Abril Educação: descubra os segredos da estreante que surpreende na bolsa

Após IPO em julho, desempenho das ações supera concorrentes e Ibovespa, mesmo com nervosismo abalando o mercado

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SÃO PAULO – Os units da Abril Educação (ABRE11) completaram há pouco três meses de presença na BM&FBovespa, tendo conseguido neste período performar não só acima de seus pares do setor mas também do Ibovespa, em um período marcado por turbulência nas bolsas de todo o mundo.

Entre 27 de julho, data do IPO (Initial Public Offering), e 24 de novembro, os units da Abril Educação acumularam valorização de 7,57%, enquanto ações de outras empresas do setor como Kroton (KROT11), Estácio (ESTC3), Anhanguera (AEDU3) amargaram queda de 3,68%, 5,05% e 39,77%, respectivamente, no mesmo período. Já o Ibovespa recuou 5,16% nesse mesmo intervalo.

Opinião da empresa

Duas fases
Em entrevista exclusiva ao Portal InfoMoney, Manoel Amorim, presidente da Abril Educação fez questão de dividir em duas fases a performance das ações. 

Em um primeiro momento, no primeiro mês após o IPO, as ações da empresa chegaram a amargar cerca de 26% de desvalorização em meados do final de agosto, passando de R$ 18,50 (preço fixado no IPO) para R$ 13,70, sendo esta sua menor cotação de fechamento na bolsa, obtida no dia 26 daquele mês. Para o executivo a perda teve como pano de fundo o momento enfrentado pelas bolsas de valores com o aumento vertiginoso da aversão ao risco, o que fez empresas como Los Grobo, Cimentos Liz, Perenco e Coopersucar suspenderem suas aberturas de capital à espera de um ponto de entrada mais interessante.

Exatamente por ter insistido no IPO em um momento de nervosismo do mercado, que se agravou ainda mais nas semanas seguintes à oferta, é que Amorim acredita que as ações foram tão penalizadas em um primeiro momento, embora a empresa tenha conseguido captar o valor desejado na oferta inicial.

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Para corroborar seu ponto de vista, o executivo explicou que o bookbuilding apontou que a demanda superou a oferta em apenas 1,3 vezes enquanto normalmente este valor é de 10 vezes. Como regularmente a demanda por subscrição é muito maior do que a oferta, os investidores costumam declarar intenção de adquirir um valor acima do que realmente desejam no recolhimento de intenções, uma vez que as empresas aparam os pedidos a fim de atender a todos os interessados.

Porém, como a expectativa dos investidores não se confirmou, muitos acabaram comprando muito mais units do que gostariam de fato no IPO, resultando em uma forte pressão de venda nas sessões seguintes à oferta – no pregão de estreia, os ativos ABRE11 despencaram 7,50%. Além disso, é comum em momentos de maior nervosismo do mercado os investidores se distanciarem de papéis sem histórico na bolsa, buscando posições tidas como mais seguras, ressalta Amorim.

Retomada
Só a partir do final de agosto as ações da empresa iniciaram a escalada de valorização, revertendo as perdas desde o IPO e distanciar-se das outras companhias do setor e do Ibovespa.

Segundo Amorim, a reversão das perdas foi fruto da apresentação do primeiro resultado trimestral, do fim do período de silêncio e do início da cobertura do papel por analistas, que convergiram para um preço-alvo de R$ 30,00 enquanto a ação era negociada por cerca de R$ 15,00 . “Finalmente foi revelado o nosso potencial”, disparou Amorim.

A partir de então, o executivo acredita que na medida em que a empresa vai sendo conhecida pelo mercado e fica cada vez mais evidente o espaço que tem para crescer, as sinergias que resultam das aquisições e, principalmente, a capacidade de forte geração de caixa – R$ 140 milhões nos nove primeiros meses do ano. 

Opinião dos analistas

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Modelo de negócios diferenciado
Em relatório divulgado pela Spinelli Corretora em setembro, o analista Max Bueno reconhece que o grande diferencial da Abril Educação está em seu modelo de negócios flexível, voltado para um conteúdo que pode ser distribuído amplamente sem maiores barreiras. 

