Primeiras Leituras

A tensão entre o Planalto e Lula e o PT está crescendo

O PT no Senado soltou ontem uma nota desagravando Lula, mas não fez referências às críticas do ex-presidente ao partido e à presidente. Lula não está feliz e Dilma também não. O pano de fundo é 2018.

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Os jornais de hoje refletem o que em Brasília já se sentia faz algum tempo e ficou explicito nas falas do ex-presidente Lula para um grupo de religiosos, na semana passada, e anteontem num evento promovido pelo Instituto Lula com a presença do ex-primeiro-ministro espanhol Felipe Gonzáles: é altíssima tensão política entre o criador e a criatura – entre Lula e a presidente Dilma Rousseff. As críticas ao PT entram no contexto porque a legenda está dividida, ainda que a maioria para ele, entre o lulismo e o dilmismo. O dilmismo do Palácio do Planalto é um dos alvos de Lula.

 
Reportagem de “O Globo”  hoje mostra bem esse quadro: “Após confidenciar a aliados estar cansado de não ser ouvido pela presidente Dilma Rousseff nem ser defendido pelo governo ao ter seu nome ligado a empreiteiras investigadas pela Operação Lava- Jato, o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a articular o contra-ataque por conta própria. Além de fazer duras críticas ao governo Dilma e cobrar abertamente reação por parte do PT, trabalhou para que a bancada petista no Senado divulgasse ontem uma nota de desagravo a ele que sequer a citava.”

 
O que se nota de mais extraordinário nesta história é que o PT saiu apenas em defesa do ex-presidente e sem citar as críticas dele ao próprio partido e à presidente. Não há a defesa da Dilma. O que é natural entendendo-se a liderança de Lula e a insatisfação de boa parte da legenda com a política econômica em prática. Sem contar com a irritação com a perda de espaços no governo e na articulação política. 

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Nem ao menos se tentou amenizar as críticas junto aos religiosos em relação ao comportamento da presidente. No máximo, o líder do governo na Câmara, Josué Guimarães, disse que Lula tem direito de fazer críticas, mas que, no momento, elas deveriam ser feitas internamente. Informa-se que a bancada do PT na Câmara também poderá soltar uma nota de desagravo ao ex-presidente. 

 
A presidente procurou tratar o assunto com naturalidade, para não gerar mais ruídos do que os que já existem: disse que todos têm o direito de criticar, ainda mais o ex-presidente. Porém, a realidade é que há uma certa perplexidade no Palácio do Planalto porque não se entende bem os objetivos do ex-presidente. Avalia-se que os ataques de Lula fragilizam a presidente num momento em que ela já está frágil por causa da situação econômica e por causa da avaliação de seu governo. E ainda por cima dá mais munições para a oposição.


A interpretação mais corrente em Brasília, também opinião de diversos analistas, continua sendo que Lula procura se dissociar de Dilma e do governo sem romper abertamente. Até porque não pode e isto não seria entendido pelos eleitores. O ano de 2018 para Lula começa aqui e agora.
No momento, há mais incendiário que bombeiro nessa história.

ATENÇÃO – PREOCUPADO COM REAÇÃO DOS MERCADOS E DOS INVESTIDORES INTERNOS E EXTERNOS, O MINISTRO DA FAZENDA, JOAQUIM LEVEY, APRESSOU-SE A DIZER QUE É PRECIPITADO FALAR EM REVER AGORA A META DE AJUSTE FISCAL DE 1,1% DO PIB DESTE ANO. PORÉM ADMITIU QOE O CENÁRIO ATUAL TORNA MAIS DIFÍCIL A REALIZAÇÃO DESSE RESULTADO. NA REALIDADE, JÁ HÁ ESTUDOS PARA IMPOR UMA NOVA META, ALGO ENTRE 0,9% E 0,7% DO PIB. PARA EVITAR BARULHOS COM OS AGENTES ECONÔMICOS, A INICIATIVA SERIA DO CONGRESSO NACIONAL,  A CUJA “SOBERANIA” O GOVERNO SE RENDERIA. A CORREÇÃO É INEVITÁVEL: CONFORME A “FOLHA DE S. PAULO, CITANDO O CHEFE DA RECEITA FEDERAL, JORGE RACHID, A ARRECADAÇÃO DESTE ANO ESTÁ PIOR DO QUE EM 2003. O QUE TORNA INEVITÁVEL TAMBÉM MAIS AUMENTOS DE IMPOSTOS.

