por ano em taxas em regiões onde tenta duplicar suas ferrovias, mas que são ocupadas por tribos indígenas. Segundo o Bradesco, com o negócio junto à Rumo, a companhia poderia suspender esse contrato de duplicação e deixaria de pagar essas taxas, sendo mais um fator positivo. Os analistas ainda destacam que a companhia de logística da Cosan poderia trazer um novo “poder de fogo” para a ALL, ajudando a recuperar o caixa da companhia, além de integrar as ferrovias da ALL com os terminais da Rumo, com bons ganhos de sinergia.

Porém, os analistas do Bradesco ressaltam que, se o negócio realmente for anunciado oficialmente, ainda é preciso aguardar a aprovação dos acionistas, com a necessidade de que 50% mais 1 aceitem o negócio.

No caso da Cosan, a equipe da XP Investimentos destaca que a empresa, que já vinha tentando a fusão há um certo tempo, pode ter melhores condições de preço, sendo também favorecida pelo fim das disputas judiciais e com a integração das operações.