A nova aposta da Vale: por que mineradora mira em minério de qualidade intermediária?

Executivos da companhia já citam, há algum tempo, maior flexibilização de portfólio e redução de custos como vantagens da estratégia

Erick Souza

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Logo da Vale na NYSE
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A Vale (VALE3) anunciou uma mudança na estratégia de potfólio, aumentando o valor por meio do minério de qualidade intermediária nas operações em Carajás, no Pará, como principal base de produção. De acordo com a administração, a companhia se destaca da identidade focada em minério de alta qualidade, para focar em flexibilidade.

Conforme o Itaú BBA, após conversas com executivos da companhia, a proposta da Vale envolve reduzir o cut-off (teor mínimo economicamente aproveitável) em Carajás. Com isso, a empresa espera produzir mais minério de qualidade intermediária (SSCJ), com as margens de excelência de Carajás.

Além disso, o projeto ainda visa utilizar material com alto teor de sílica do Sistema Sudeste para blending e concentração. De acordo com os analistas, isso retira do mercado a oferta de minério corretivo e eleva os prêmios de qualidade.

Quanto ao blending, durante o encontro com o BBA, os executivos da Vale sinalizaram que o minério de Simandou, com alto teor de alumina e baixo teor de sílica, deve exigir minério brasileiro contendo sílica como corretivo. De acordo com a administração, a companhia já tem recebido consultas comerciais para soluções de blending relacionadas.

Além disso, a empresa planeja fortalecer a cadeia logística com novos centros de concentração e mistura, reduzindo custos de frete e aumentando a flexibilidade operacional.

Realização de preços

De acordo com a Vale, as pressões de custos estão aumentando. Segundo a companhia, ao menos três fatores têm impactado esse resultado. Em primeiro lugar, parte de seu produto de qualidade intermediária ainda apresenta alta variabilidade de especificações e é negociada com desconto.

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Para o BBA, isso impactará a realização média de preços dos finos em comparação com o prêmio de US$ 4/t obtido no 1T.

Além disso, o PFC (Pellet Feed China), linha de produtos de minério de ferro de alta qualidade, perdeu parte da demanda quando os produtos da BHP retornaram ao mercado, comprimindo seu prêmio.

Em último lugar, de acordo com os executivos, o segmento de pelotas tem apresentado menos volumes de produção e uma mudança do mix. Esse segmento possui um prêmio de cerca de US$ 10/t.

Com o real em torno de R$ 5,00 por dólar, o custo caixa direto da operação até o porto tem enfrentado ventos contrários. Com a adição dos preços mais elevados do diesel, os custos totais têm sofrido ainda mais pressão.