 
 

Outros destaques dos

jornais do dia

 

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INVESTIMENTO DA PETROBRAS VAI DIMINUIR – O plano de investimento da estatal para 2015-2019 prevê corte próximo de 40%, com redução do orçamento de US$ 220 bilhões para US$ 130 bilhões. A estatal deve focar na exploração e produção de petróleo e gás natural e abandonar o abastecimento. A proposta vai ser analisada pelo Conselho de Administração depois de amanhã. Esta informação de corte de 40% é do jornal “O Estado de S. Paulo”. A “Folha de S. Paulo” fala em corte de 30% em cinco anos,

– OS JUROS NAS ALTURAS – O juro do rotativo do cartão de crédito atingiu a marca de 360,6% ao ano em maio, ante 347,5% em abril, uma elevação de 13,1 pontos porcentuais. A taxa é recorde e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo Banco Central. Entre as principais linhas de crédito livre para pessoa física, também tem destaque o cheque especial, cuja taxa subiu de 226% ao ano em abril para 232% no mês passado – também um recorde. Ao longo de 2015, as taxas cobradas subiram 31 pontos porcentuais. Já a taxa média de juros no crédito livre subiu de 41,8% ao ano em abril para 42,5% em maio. Com essa alta, a taxa volta a ser a maior da série iniciada em março de 2011.

– MAIS SENADORES DO BRASIL NA VENEZUELA – O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira que já pediu avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para que os senadores liderados por Lindbergh Farias (PT-RJ) façam uma viagem oficial à Venezuela. Lindbergh Farias disse que o avião já está confirmado e que a nova comitiva será composta por quatro senadores: Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Roberto Requião (PMDB-PR), Telmário Mota (PDT-RR), além do próprio Lindbergh.

 

E MAIS:
– “Investimentos do PAC caíram 33% no ano”  (Globo)
– “Standard & Poor’s rebaixa nota global da Odebrecht” (Globo)
– “Com aperto nas regras, crédito habitacional cai 29%” (Globo)
– “Crédito bancário deve ter menor alta desde 2013” – (Folha)
– “Para Levy, economia do país vive ressaca” (Globo/Estadão)
– “CPI do CARF vai ouvir executivos de grandes empresas”  (Globo/Estadão)
– “Governo vai subsidiar energia e empresas do Nordeste até 2037” (Estadão)
– “Para Levy, seria precipitado rever meta fiscal” (Globo)
– “CMN deve manter meta de inflação e rediscutir banda” (Valor)
– “Estratégia de Tombini para segurar a inflação torna-se algo de críticas do PT” (Valor)
 
 
LEITURAS SUGERIDAS
1.      Elio Gaspari – “O momento Gobartchov de Lula”  (comenta as contundentes críticas do ex-presidente a seu partido e diz que ele não fala sério) – Globo/Folha
2.      Editorial – “Lula e o partido da boquinha” (comenta as críticas do ex-presidente ao PT e diz  que Lula lançou a sorte a si mesmo.. Diz também que é um passo para descolar do governo) – Estadão
3.      Bernardo Mello Franco – “Perdoa-me por me bateres” (também sobre as críticas de Lula ao PT e a incerteza no partido sobre os reais objetivos do ex-presidente) – Folha
4.      Delfim Neto – “Protagonismo” (diz que além do ajuste fiscal, o governo precisa mobilizar o Congresso para votar um robusta pauta de medidas estruturais, sob o risco de vivermos “mais 43 meses de mediocridade”) – Folha
5.      Vinicius Torres Freire – “O rapa nas empresas e o PIB” (diz que com casos como a Operação Lava-Jato e as investigações no CARF, a economia vai piorar ainda mais ) – Folha
6.      Cristiano Romero – “A pior das recessões do pós-Real” (comenta atividade econômica e diz que PIB pode chegar ao fim de 2016 sem mostrar reação) – Valor
7.      Rosângela Bittar – “Lula no espelho” (diz que a crise do partido do ex-presidente é de sua elite, não do partido como um todo, de seus filiados) – Valor