ABMH alerta consumidor para financiamentos com prestação fixa

Consumidor deve avaliar termos oferecidos, muitas vezes prestação só é fixa por um determinado prazo de tempo

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SÃO PAULO – A partir deste mês os bancos privados passaram a oferecer financiamento para a casa própria com juros prefixados e sem correção pela TR. Bancos como Itaú, Bradesco e Santander já disponibilizam a nova opção, que, apesar de tentadora, precisa ser analisada com cuidado pelo futuro mutuário.

“Mesmo com a queda da Selic, os juros ainda continuam altos, em alguns bancos as taxas chegam a 18,9% ao ano”, informa o consultor jurídico da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Ricardo Chiaraba.

Concorrência acirrada

Chiaraba acredita que o comprador do imóvel deve pesquisar muito antes de fechar qualquer contrato, já que a tendência é de que a competição entre os bancos aumente, já que haverá competição para atrair novos clientes.

A prestação é um outro ponto que merece atenção do consumidor. De acordo com a ABMH, quando ela é fixa até o final do contrato, os juros são mais altos. Isso porque os bancos que oferecem as taxas mais baixas em geral não fixam a prestação por toda a duração do contrato, mas apenas por um prazo máximo de 36 meses. Na prática, isso significa que após esse período as prestações podem flutuar novamente, expondo o consumidor.

“Também é preciso ficar atento quanto à prestação, uma vez que ela é composta de duas parcelas: uma de amortização e outra de juros”, alerta Chiaraba. “Assim, se a parcela de amortização for muito baixa, pouco irá reduzir o saldo devedor ao longo dos meses. Além disso, é necessário saber qual é o Sistema de Amortização que vai reger o saldo devedor”, diz o consultor.

Inadimplência

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Para evitar a inadimplência, a ABMH recomenda que o mutuário não comprometa mais que 15% do rendimento com as prestações iniciais e utilize o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), 13º salário e férias, por exemplo, para abater parte do saldo devedor.

Tanto a iniciativa dos bancos quanto do governo em liberar mais crédito é vista com bons olhos pela ABMH, mas com uma ressalva: “Não basta apenas liberar recursos para Habitação para bater recordes, é preciso dar reais possibilidades do sonho da casa própria se efetivar e isso só acontecerá com planos de financiamentos que tragam garantias ao mutuário de adimplência até o final do contrato com a quitação do saldo devedor”, acredita o advogado.