A mais temida: citada 635 vezes em eventos, Amazon preocupa os CEOs mais que Trump

Gigante varejista foi citada quatro vezes mais que o presidente durante conferências de resultados de companhias de diversos setores

Publicidade

SÃO PAULO – Não é de hoje que a Amazon chama atenção do mercado com sua expansão e aumento de poder, mas os últimos meses têm mostrado que a companhia liderada por Jeff Bezos está se tornando o maior temor não só de concorrentes varejistas, mas de grandes empresas de outros setores. Para muitos CEOs, a companhia é mais perigosa que os riscos da gestão Donald Trump ou mesmo o aumento da remuneração dos trabalhadores.

A gigante on-line já estava arrasando seus adversários no varejo, mas agora está se transformando em uma empresa muito mais abrangente e que compete em tudo, de mercados sofisticados a desenvolvedores de tecnologia. E o setor corporativo dos EUA está prestando atenção — e ficando cada vez mais preocupado com a concorrência.

Uma pesquisa feita pela Bloomberg com transcrição das apresentações de resultados e outros eventos corporativos mostram que nos últimos 90 dias, a Amazon foi citada 635 vezes, um resultado quatro vezes maior que as 162 vezes que Donald Trump foi citado, enquanto os salários foram discutidos 111 vezes.

Viva do lucro de grandes empresas

A tendência se mantém nos últimos 12 meses, que abrange o período em que Trump conquistou uma vitória surpreendente nas urnas. Mesmo assim, a Amazon foi mencionada 1.800 vezes nas apresentações de resultados realizadas nesse período, em comparação com 1.000 vezes para Trump e 406 vezes para os salários.

E um dos setores que mais está correndo risco é o de meio de pagamentos. Em relatório, a analista Lisa Ellis, da Alliance Bernstein, disse recentemente que Bezos pode criar sua própria versão do PayPal, em um movimento parecido com o da Alibaba, que fez o Alipay. De acordo com a Bloomberg, a Amazon já se tornou grande preocupação para a Visa, Mastercard e até mesmo o próprio PayPal por ter lançado um programa de fidelidade e por estar colocando botões de checkout nos sites de outras varejistas.

Segundo Ellis, a Amazon representa um risco real para as três empresas, mas, por enquanto, apenas no longo prazo. “Para Visa e Mastercard, no mínimo, a Amazon traz o risco de tirar o brilho da marca (qual cartão você armazenou na sua carteira da Amazon?) e pressão de preços. Para o PayPal, no mínimo, a Amazon reduz o seu mercado endereçável (não há um botão do PayPal na Amazon)”.

Continua depois da publicidade

Porém, o maior alerta da analista é para o caso da Amazon realmente criar seu próprio PayPal, já que isso levaria os consumidores a guardarem seus dinheiros na conta da Amazon Pay, em vez das contas bancárias, que alimentam os acordos feitos com as bandeiras de cartão de crédito como Visa, Mastercard e American Express.

Mas o temor criado pela Amazon no mundo corporativo vai além disso. A aquisição da Whole Foods Market chamou atenção dos CEOs e se tornou só o mais recente fator de destaque para a companhia, que foi citada, por exemplo, por Steve Easterbrook, do McDonald’s, em sua teleconferência de resultados.

Já faz anos que as varejistas sentem medo de Jeff Bezos, mas agora chegou a hora de outros setores olharem para a gigante on-line e ver uma ameaça aos seus negócios. Até onde a Amazon terá poder para crescer, só o tempo dirá, mas por enquanto não parece haver limites.

(Com Bloomberg)

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.