Bancos e criptos

Aave lança protocolo DeFi “amigável” para bancos e instituições financeiras

O Aave Arc, plataforma permissionada (restrita) da Aave (AAVE), pode estar inaugurando uma nova era das finanças descentralizadas

Por  CoinDesk -

Os bancos ganharam um novo amigo no setor de finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês) – ou pelo menos uma versão alternativa que segue as regras do mercado tradicional.

Isso é o que a Aave Arc, versão permissionada do protocolo de empréstimos Aave (AAVE), está oferecendo às instituições. A ferramenta foi oficialmente lançada nesta quarta-feira (5), com ajuda da empresa de custódia de criptomoedas Fireblocks. Já existe uma lista com 30 firmas autorizadas a usar a ferramenta.

Aplicações em blockchains permissionadas são aquelas que podem ser usadas apenas por grupos previamente selecionados – as empresas costumam usar esse tipo de tecnologia. Já as plataformas sem permissão são descentralizadas e abertas ao público – a rede do Bitcoin (BTC) é um exemplo.

Pegar emprestado (ou emprestar) criptomoedas em aplicativos DeFi é um processo praticamente anônimo. Os usuários são identificados apenas por longas cadeias de números e letras. Isso contrasta fortemente com a forma como as finanças tradicionais operam, em que os interessados nos serviços financeiros são claramente identificados por meio de protocolos como o Conheça Seu Cliente (KYC, na sigla em inglês).

Como tal, o mercado DeFi de hoje, que ostenta mais de US$ 250 bilhões em valor total bloqueado, permaneceu amplamente inexplorado pelas instituições por causa de mecanismos de KYC e antilavagem de dinheiro. Permitir o acesso institucional ao DeFi poderia abrir uma oportunidade de um trilhão de dólares nos próximos cinco anos, segundo estimativas.

As 30 instituições financeiras aprovadas pela Fireblocks incluem Anubi Capital, Bluefire Capital (adquirida pela Galaxy Digital), Canvas Digital, Celsius, CoinShares, GSR, Hidden Road, Ribbit Capital, Covario e Wintermute.

Universo paralelo

A criação de pools (contrato inteligente no qual os usuários podem manter seus tokens para gerar liquidez) permissionados de DeFi com entidades reguladas foi proposta em setembro do ano passado. No entanto, o Aave Arc começou como “mais um experimento que se tornou um novo protocolo real”, de acordo com o CEO da Aave, Stani Kulechov.

Olhando para o futuro, Kulechov prevê que os protocolos DeFi permissionados e os abertos ao público provavelmente existirão em paralelo.

“Podemos até ver sistemas regulados de negociações operando em plataformas DeFi, que são privados porque os participantes querem concentrar liquidez, ou têm alguns outros benefícios”, disse Kulechov em uma entrevista, acrescentando que tem havido “enorme” interesse por parte das instituições no Aave Arc, incluindo bancos.

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“O que é fascinante sobre essas instituições financeiras é a sua diversidade”, disse Kulechov. “Algumas estão participando do mercado cripto, e outras, como fundos de hedge, estão apenas procurando estacionar suas reservas de caixa no Aave Arc para obter rendimento”.

Pools permissionados

Atualmente, o Fireblocks tem cerca de 250 clientes que estão usando o DeFi da maneira que você esperava (pools sem permissão) – via conexão com a carteira da empresa de custódias ou por meio da extensão do navegador. No que diz respeito ao Aave Arc, qualquer informação sobre as instituições autorizadas negociando em pools autorizados de DeFi é conhecida apenas pela Fireblocks, e permanece desconhecida do Aave e de outras empresas, apontou o CEO do Fireblocks, Michael Shaulov.

“Isso não é muito diferente da situação hoje porque eles estão usando nossa carteira, então essa informação é conhecida por nós”, disse Shaulov em uma entrevista. “Mas, além disso, eles são anônimos. A única coisa que está sendo fornecida é o fato de que todos eles passaram por KYC”.

Usando o “maquinário” desenvolvido por Aave, houve uma oportunidade óbvia de criar lista de pools, e todas as instituições devem passar por uma triagem antilavagem de dinheiro, tornando o DeFi palatável para entidades regulamentadas, disse Shaulov.

“Se você estiver usando um pool público e for dos Estados Unidos, como pode provar que a pessoa com quem está negociando do outro lado não é, por exemplo, uma entidade iraniana?”, disse Shaulov em uma entrevista.

DeFi para sempre

A ideia de que pools restritos vão contra todo o princípio do DeFi é uma pergunta feita a Shaulov e Kulechov de vez em quando.

“A resposta simples é que sim”, disse Shaulov. “Mas é uma etapa necessária, ou uma correção excessiva, para que a indústria chegue a um estado diferente em um horizonte de 18 a 24 meses. Em seguida, virá uma espécie de KYC suave, onde você tem um token KYC, ou KYC na cadeia da blockchain. Mas, para chegar lá, precisamos adotar uma abordagem um pouco mais agressiva”.

Kulechov comparou a Web 3.0 e o DeFi aos oceanos do mundo. Essas duas tecnologias, disse, são como aquelas águas internacionais que não pertencem a ninguém especificamente e por onde qualquer um pode viajar. Mas uma vez que você vai a um porto, você entra na regulamentação, e as instituições financeiras são os portos desse oceano, acrescentou.

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“Acho que o DeFi será para sempre sem permissão e acessível a todos, desde que as redes onde rodam – blockchains públicas como Ethereum, Polygon, Avalanche – sejam descentralizadas”, falou Kulechov.

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