“É um negócio que envolve conteúdo, que pode ser replicado para escolas públicas e particulares. Os outros representantes do setor são faculdades, envolvem ativos físicos e não conteúdo. Por isso, vejo que a Abril Educação tem um potencial de crescimento muito maior”, explica.

Bueno também ressalta que a companhia leva vantagem de se aproveitar da marca Abril, já bastante consolidada no mercado, especialmente no meio em que vivem os potenciais consumidores do conteúdo oferecido por ela. Tais aspectos favoráveis se convertem em boas perspectivas de resultados. “A Abril Educação deve apresentar um crescimento consistente no lucro daqui para frente, entre 35% e 40% nos próximos três anos”, completa o analista.

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Mudanças sociais
A boa perspectiva para a empresa reflete o cenário favorável para o setor educacional brasileiro. Mario Osako, analista do Itaú BBA, lembra da pequena penetração do ensino fundamental particular brasileiro, e que há perspectivas positivas de crescimento. Além disso, há expectativas favoráveis em relação à renda, mudanças na distribuição de riqueza e uma demanda reprimida por um ensino com maior qualidade.

Além disso, o setor de ensino deverá iniciar uma melhora através do fundamental e do médio, onde a Abril Educação é forte. “A empresa está bem posicionada para tirar vantagem deste crescimento antecipado no Brasil através de sua plataforma robusta e bem integrada”, afirma Osako. Para ele, a companhia se beneficiará deste crescimento, não apenas no setor privado, como também no público.

Primeiros passos

Segundo sua própria definição, a Abril Educação contempla “o compromisso do Grupo Abril com o setor de educação desde 1960”, data em que criou o primeiro material didático usado no Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização) – projeto do governo brasileiro voltado à alfabetização de jovens e adultos. Ainda sem ter um braço de educação independente dentro do conglomerado, o Grupo Abril intensificou suas aquisições no setor de educação a partir de 1999, com a compra parcial das editoras Ática e Scipione – integralmente adquiridas em 2004.

Só a partir do início de 2009, as editoras passam a integrar a recém-criada Abril Educação, empresa independente dentro do Grupo Abril, que também passou a responder pelo recém-lançado Sistema de Ensino SER, que dedica-se à publicação de materiais didáticos de forma integrada ao portal de conteúdo. Também em 2009, a Abril Educação criou a área de Formação de Educadores, com objetivo de contribuir para o formação dos professores que trabalharão com seu material didático.

Em julho de 2010, a empresa fez sua maior aquisição até então, ao adquirir o Grupo Anglo, um dos mais tradicionais e consagrados do setor educação do Brasil, englobando o Sistema Anglo de Ensino, o Anglo Vestibulares e a SIGA, que foca a preparação para concursandos do setor público.

IPO

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Início da temporada de aquisições
Em 26 de julho deste ano a Abril Educação conseguiu arrecadar R$ 351 milhões com o lançamento de suas ações na BM&F Bovespa para dar prosseguimento a seus planos de expansão.

Como primeira aquisição a empresa escolheu a Maxiprint Gráfica e Editora, desembolsando R$ 43 milhões por um negócio que irá permitir o atendimento a mais de 85 mil alunos através das 343 escolas usuárias do Sistema Maxi de Ensino em todo o território nacional, viabilizando ainda um processo de integração ainda com os sistemas Anglo e SER.

Além disso, em setembro foi anunciado um acordo com a Livemocha, tornando a Abril Educação sua representante exclusiva no Brasil e incrementando o conteúdo didático oferecido com os serviços de idiomas disponíveis na comunidade de aprendizado de idiomas online.

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Novas compras virão
O presidente da empresa, Manoel Amorim, afirma que a política de aquisições pós-IPO tem sido bem sucedida até o momento e que não está nem perto do fim. Dos R$ 351 milhões arrecadados em julho, R$ 111 milhões foram utilizados para amortização de dívidas, R$ 21 milhões para melhorias de instalações do patrimônio já constituído e os R$ 219 milhões restantes para aquisições dentro de 18 meses.

Deste montante, apenas R$ 30 milhões foram gastos até o momento, o que deixa cerca de R$ 189 milhões para serem destinados a aquisições até o final de 2012, que podem ser ainda melhor utilizados em função do momento de baixa do mercado, explica Amorim.