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A semana em Brasília é de Lula e Renan

O ex-presidente procura "ajustar" os aliados e o presidente do Senado tem esta semana projetos importantes para o governo para colocar em votação

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De Brasília – Com a presidente Dilma Rousseff nos Estados Unidos, onde, aliás, fugiu da praxe das visitas presidenciais de não comentar assuntos internos no Exterior e comparou o empresário Ricardo Pessoa a Joaquim Silvério dos Reis, o protagonismo por aqui deve ficar mesmo com o ex-presidente Lula e o Senado.

Lula está em Brasília, segundo consta, iniciando uma “revolução no PT”. Na verdade sabe-se que se trata de uma operação de redução de danos. Ciente de que seu prestígio político desaba junto com a minguada aprovação ao governo Dilma, o ex-presidente enquadrou a bancada petista e voltou a defender Dilma. Na manhã de hoje toma café com o presidente do Senado, Renan Calheiros.

A agenda dos encontros não foi divulgada, mas se pode concluir que temas como o petrolão e a delação premiada de Ricardo Pessoa dono da UTC e Constran, tido como o “chefe do cartel das empreiteiras” estarão na pauta. Difícil saber o que o PT e Renan Calheiros podem ajudar neste caso. 

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O outro protagonismo é do Senado com a votação da MP 863/2015, a das “reonerações”, com votação surpreendentemente encerrada quinta-feira passada na Câmara. Na votação final a Câmara incluiu mais um setor a ser beneficiado além dos que já haviam sido aceitos pelo ministro Joaquim Levy: o setor têxtil. Levy já havia concordado em aliviar o aumento da folha para transportes, tecnologia, cesta básica e teve de engolir mais um.

Como o ministro está acompanhando a presidente na viajem aos EUA, as negociações ficarão a cargo exclusivamente da articulação política do governo – o vice-presidente Michel Temer e seu escudeiro Eliseu Padilha. O que corre por aí é que é grande a pressão de outros setores empresariais para aumentar o número de segmentos a serem beneficiados com tarifas intermediárias. Renan pode ainda botar para votar o projeto de José Serra que muda as regras do pré-sal, para aliviar as obrigações da Petrobrás.

O presidente Renan Calheiros já recuou de sua intenção de fazer a matéria das desonerações passar por várias Comissões, o que poderia atrasar muito seu andamento e traria mais dificuldades para o ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy. O que ele não disse é se concorda com a pressa do governo que precisa aprovar a MP ainda este mês para que possa surtir efeito ainda em outubro. Sem dúvida uma valiosa moeda de troca que vai estar na mesa nesses dias, sem Levy e Dilma em Brasília.

Pode haver muito barulho também na Câmara se o presidente Eduardo Cunha cumprir mesmo a promessa de começar a votar o projeto de redução da maioridade penal.

Franklin Mendonça é jornalista